Fazer do Congresso do Povo uma ferramenta de mobilização pela liberdade de Lula e contra o golpe

Em quase todo o País estão se realizando etapas regionais (nas grandes cidades) e municipais do Congresso do Povo Brasileiro, cuja fase nacional, a ser realizada em um grande estádio de futebol, está prevista para acontecer em agosto, o que deve ser definido em reunião nacional da Frente Brasil Popular (FBP), que organiza o encontro, ainda neste mês.

Independentemente das limitações política e organizativas em que se iniciou a preparação do Congresso, uma vez que parte dos integrantes da Frente vê o evento como uma espécie de congresso estudantil, de caráter propagandístico e não como uma verdadeira assembléia popular para deliberar sobre a luta dos explorados em meio a uma situação que é, de longe, a mais grave do País, das últimas décadas; este fórum se reveste da maior importância e deve ser usado pelo ativismo classista e de luta de todo o País como um dos espaços fundamentais para lutar por uma perspectiva de classe diante do avanço do golpe de Estado que está promovendo o maior retrocesso político e econômico do País de todos os tempos.

A preparação do Congresso se dá em meio ao agravamento da situação com a prisão política e inconstitucional do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal liderança popular do País e líder absoluto nas pesquisas eleitorais. Sua prisão e cassação de seus direitos políticos mais do que um problema eleitoral significa um aprofundamento do golpe.

Diante dessa situação, alguns setores da esquerda – justamente a ala mais vacilante da luta contra o golpe, bem como setores que buscaram dividir o movimento criando uma outra frente (a Frente Povo Sem Medo) que tinha como prioridade “a luta contra os ajustes da Dilma” e não a luta contra o golpe, que se opunha à participação dos partidos de esquerda (assimilando a máxima da direita do ” sem partido”) ou ainda setores que apoiaram o golpe –  procuram ter diante dessa situação uma clara posição de conciliação e entendimento com os golpistas (defendendo uma aliança com o “todos” os setores da esquerda, inclusive os golpistas do PDT, Solidariedade, PSB etc.), semeando ilusões na Justiça ou nas eleições golpistas que a direita busca realizar, sem a participação de Lula e sob o controle da imprensa e judiciários golpistas.

Os encontros que preparam a realização do Congresso do Povo devem rejeitar esta política dos que querem impor ao movimento um “plano B” e se pronunciar claramente em favor de uma ampla mobilização em defesa da liberdade de Lula, em apoio à sua candidatura presidencial (única da esquerda capaz de disputar com condições reais de ganhar do poderoso esquema fraudulento que a direita esta montando).

Uma tarefa central é multiplicar a criação dos Comitês de Luta voltados não para a discussão abstrata tão cara à esquerda pequeno burguesa, mas para a organização da mobilização necessária para fazer retroceder o golpe, derrotar as “reformas” de Temer e CIa., anular o impeachment e abrir caminho para um vitória dos explorados e de suas organizações de luta.

A política de “frente ampla”, entendida como uma aliança com setores que participaram do golpe e estão profundamente comprometidos com seu avanço, como é o caso do PSB – que apoiou Aécio Neves, votou no impeachment fraudulento de Dilma e tinha – até pouco – como pré-candidato o condutor do julgamento fraudulento do mensalão; ou de Ciro Gomes (ex-Arena, PDS, PMDM, PSDB, PSDB, PPS, PROS…. e hoje, no PDT) que também deu votos para o impeachment e votou unanimemente pela intervenção militar no Rio de Janeiro.

Na luta contra o golpe, a unidade que soma e acrescenta é a dos movimentos de luta dos trabalhadores da cidade e do campo, dos que lutaram e lutam contra o golpe, dos que não se posicionam como abutres para disputar prestígio segurando “a alça do caixão de Lula” (como se referiu o próprio ex-presidente).

É para as ruas e não para as urnas (controladas pela direita) que o Congresso do Povo deve apontar.

Nos encontros é preciso também debater o chamado do PCO e dos Comitês de Luta contra o Golpe à realização de uma Conferência Nacional Aberta de Luta contra o Golpe para impulsionar essa perspectiva de luta operária e popular contra os golpistas e não de conciliação com eles.