Caso Robinho
Ministra fascista do governo Bolsonaro saiu em defesa da prisão do ex-jogador

Por: Redação do Diário Causa Operária

Os acontecimentos recentes em torno do jogador Robinho, do Santos Futebol Clube, abriram uma nova oportunidade de a esquerda pequeno-burguesa revelar plenamente todo o seu conteúdo histérico e reacionário. Com efeito, inúmeras figuras e ativistas das redes sociais vieram a público exigir a demissão do jogador de futebol pelo fato de ter sido condenado em primeira instância por um suposto crime cometido na Itália. Agora, o caráter fascista deste tipo de campanha já mostrou sua cara: a ministra Damares Alves, fascista e inimiga das mulheres, está pedindo ativamente a demissão e prisão imediata de Robinho.

Disse Damares:

“Cadeia imediatamente, não tenho outra palavra para falar. Ainda cabe recurso, mas o vazamento dos áudios, gente. Querem mais o que? Cadeia. Nenhum estuprador pode ser aplaudido. O cara quer voltar para o campo para posar como herói”.

A declaração da ministra não deveria causar surpresa alguma. Afinal, não é a extrema-direita que vem fazendo a campanha de que “bandido bom é bandido morto”? Não foi o fascista Sérgio Moro quem idealizou o “Pacote Anticrime”? E, principalmente, não era a extrema-direita a base militante de todo o movimento fraudulento que levou à prisão do ex-presidente Lula? Sendo assim, Damares Alves apenas está fazendo jus à trajetória carniceira de seu campo político.

Mas e a esquerda, o que teria a ganhar com esse tipo de campanha? Absolutamente coisa alguma. Foi exatamente esse tipo de campanha que permitiu que o governo de Dilma Rousseff fosse derrubado e que o caminho para a fraude eleitoral de 2018 fosse pavimentado. Esse clima hipócrita, moralista e carniceiro somente contribui para o estabelecimento de um Estado policial, que tem na repressão e na punição o seu único método para resolver os conflitos sociais. E como o Estado é controlado pelos golpistas, a violência do Estado se voltará única e exclusivamente contra os trabalhadores e a esquerda.

Via de regra, qualquer campanha empreendida pela burguesia recebe o apoio dos setores mais direitistas da esquerda pequeno-burguesa. A Lava Jato foi um claro exemplo disso. E para isso acontecer, basta que a direita jogue uma “isca” de demagogia, que consegue arrastar uma quantidade inimaginável de charlatões pretensamente progressistas. E em certos casos, até mesmo depois de a “isca” sumir completamente, a esquerda pequeno-burguesa, pelo seu próprio caráter pequeno-burguês, não consegue romper com a política da burguesia. Novamente, recorremos ao caso da Lava Jato como prova.

A “defesa da mulher” é uma das mais podres e mais comuns “iscas” jogadas pela classe dominante. No futebol, por exemplo, esse expediente já foi utilizado incontáveis vezes. É o caso, por exemplo, de Neymar, melhor jogador do mundo e vítima de uma intensa perseguição do imperialismo. Para tentar desestabilizar o jogador, que acabou se machucando na Copa América, a burguesia fez uma campanha monumental para dizer que o jogador teria estuprada uma mulher. O crime não foi comprovado até hoje. O goleiro Bruno, que se tornou conhecido no Corinthians e no Flamengo, também é perseguido em todos os lugares que vá. Mais recentemente, foi hostilizado no Acre. O motivo? O jogador foi condenado por ter assassinado a mãe de seu filho, embora ele se diga inocente.

Se de fato o que está em jogo é a “defesa da mulher”, é preciso perguntar: por que Damares Alves se colocou no meio da campanha? A mesma ministra, há poucos meses, interveio diretamente para tentar impedir que uma criança estuprada tivesse seu direito ao aborto legal concedido. Damares Alves incentivou que fascistas fossem até o hospital onde a criança estava internada para tentar intimidá-la e obrigá-la a permanecer com o fruto de seu estupro.

O aparecimento de Damares Alves na campanha derruba, de uma vez por todas, o argumento de que pedir a prisão e a demissão de Robinho seria algo progressista. A posição da esquerda e de quem defende os interesses da mulher não pode ser outro a não ser o da defesa plena dos direitos democráticos. Vale lembrar, inclusive, que Robinho ainda será condenado em duas instâncias e está sendo julgado pelo mesmo tribunal fascista que condenou Cesare Battisti à tortura. A campanha pela prisão do jogador somente fortalecerá a extrema-direita fascista, inimiga número um dos oprimidos.

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