Festival Lula Livre: mais um grande ato político contra o governo
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Festival Lula Livre: mais um grande ato político contra o governo
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Como 80 mil pessoas reunidas no centro de São Paulo junto com artistas da envergadura de Arnaldo Antunes, Chico César, Fernanda Takai, Zeca Baleiro, Emicida, Criolo e Odair José cantando e gritando “Lula Livre”, empunhando faixas e cartazes somem do nada?

Se o seu parente coxinha ficou sintonizado na imprensa burguesa desde o último domingo, só ouvindo rádio e vendo televisão, lendo os jornais golpistas ou mesmo surfando na internet em blogs e sítios da direita, tudo isso que está nas fotos aqui foi escondido dele. Você precisa ajudá-lo a sair dessa alienação: mostre para ele como foi o Festival Lula Livre na Praça da República no dia 2 de junho, que começou no início da tarde e entrou pela noite.

Foram 30 espetáculos naquele palco, debaixo de chuva, e o povão lá firme, cantando e dançando, até o Suplicy, beirando os 80, contagiou com sua empolgação. Além dos músicos já citados, também foram voluntários e fizeram sua parte no ato: Rael, Baiana System, Aíla, Dead Fish, Filipe Catto, Mombojó, Otto, Thaíde, Junu, Everson Pessoa, Unidos do Swing, Francisco El Hombre, Slam das Minas, Bia Ferreira, Doralyce Soledad, Lirinha, Ilú Oba de Min, André Frateschi e banda, Márcia Castro, Isaar, Junio Barreto, MC Poneis, Tulipa, Chico Chico e Duda Brack, Mistura Popular, Triz, Anelis Assumpção e Drik Barbosa.

Todos os artistas gravaram vídeos com mensagens pela liberdade do Lula e em defesa da democracia, que têm sido espalhados pelas redes sociais, mas, de novo, talvez não cheguem no seu parente coxinha. Ajude ele a ser menos ignorante.

Lula também esteve presente.

Representado pelo seu neto, Thiago Trindade Lula da Silva, que leu no palco uma carta enviada pelo avô para o público presente:

02 de junho de 2019

Agradeço de coração a cada uma e a cada um de vocês, artistas e público, que nesse 2 de junho fazem da praça da República a Praça da Democracia. Embora tenha o nome de “Festival Lula Livre”, sei que esse é muito mais que um ato de solidariedade a um preso político. O que vocês exigem é muito mais que a liberdade do Lula. É a liberdade de um povo que não aceita mais ser prisioneiro do ódio, da ganância e do obscurantismo.

Esse ato é na verdade um grito de liberdade que estava preso em nossas gargantas. Mais que um grito, um canto de liberdade. O canto dos trabalhadores que não aceitam mais o desemprego e a perda de seus direitos. O cantos dos estudantes, que não aceitam nenhum retrocesso na educação. O canto das mulheres, que não aceitam abrir mão de nenhuma conquista histórica. O canto da juventude, que não aceita que lhe roubem os sonhos, e da juventude negra em particular, que não aceita mais ser exterminada. O canto dos que ousam sonhar, e transformam sonhos em realidade.

Boa parte de vocês que aí estão, artistas e público, felizmente não viveram os horrores da ditadura civil e militar instalada em 1964, essa que alguns querem implantar de novo no Brasil. Foi um tempo em que a luta contra a censura podia ser traduzida em canções que diziam assim: “Você corta um verso, eu escrevo outro”.

Foi com muita luta que conseguimos acabar com a censura neste país. E não vamos aceitar essa outra forma de censura, que é a tentativa de acabar com as fontes de financiamento da arte e da cultura. Que não vamos aceitar a tentativa de censurar o pensamento crítico, estrangulando as universidades.

Se eles arrancam nossas faixas, nós escrevemos e botamos outras no lugar. E vamos continuar ocupando as ruas em defesa da educação, da saúde, públicas e de qualidade; das oportunidades para todas e todos; contra todas as formas de desigualdade e de retrocesso.

Nossos adversários querem mais armas e menos livros, menos música, menos dança, menos teatro e menos cinema. E nós insistimos em ler, escrever, cantar e dançar, insistimos em ir ao teatro e fazer cinema.

Nada mais perigoso para nossos adversários que um povo que canta e é feliz. Que faz da arte e da cultura instrumentos de resistência. Vamos então à luta, sem medo de sermos felizes, com a certeza que o amor sempre vence.

Um abraço, com muita saudade e a vontade imensa de estar aí,

Lula

Esse ato do último domingo mostra mais uma vez a tendência popular de lutar contra o governo Bolsonaro, e exigir a liberdade de luta é uma pauta mobilizadora em oposição a esse governo. Foi mais uma vitória da mobilização popular. Veja as fotos e vídeos.