A real emancipação feminina
A FMC ensina o caminho para a verdadeira emancipação das mulheres trabalhadoras, que possibilitou a participação efetiva das mulheres em todas as instâncias da Economia cubana
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Bandeira da Federação das Mulheres Cubanas. Foto: Site Cuba em debate |

Em 2020 Cuba comemora 60 anos da criação da Federação das Mulheres Cubanas, organização criada por Fidel Castro em conjunto com as mulheres que atuaram na revolução cubana. A entidade teve e tem papel fundamental na emancipação da mulher cubana, contando atualmente com 4 milhões e 300 mil participantes , número expressivo considerando-se que Cuba possui uma população de 10 milhões de habitantes.

A revolução cubana contou com a participação importante de personalidades femininas, e nas comemorações do aniversário da criação da FMC , será realizado o X Congresso da FMC em 8 de março, o qual prestará homenagem às revolucionárias e às personagens responsáveis pela criação e desenvolvimento da Fundação responsável pela emancipação feminina em Cuba e sua contribuição no triunfo da revolução.

Além das homenagens aos 90 anos do nascimento de Vilma Espín Guillois, a presidente emérita da fundação e principal dirigente do movimento 26 de julho. Serão rememorados os eventos históricos protagonizados pela organização, ratificando que a união das mulheres e homens cubanos foi e é a arma mais importante que garantiu a vitória do povo cubano contra o imperialismo.

Cuba é um exemplo para o mundo por diversos motivos. No caso da participação feminina, destaca-se que a presença de mulheres em cargos de decisão no Estado e governo , representam 51,5% . No ramo científico, as mulheres ocupam 60% da força de trabalho, sendo maioria na Educação, Saúde e nas áreas de desenvolvimento de tecnologias. Cuba também destaca-se por ter a 2ª maior participação feminina no parlamento no mundo. Dos 605 representantes na Assembleia Nacional do Poder Popular, 322 são mulheres, representando 53,22%.

Esta situação decorre fundamentalmente pela organização das mulheres propiciada pela FMC e seu papel no verdadeiro empoderamento feminino, eliminando as desigualdades entre elas próprias e dando condições para que estas pudessem de fato assumir papéis importantes em suas comunidades.

A Federação das Mulheres Cubanas tem suas raízes na ativa participação destas na derrubada de Fulgêncio Batista, tanto na figura de Vilma Espín Guillois, quanto de outras mulheres que atuaram diretamente no exército rebelde na Sierra Maestra.

“A partir do ano de 1959, quando triunfa a revolução, muda a situação de Cuba, e muda a situação das mulheres”, afirma Elpidea Moreno Hernandez , uma das dirigentes da FMC.  A partir da revolução e do papel da mulher na própria revolução, surgiu a necessidade de unificação da militância feminina, então em 23 de agosto de 1960, surge a federação em ato presidido por Fidel Castro. Na continuidade, junta-se a Coluna Feminina Agrária , as Brigadas Femininas Revolucionárias, as seções femininas do 26 de Julho e dos sindicatos. A Federação das mulheres Cubanas passa a ser então a entidade que até hoje organiza e prepara as mulheres cubanas para o trabalho, dentro das necessidades comunitárias.

A FMC teve papel fundamental na erradicação do analfabetismo em 1961, quando as mulheres após alfabetizadas, participavam de brigadas alfabetizadoras pelo interior do país. As desigualdades antes existentes foram erradicadas pela atuação da Federação junto ao governo. Em 1961 foi criada a Escola Ana Betancourt para camponesas. O projeto trazia as mulheres do meio rural para a capital, ensinando-as corte e costura para que tivessem renda e um ofício. Ao voltar para suas comunidades tinham a missão de repassar seu conhecimento para mais dez mulheres.

“As mulheres, antes do triunfo da revolução, não tinham emprego, tinham que se prostituir para poder viver, e havia muitas mulheres analfabetas. O triunfo da revolução nos deu direitos de saúde e educação gratuita”, relata Moreno. Uma das missões da FMC era erradicar a desigualdade entre as próprias mulheres sem o que não teríamos hoje os dados de participação feminina que temos. “Em Cuba, não há diferença entre a mulher do campo e a mulher da cidade. Todas temos os mesmos direitos”, explica Elpídia Moreno.

Em 1962, surgem os Círculos Infantis, instituições de cuidados das crianças durante o dia, para que as mulheres pudessem trabalhar. Este tipo de instituição são semelhantes às creches, sendo fundamental para a libertação feminina do aprisionamento ao lar decorrente da necessidade do cuidado da família e da casa. A Possibilidade de trabalhar sem a preocupação com os filhos, possibilitou tanto a contribuição na economia familiar, como também a sua participação social e crescimento através das relações firmadas fora do ambiente doméstico.

Organizações como a FMC são um modelo a ser seguido e implementado no Brasil para que se possa falar em emancipação e participação feminina. A exemplo da federação temos o coletivo de mulheres do PCO, que busca discutir e organizar meios para a independência feminina, especialmente na população mais pobre que é a que verdadeiramente sofre, seja com o aprisionamento da mulher ao lar pelo cuidado com os filhos (impedindo o trabalho), seja pela ausência de formação profissional que possibilite a sua libertação.

Assim como a FMC foi construída pelas mulheres revolucionárias a partir das suas necessidades e das necessidades pós-revolução, o fortalecimento dos coletivos e de outras entidades é fundamental para a preparação de uma nova condição feminina dentro da sociedade atual, embora seja claro que a libertação da mulher só será plena através de mudanças fundamentais possíveis somente fora do capitalismo, que escraviza e aprisiona o povo como um todo. Apoiar e seguir o exemplo das mulheres cubanas é um dos passos necessários para a construção de uma relação de real igualdade entre as pessoas, na construção do socialismo, único regime possível para a libertação de toda a classe trabalhadora.

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