FIFA encontra pretexto contra Copa do Mundo no continente sul-americano em 2030

Gianni-Infantino-FIFA

A FIFA acaba de ganhar um enorme pretexto para não realizar a Copa do Mundo de 2030 no continente sul-americano. A entidade maior do futebol mundial vem cogitando a possibilidade de realizar o evento em três países do continente (Argentina, Uruguai e Paraguai) em comemoração aos 100 anos da primeira edição do torneio mundial, que aconteceu em 1930, no Uruguai.

No entanto, 11 anos antes da chegada da data, ou seja, faltando ainda mais de 1 (uma) década para 2030, os dirigentes da Federação Internacional já estão se manifestando de forma contrária à realização do mais importante evento esportivo do planeta na América do Sul. Os incidentes ocorridos em Buenos Aires, capital da Argentina, envolvendo a partida final pela Taça Libertadores, entre dois times argentinos – Boca Juniors e River Plate – estão sendo utilizados como pretexto e argumento para que os mandatários da FIFA desistam da confirmação da tríplice candidatura sul-americana.

De acordo com o jornal As (diário esportivo espanhol) o presidente da entidade, o italiano Gianni Infantino, que estava na capital portenha para assistir à final, teria ficado “espantado” por ter “presenciado in loco os vexames do último final de semana em Buenos Aires, quando supostamente deveria ter sido disputada a final da Libertadores entre River Plate e Boca Juniors” (site ESPN, 27/11).

Ainda de acordo com o veículo espanhol, “Infantino retornou à Europa convicto que é “impossível” realizar a Copa do Mundo de 2030 em Argentina, Uruguai e Paraguai, “a não ser que muitas coisas mudem”. “A Fifa não levará o Mundial a um país onde não foi possível disputar o clássico porque nos arredores do estádio foram vistas cenas de violência irracional e impune contra jogadores, torcedores, crianças e famílias que se aproximavam pacificamente do estádio” (idem, 27/11).

O mesmo “espanto’ do cartola italiano, no entanto, não se manifesta ou se verifica quando os sucessivos escândalos revelados envolvendo a FIFA vieram à tona quando da gestão do suiço Joseph Blatter, afastado em 2015 da direção da entidade por envolvimento em corrupção. Infantino também não se mostrou “espantado” quando a entidade que dirige foi acusada de prevaricação em relação à conduta dos grandes grupos e corporações que financiam os gigantes do futebol mundial, particularmente os europeus.

O que fica claro é que a FIFA se coloca cada vez mais como inimiga do futebol fora do continente europeu. A tímida sinalização da possibilidade de uma tríplice candidatura sul-americana já sofreria – independente de qualquer fato ou pretexto – uma grande resistência e oposição por parte do grande capital, das corporações e dos grupos de investidores internacionais que lucram oceanos de dinheiro com o futebol, em particular nos gramados do velho continente.

Neste cenário, a FIFA e seus dirigentes vem se apresentando como um verdadeiro escritório de negócios a serviço dos grandes capitalistas que financiam e controlam o esporte mais popular do mundo.