Extrema direita
Se já chegamos ao ponto de vermos eventos como bandas de música para cantar o nazifascismo, o que falta para a esquerda acreditar que estamos diante de uma ameaça real?
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Montagem de foto sobre bandas nazifascistas. |

Um festival de bandas de música que exaltam o nazismo com apresentação marcada para domingo(5), em Canoas/RS, foi cancelado, tendo sido o evento reduzido a uma encontro privado a ser realizado na casa do produtor das bandas.

A apologia ao nazismo de membros das bandas e de organizadores do festival foi exposta e denunciada por uma pessoa, que divulgou várias fotos e vídeos onde eles aparecem com armas, ameaçando esquerdistas e comunistas, fazendo gestos de saudação nazista.

O que é mais intrigante nessa notícia, é o fato de já se ouvir falar em bandas exaltando o nazifascismo e festivais que organizam eventos como esse, o que, claramente, demonstra o aumento da extrema-direita e de sua ideologia. Mas, diante dessa e outras notícias do gênero que temos visto, é angustiante saber que a esquerda não enxerga o crescimento desse movimento preocupante, e que, a pretexto de defender as instituições democráticas e a própria polícia, vive fantasias e ilusões que a desorientam todos os seus militantes.

Cabe aqui, por oportuno, lembrar Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO – Partido da Causa Operária, cuja avaliação sobre isso divulgada no programa Análise Política da Semana, se pronunciou exatamente sobre esses eventos nazifascistas, e avaliou como a esquerda tem dado uma demonstração gigantesca de completa desorientação política.

Inclusive, o motivo que suscitou o debate no sábado (28/12/2019) com Rui, foi o ataque ocorrido nos dias anteriores, que um grupo integralista teria feito à produtora do programa humorístico Porta dos Fundos, segundo o noticiou a imprensa, com arremesso de coquetel molotov contra as janela da sede da empresa.

Além disso, Rui também comentou as várias colocações absurdas feitas pela esquerda sobre o ocorrido, que, entre outras coisas discutiu se deveria acusar o integralismo como causador do transtorno sob a alegação de falta de provas, e se isso não era dar importância demasiada ao integralismo, um movimento insignificante, segundo avaliaram equivocadamente essas outras pessoas.

Em seus comentários, Rui lembrou que muitos reagem dizendo que grupos como os integralistas não são nada, são meia dúzia de gatos pingados! E que, a mesma reação tiveram quando falaram do Bolsonaro, da intervenção militar, e também durante toda a campanha do golpe de Estado. Disseram sempre: são meia dúzia de gatos pingados! E que, agora, essa meia dúzia de gatos pingados tomaram conta no governo.

Rui afirma categoricamente, que, com esse pano de fundo, a esquerda não poderia fazer uma propaganda mais idiota. Uma pesquisa, continuou ele, mostrando que no Brasil existem mais de 400 células nazistas, corrobora com o fato de que é uma forma equivocada de análise entender que os integralistas não representam nada. Isso porque, se imaginarmos que cada célula dessa é composta por, pelo menos, 3 membros, chegaríamos, só aí, ao número de 1200 pessoas. E, se considerarmos que a esse número devêssemos somar a maior parte da polícia, e que certamente é fascista ( a PM é uma organização, que educa e seleciona pessoas, praticando constantemente a atividade de matar gente na rua, fazendo, inclusive, disso tudo, uma mentalidade, uma ideologia perigosa) e que ela representa algo em torno de 500 ou 700 mil pessoas, então, chegaríamos a um número estimado e perto de um milhão de pessoas. E isso sem contar o número de nazifascistas dentro das forças armadas, onde muitos já assim se declaram abertamente.

Então, diante de um universo de pessoas desse quantitativo, que certamente chega a um milhão de pessoas, quando se subestima o grupo integralista achando que não representa perigo por ser pequeno, não se avalia direito o problema e se evita uma análise mais realista, ao passo que, seguindo esse raciocínio, fica patente estarmos diante de uma ameaça real, da qual não podemos nos esconder!

Ainda com o Rui, e sobre a análise do comportamento da esquerda, diante desse quadro em que, a cada dia que passa, ganha a extrema-direita mais forma e consistência, ficamos surpreso por ver que a maior parte da esquerda defende a palavra de ordem que é a polícia que tem que investigar e reprimir o grupo integralista. O que é um contrassenso da esquerda, já que a polícia, que é uma parte do aparato repressivo do Estado, que está totalmente ligada a esses integralistas, que apoia essa política, que é composta de direitistas, não pode ter a obrigação de proteger a esquerda da extrema-direita, e nem muito menos a esquerda esperar uma coisa dessas?!

E não só isso. Rui também lembrou que é um erro acreditar nas Instituições como órgãos defensores dos direitos humanos, da democracia, e da justiça, por exemplo. Porque as instituições são manipuladas pelos grupos dirigentes responsáveis pelo regime político e econômico, e, no Brasil, esse grupo é a extrema-direita. E isso já está mais do que claro, não só pela condução do judiciário, cujo esforço tem se mostrado no sentido de criminalizar os movimento sociais e a esquerda, como pela crescente impunidade contra àqueles que matam os trabalhadores do campo e na periferia urbana.

O pior de tudo é que, na insistência de salvaguardar as instituições, a esquerda começou uma campanha para igualar os nazifascistas aos terroristas, o que, irremediavelmente, a coloca ao lado da direita, que também tem uma campanha contra o terrorismo, aliás uma campanha internacional que todo mundo sabe que é dirigida pelos norte-americanos, e que tem motivado o enquadramento das organizações e movimentos sociais como organizações terroristas, e não pela atividade que desempenham, que nada tem a haver com qualquer tipo de violência, como, por exemplo, é o caso do MST, e que ocupam terras improdutivas, ou do MTST, que ocupam prédios abandonados.

Então, o que nós estamos vendo, e esse é um acontecimento muito grave e relevante que merece toda a nossa atenção, destacou Rui, é que, ao invés de se discutir uma organização própria contra o crescente ataque da extrema-direita, a esquerda, com a palavra de ordem de campanha contra o terrorismo; com a utilização da Lei anti-terrorista; e com a ideia de valorizar a polícia contra os “terroristas”, caminha a passos apressados para um esmagamento total.

Enquanto a esquerda não discute uma organização para a sua defesa, a extrema-direita cresce, se organiza, inclusive com suas bandas de música, criando uma cultura que dia-a-dia dissemina sua ideologia de forma cada vez mais aberta e escancarada.

Nossa saída são os comitês de lutas, e os cursos sobre o fascismo, e, de igual forma, a criação de uma cultura geral esclarecida de luta destemida e com muita disposição contra o crescimento da extrema-direita, com uma política bem orientada pelo fora Bolsonaro, uma palavra de ordem que objetiva o ataque à origem do problema no âmbito nacional, e ao imperialismo no Brasil.

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