O Caminho Para 2022
A burguesia move suas peças no tabuleiro e revela suas prioridades. É hora da esquerda contra-atacar

Por: Redação do Diário Causa Operária

As últimas revelações das conversas entre membros da operação Lava-Jato obtidas pelo hacker Walter Delgatti Neto fizeram ruir os últimos pilares de sustentação moral, deste que é considerado o maior escândalo político da história nacional. Os diálogos conspiratórios comprometem de forma inequívoca todo o conjunto de instituições do regime político como o Poder Judiciário, Polícia Federal, os principais partidos políticos, a imprensa e as forças armadas. Diante deste colapso a burguesia golpista se organiza para mais uma vez intervir nos destinos do país. Podemos inferir os rumos das estratégias da elite burguesa pelos movimentos de seus principais representantes, neste momento FHC e Ciro Gomes.

O que disse Ciro?

Em entrevista à Folha de São Paulo no último sábado (02/03), Ciro Gomes se despiu de vez de sua fantasia de esquerda, fantasia que adotou em 2017 com a finalidade de dividir os votos do PT, permitindo a eleição de Bolsonaro. Ciro, que se referia de forma dura aos partidos de direita como plutocratas, agora declara nutrir uma forte simpatia pelos mesmos, e afirmou está “intensificando uma aproximação” com estes, com a finalidade de derrotar o PT em 2022. Em suas própria palavras, o cameleônico político cearense afirmou: “quem for contra o Bolsonaro no segundo turno tem tendência de ganhar a eleição. O menos capaz disso é o PT. Por isso, a minha tarefa é necessariamente derrotar o PT no primeiro turno”

O que falou FHC?

Outro político burguês que busca demarcar sua posição na atual conjuntura é o tucano Fernando Henrique Cardoso. Também em entrevista à Folha de São Paulo nessa sexta (05/03), FHC declarou ter sentido um “certo mal-estar em não ter votado em alguém contra”, referindo-se a Bolsonaro. Na tentativa de se limpar da responsabilidade que teve na eleição do agora inimigo público número um, Bolsonaro, FHC chegou a admitir poder votar inclusive no PT em 2022. Para FHC, que afirmou ter votado nulo, a eleição do PT em 2018 lhe despertava o temor de que “houvesse uma crise muito grande financeira e econômica e rachasse ainda mais o país”, resta saber se o cenário imaginado pelo tucano seria ainda pior do que o Brasil de 2021, provavelmente não.

O que deseja a burguesia?

Os movimentos de Ciro e FHC expressam a visão da burguesia de que é preciso restabelecer bases para o regime político nacional. Estas bases precisam ser revestidas de uma aparência legal e democrática, sem as quais não se desfará a polarização política advinda do golpe de 2016 que coloca as massas populares perigosamente à esquerda, uma ameça intolerável para a burguesia brasileira e para o imperialismo internacional. Ao mesmo tempo, coloca-se como tarefa prioritária afastar a todo custo, qualquer possibilidade de acensão da esquerda, mesmo que seja apenas uma esquerda nacionalista e moderadamente reformista como é o PT.

O que houve com a frente ampla?

A dupla tarefa de superar a extrema direita e a esquerda nacionalista era a missão da frente ampla, uma coalizão de partidos de direita, chamados de “Centrão”, com partidos de esquerda pequeno-burguês como PSOL e PCdoB, que dariam a frente uma aparência de esquerda. Esta via política foi completamente desmoralizada com a eleição das presidências da Câmara e do Senado, quando o centrão rapidamente se vendeu a Bolsonaro, traindo os aliados de esquerda. No entanto, o verdadeiro empecilho ao avanço da frente ampla é a figura do ex-presidente Lula, que impede a adesão da ala direita do PT à frente, sobretudo agora que a conspiração da Lava-Jato foi completamente exposta, o que fortaleceu a posição de Lula como liderança popular.

O caminho para 2022

A burguesia tem uma tarefa cada vez mais difícil, sobretudo com o aprofundamento da crise econômica e social, cada vez pior em função da falência do capitalismo internacional e agravado pela pandemia de corona vírus. Sua prioridade para 2022 é sem dúvida impedir que o PT chegue ao governo federal. A tarefa secundária, mas igualmente urgente é reconstruir um regime político estável e de aparência palatável, o que não é possível com Bolsonaro. A análise das posições de Ciro e FHC, duas engrenagens importantes da política burguesa, demostram as preocupações acima mencionadas e devem ser levadas em conta pela esquerda para elaboração de uma política capaz de contrapor os objetivos dos golpistas.

A completa exposição dos diálogos criminosos de Dalagnol, Moro e seus asseclas devem ser exaustivamente explorados pela esquerda, que deve estabelecer como prioridade a luta pelos direitos políticos de Lula, pela anulação completa da Lava-Jato, contra Bolsonaro e sua política de morte ao povo brasileiro. Para isso é preciso traçar uma linha divisória com os golpistas e colocar no lado antagônico figuras que hoje buscam se tingir com as cores do anti-bolsonarismo como FHC, Ciro Gomes, Alexandre Frota, Joice Hasselmann, Reinaldo Azevedo, rede Globo e muitos outros. Outra prioridade igualmente importante é incluir o povo na luta, que deve ser travada nas ruas, bem longe do campo viciado das instituições golpistas.

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