De olho na grana, FIFA quer mundial interclubes com 24 participantes em 2021

infantino

Sempre disposta a esforços no sentido de viabilizar os interesses capitalistas no futebol, a FIFA está lançando mais uma cartada para levar adiante uma nova operação de grande envergadura envolvendo o esporte mais popular do mundo.

Desde que foi inaugurada a gestão liderada pelo suíço Joseph Blatter (1998-2015), a FIFA ampliou e intensificou seus múltiplos tentáculos para controlar e explorar, do ponto de vista dos negócios capitalistas, o futebol mundial, sempre em estreita conexão com os grupos e as corporações do grande capital ligadas ou não ao futebol.

Denunciado por “gestão danosa” e “apropriação indevida de fundos” Blatter foi afastado da entidade em 2015. Outros dirigentes da sua gestão e proximidade também tiveram o mesmo destino. Michel Platini, à época líder da UEFA e cotado para suceder Blatter na direção da FIFA, também foi implicado no processo, sob a acusação de ter recebido do suíço um pagamento ilegal.

Com o afastamento de Blatter, assumiu interinamente a presidência do organismo o suíço-italiano Gianni Infantino. Em fevereiro de 2016, Infantino foi eleito para presidir a entidade. Paralelamente, para o cargo de presidente da UEFA, foi eleito Aleksander Ceferin, esloveno que assumiu em setembro/2016. A UEFA é a toda poderosa entidade que tutela o futebol europeu, quase que rivalizando em importância com a entidade mundial.

Neste momento, está aberta entre a UEFA e a FIFA uma luta encarniçada em torno a interesses que não são outros senão como melhor se apropriar dos gigantescos recursos que são movimentados com as competições envolvendo os gigantes do futebol mundial, mas particularmente os milionários times europeus.

Gianni Infantino vem anunciando a disposição da FIFA em organizar um novo formato para a disputa do mundial de clubes, abandonando a velha fórmula da disputa em vigor atualmente. Embora não haja declarações criticando o modelo atual, é óbvio que a fórmula atualmente vigente é desinteressante e não atraente, considerando os interesses do grande capital e dos investidores capitalistas.

A FIFA está propondo que o novo mundial de clubes tenha 24 participantes, aumentando o número de equipes da Europa e da América do Sul. O novo modelo teria início a partir de 2021, às vésperas da realização da Copa do Mundo do Catar, em 2022. Com isso ficaria extinta a Copa das Confederações, realizada 1 (um) ano antes do evento mundial de seleções.

Está claro que o novo mundial interclubes é uma tentativa indisfarçável dos dirigentes da entidade maior do futebol de esvaziar outras competições, em particular a Champions League, que pelo seu peso e tradição, ocupa uma importância estratégia no cenário futebolístico mundial. Obviamente que o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin não viu com bons olhos a iniciativa da FIFA, entendendo tratar-se de um golpe da entidade mundial contra a prestigiada competição organizada pela entidade da qual é o dirigente maior, composta pelos principais times do velho continente.

Outra conclusão óbvia é que a investida da FIFA tem por objetivo estreitar e fortalecer os vínculos do futebol mundial com as grandes corporações capitalistas ao redor do mundo. Os grandes investidores capitalistas despejam oceanos de dinheiro nos eventos mundiais do futebol e é este o interesse dos cartolas da FIFA com o novo formato do mundial de clubes, onde participariam as grandes forças da Europa e da América do Sul, os dois continentes onde se localizam as grandes equipes do futebol mundial.

Fica cada vez mais evidente que a preocupação principal da FIFA não é com o futebol; sua arte, seu espetáculo, sua magia, mas única e tão somente em faturar política e economicamente explorando a grande paixão que o esporte mais popular do planeta desperta nas grandes massas populares ao redor do mundo.