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Novas categorias em greve.
Ferroviários, petroleiros e até bailarinas em greve na França
Bailarinos, músicos e técnicos da área cultural se somam às outras categorias mobilizadas contra a agenda neoliberal do governo francês que tenta impor a reforma previdenciária. na
opera greve
Novas categorias em greve.
Ferroviários, petroleiros e até bailarinas em greve na França
Bailarinos, músicos e técnicos da área cultural se somam às outras categorias mobilizadas contra a agenda neoliberal do governo francês que tenta impor a reforma previdenciária. na
Sinfônica, corpo de balé, e técnicos da Ópera de Paris, participam da greve com um espetáculo de rua
opera greve
Sinfônica, corpo de balé, e técnicos da Ópera de Paris, participam da greve com um espetáculo de rua

Na véspera do Natal, na terça-feira (24), o corpo de dança, a orquestra e técnicos da Ópera de Paris, resolveram protestar mostrando o que fazem de melhor: oferecendo um espetáculo, em plena rua.

Como os ferroviários, petroleiros e várias outras categorias na França, a Ópera de Paris também está em greve a 15 dias, com uma paralisação que resultou em uma perda de € 8 milhões para a instituição: foram cancelados 45 espetáculos desde 5 de dezembro. Inédita a mobilização, também contra o projeto de reforma da Previdência, bailarinos, técnicos e músicos do Ópera e da Comédie Française, as únicas instituições culturais afetadas pelos planos da reforma, também apoiam a luta contra a previsão de uniformização da situação de todos os trabalhadores, acabando com os 42 regimes especiais e passando de 62 anos para 64 anos a idade mínima para a aposentadoria, que, apesar da idade considerada precoce para a aposentadoria, os artistas justificam que a carreira para eles, começa muito cedo e exige uma rígida disciplina já desde o início.

Em uma entrevista dada a um jornal local, uma jovem bailarina conta um pouco da rigorosa rotina que segue desde criança para chegar ao nível exigido pela instituição. “Comecei a escola de dança aos oito anos. Deixei minha família e tive que adaptar meu percurso escolar. Com cinco horas de dança por dia, aos 17, 18 anos, enfrentamos lesões crônicas, tendinites, fraturas devido ao cansaço, dores… Somos vários a não conseguir nem mesmo terminar o Ensino Médio”, diz. Ela também afirmou, que, todo o conjunto de trabalhadores da Ópera, pode ser prejudicado pelo projeto de reforma da Previdência. “É nossa arte que está em perigo”, salientou.

Como se pode ver, a intenção do governo é extinguir o atual sistema de aposentadoria, o qual permite que determinadas categorias se aposentem mais cedo, em troca de um sistema por pontos, que não é outra coisa senão dificultar o acesso dos trabalhadores ao direito de se aposentar.

Com seu projeto de reforma da previdência, o governo Macron, ligado aos setores centrais do imperialismo, quer impor um verdadeiro roubo das aposentadorias dos trabalhadores franceses.

A classe trabalhadora francesa continua mobilizada, tendo, inclusive, novas manifestações marcadas para o dia 28 de dezembro e um ato nacional convocado para o dia 9 de janeiro, demonstrando sua decisão de não recuar diante das pressões contra a reforma da previdência.
No dia 24 de dezembro, as linhas de metrô ficaram paralisadas em Paris, e a rede ferroviária, apenas 40% dos trens de alta velocidade circularam.

Mas o movimento, em suas reivindicações, ainda apresenta um caráter, dado pelas suas direções, predominantemente econômico. E, para que a greve tenha o efeito esperado, e supere a investida do imperialismo na tentativa de assaltar a classe trabalhadora francesa com essa reforma, precisa que a mobilização adquira um caráter político e coloque em pauta o Fora Macron! Só com essa palavra de ordem, o movimento ganhará força e consciência necessária para subjugar o governo neoliberal de Macron e reverter a iniciativa da reforma no parlamento.

O governo neoliberal de Macron, como em todo o mundo, é uma necessidade do imperialismo de superar a crise de desde 2008, se acirrou por todos os lados. Além da reforma da previdência, o regime político neoliberal francês também precisaria se impor e outras frentes e impor uma derrota ainda maior à classe trabalhadora francesa, numa luta, que está longe de terminar,muito pelo contrário. A exemplo do que já se viu no Brasil, o ataque na França só não é maior porque a classe trabalhadora francesa, muito mais preparada, já está nas ruas desde outubro de 2018, com os coletes amarelo.

Agora, diante das crescentes protestos na América do Sul, a França, o país europeu que tem tido mais manifestações de massa, pode abrir o ano de 2020 aprofundando ainda mais o caos para o regime burguês, e contagiar a classe trabalhadora em toda a Europa, já bastante expoliada e sacrificada pela exploração do capital.