Clube-empresa
Grupo de investidores, liderado por herdeiro das Casas Bahia e por agente ligado ao futebol europeu, está prestes a assumir o controle da Ferroviária de Araraquara
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Camisa grená da Ferroviária (Foto: Divulgação/AFE) |

Depois do Bragantino, que neste ano foi adquirido pelo monopólio de bebidas energéticas Red Bull e passará a se chamar Red Bull Bragantino no próximo ano, agora é a vez da Ferroviária, de Araraquara, entrar na mira dos capitalistas sedentos por lucro.

É verdade que o clube, desde 2003, já se encontra sob os moldes do clube-empresa, mas, agora, a iminente investida capitalista ameaça elevar o controle da agremiação pelos empresários a um novo patamar.

O herdeiro das Casas Bahia

Nos últimos dias, correu a notícia de que um grupo de investidores estaria disposto a adquirir 50% das ações da Ferroviária Futebol S/A, que administra o futebol da Associação Ferroviária de Esportes, o que lhe permitiria assumir o controle do time de Araraquara. A imprensa burguesa revelou então que, à frente do grupo, estaria Saul Klein, herdeiro das Casas Bahia, rede varejista de móveis e eletrodomésticos.

Klein não é uma figura nova no mundo do futebol. É bastante conhecido como o “mecenas” do São Caetano e, antes de fincar posição na Ferroviária, procurou outros clubes do interior de Sao Paulo para novos investimentos. Santo André e Comercial de Ribeirão Preto estiveram no radar do capitalista, mas, segundo informa a imprensa capitalista, a boa e estável situação financeira do clube de Araraquara seduziu o empresário.

A compra do clube pelo grupo capitalista já está praticamente fechada, mas o negócio só deve ser concluído formalmente no próximo dia 19, quando haverá uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do clube que, na próxima temporada, disputará a primeira divisão do Campeonato Paulista e o Campeonato Brasileiro da Série D, além da possibilidade de participar da Copa do Brasil.

Megaempresário de atletas nas divisões de base

O herdeiro das Casas Bahia, no entanto, não atuará sozinho nessa empreitada. Ao lado dele, estará um dos maiores mercadores de jogadores da atualidade, o empresário de atletas Giuliano Bertolucci.

Preposto comercial de Kia Joorabchian, milionário de origem anglo-iraniano que chegou a investir no Corinthians através da MSI nos anos 2000, Bertolucci é um dos agentes mais conhecidos no meio do futebol. Entre seus clientes estão os meio-campistas Philipe Coutinho e Oscar, os zagueiros Marquinhos e David Luiz, o atacante David Neres e uma infinidades de outros atletas de renome mundial

Enquanto Klein se concentrará no time principal, Bertolucci terá suas atenções voltadas para as categorias de base do clube. De maneira cínica, os monopólios de comunicação da burguesa afirmam que ele cuidará do “processo de formação dos jogadores do clube”, o que, traduzido termos realistas, significa que o comerciante de atletas terá à sua inteira disposição a totalidade dos jovens atletas das divisões de base da Ferroviária para negociar e vender — em especial, para os europeus.

Abaixo o clube-empresa!

A “empresarização” dos clubes brasileiros é uma tendência que se acentuou radicalmente a partir do golpe imperialista de 2016. Trata-se de uma manifestação particular da ofensiva geral do capital monopolista estrangeiro, e seus aliados locais, sobre os países atrasados e oprimidos.

Quando um capitalista local e um intermediário comercial dos centros imperialistas europeus se juntam para controlar e dirigir um clube de futebol brasileiro, o resultado não pode ser outro que não a total subordinação da agremiação esportiva às necessidades de lucro dos grandes capitalistas.

Antecipando-se às justas preocupações dos torcedores do time grená, a imprensa chegou a noticiar que, nas negociações, a administração atual do clube e os futuros controladores inseriram uma cláusula contratual pela qual ficaria impossibilitada a retirada do clube da cidade de Araraquara. Mas, aqui, não sejamos ingênuos: se tal cláusula realmente existir e não for mera fumaça jogada pelos órgãos de imprensa da burguesia, ela não passa de letra morta; se os capitalistas entenderam que é mais lucrativo sair de Araraquara, eles assim o farão; se os capitalistas entenderem que é mais lucrativo mudar a cor tradicional da camisa do clube, eles assim o farão; se entenderem que é melhor para negócios mudar o distintivo do clube, eles assim o farão; se entenderem que é necessário mudar o nome do clube para torná-lo mais rentável, eles não hesitarão em fazê-lo; se for preciso aumentar os preços dos ingressos no estádio para aumentar as receitas do clube, não há dúvida de que assim o farão.

Concretizando-se o negócio, toda a vida do clube passa a estar nas mãos desses sanguessugas capitalistas. Com isso, a própria existência da Ferroviária enquanto tal, enquanto associação esportiva e cultural, com sua história, suas tradições, sua torcida, corre o risco de ser extinta pelos imperativos do capital.

É preciso combater frontalmente a ofensiva capitalista sobre os clubes e o futebol brasileiro em geral. Os clubes e federações de futebol devem ser controlados pelos verdadeiros interessados no futebol, isto é, pelo povo pobre e trabalhador, pelos próprios torcedores, em particular os torcedores organizados, e não pelas empresas capitalistas, nacionais ou estrangeiras, para quem o futebol não é mais que um negócio lucrativo a ser explorado.

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