Fernando Haddad: “Espero que Bolsonaro chegue a 2022”

Provocações

Terça-feira (11) a TV Cultura levou ao ar uma entrevista com Fernando Haddad, candidato presidencial do PT em 2018. Durante a entrevista, feita por Marcelo Tas, o apresentador perguntou a Haddad se ele achava que Jair Bolsonaro chegaria em 2022, ou seja, se o golpista completaria seu mandato conseguido nas eleições fraudulentas do ano passado. Haddad não respondeu com uma opinião sobre o que ele acha que pode acontecer, contestando a pergunta com a expressão de um desejo: “eu espero que sim”.

No momento em que Bolsonaro é abertamente contestado pelas multidões nas ruas, como aconteceu nos dias 15 e 30 de maio, Haddad torce para que ele consiga terminar seu mandato. É a repetição do episódio do “sucesso e boa sorte”, desejados a Bolsonaro pelo candidato petista no Twitter no dia seguinte às eleições fraudulentas do ano passado

Nos dois casos, há uma política clara nessas declarações: reconhecer a legitimidade do mandato de Bolsonaro. Como se não tivesse havido um golpe de Estado em 2016, como se as eleições tivessem transcorrido normalmente. Na declaração mais recente, a afirmação também significa opor-se ao clamor popular que se adensa a cada dia nas praças e grandes avenidas do país: Fora Bolsonaro! Haddad foi explícito quanto a isso na continuação da entrevista: “não cometeu crime de responsabilidade, que termine o mandato”.

Esperar a destruição do Brasil

Ou seja, já que Bolsonaro teria sido eleito, o povo teria que suportar a destruição do País para respeitar o resultado das urnas. Essa posição seria, segundo esse argumento, democrática. No entanto, trata-se de uma concepção de “democracia” que passa por cima da vontade popular. Bolsonaro está destruindo o país, com diferentes ataques aos trabalhadores todos os dias, e o País inteiro estaria obrigado a assistir à destruição até 2022, para então tentar fazer alguma coisa, caso ainda exista o que salvar até lá.

Polarização

Haddad também assinalou que o problema da eleição de Bolsonaro, para ele, é que isso “aguçaria as contradições”. Segundo o ex-prefeito de São Paulo, depois das eleições a polarização deveria ter diminuído, mas em vez disso aumentou. Essas considerações são coerentes com as afirmações examinadas acima. Mostram a intenção de apaziguar a polarização no país e de empurrar as disputas políticas para o “centro”. Isso combina com a política da ala direita do PT de procurar se adaptar ao bolsonarismo e de lançar uma frente ampla com o PSDB.

Fora Bolsonaro!

Essa política proposta por Haddad é um perigo para o movimento popular e para os trabalhadores. Bolsonaro propõe uma reforma da Previdência e cortes na educação, e está longe de parar por aí. Só neste semana, exonerou todos os peritos responsáveis por fiscalizar e impedir a tortura no país, e suspendeu 90% das normas de segurança no trabalho. É uma política extremamente destrutiva que precisa ser combatida já, especialmente diante do fato de que o momento é favorável. O governo está em crise e as mobilizações estão crescendo. É preciso aproveitar a oportunidade, e não procurar atenuar as contradições.