Fascistas na UFF

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Ontem, 27/04, ocorreram situações bastante graves, nas dependências da UFF do Gragoatá. Um grupo ligado aos Bolsonaro, liderado por Sara Winter, e o grupo MCU – Movimento Cristão Universitário (não se trata de um grupo cristão, obviamente, como se pode notar nas páginas dela e desse movimento) iam realizar um evento na universidade: um professor do Departamento de História da referida universidade convidou a Sara Winter para dar uma palestra intitulada “O Design de Deus para a Mulher”, cujo conteúdo principal, como de hábito dessa moça e seu grupo, é ridicularizar e falar mentiras contra movimentos de minorias e, principalmente, contra a universidade pública. A Sara Winter, bem como a família Bolsonaro, são financiados pelo Instituto Millenium, um instituto neoliberal. Essa relação é, a cada momento, mais escancarada. Jair Bolsonaro, ao final do ano passado, disse que o seu Ministro da Fazenda seria o neoliberal Paulo Guedes. Com uma breve pesquisa, é possível ver que o Paulo Guedes é o presidente e um dos idealizadores do citado instituto neoliberal.


Alunos do ICHF – Instituto de Ciências Humanas e Filosofia – fizeram piquete na entrada do bloco P, onde a Sara daria sua suposta palestra religiosa, a fim de impedir a realização do evento. Essa reação dos alunos da universidade é compreensível, dado que o MCU, a Sara e o seu grupo promovem graves difamações a respeito do caráter dos estudantes, professores e funcionários em geral das universidades públicas brasileiras. No entanto, é óbvio que o que ela e o seu grupo, bem como o MCU, fazem é uma armadilha, na qual os mais leigos caem. Ela e o seu pessoal é como um time catimbeiro, que irrita o adversário, que, se não souber lidar com a situação, vai tomar cartão vermelho. Eles costumam fazer suas mazelas da forma mais escondida possível, seja das câmeras, seja através de um discurso de que esses neoliberais-conservadores são supostamente vitimados. Não sou contra atos de repúdio ao que ela, seu grupo e o MCU defendem. Porém, é necessário pensar em formas de atos de repúdio que não se encaixe ou que se encaixe cada vez menos no discurso que eles querem promover. É óbvio que ela não foi à UFF para dar palestra, pois o seu grupo portava armas brancas (cacetete, soco inglês, taser e spray de pimenta). É muito claro que essa gente não foi à universidade com a finalidade de palestrar, mas de causar tumulto, para, assim, ficar ainda mais fácil mentir, difamar a universidade pública, seus alunos, funcionários e professores, para, então, propor a solução deles: privatizar as universidades públicas. Foram logo ao ICHF, onde se encontram as pessoas que mais conhecem a Sara e pessoas do campo ideológico dela: isso é mais um indício do que essa gente foi fazer na universidade. As páginas do MCU, da Sara e da família Bolsonaro fazem propaganda das privatizações. Aliás, isso coloca a família Bolsonaro e seus adeptos, não como fascistas, mas sim, representantes do liberalismo-conservador brasileiro ou, se preferirem, do neoliberalismo-conservador brasileiro.


Retornando aos fatos de ontem, vale observar que, enquanto o pessoal da Sara e do MCU estava dentro do bloco O, para onde foram após serem impedidos de entrarem no bloco P, eu, Filipe Monteiro Morgado, e os demais que estavam do lado de fora ouvimos barulhos que coisas sendo quebradas dentro do bloco O. Caso surjam imagens de coisas quebradas por vândalos, é importante que saibamos que quem quebrou não foram os manifestantes contrários a esses neoliberais-conservadores e sim eles mesmos, para, então, poderem mentir ainda mais, dizendo que os alunos das universidades públicas são vândalos. Se há vândalos e pessoas violentas no ICHF, tenham certeza de que são uma minoria, que certamente é e será rechaçada. Mas, importa dizer que reagir a agressões com agressões não é ilegítimo, é defesa. Ademais, ser contrário a Sara e a sua ideologia não significa que as pessoas são violentas, pois elas não expressam sua contrariedade violentamente. Quem o faz são os do grupo da Winter e afins. Isso ficou muito claro, mais uma vez, quando usaram o spray de pimenta contra alunos do ICHF. Ficou também claro, quando a Sara e seu grupo estavam saindo do bloco O e, então, um trio de homens que estava infiltrado e incentivando os grupos contrários à Sara a brigarem com o grupo dela e até com a Polícia Federal, ao ser filmado e desmascarado como um trio intruso, tentou tomar o celular de um rapaz que filmou dos três, o rapaz conseguiu jogar o celular para um pouco logo e, então, deram socos no estudante da UFF, jogaram-no no chão e deram-lhe três chutes no rosto, deixando o rapaz desacordado por alguns segundos. Eu presenciei, de perto, essa ação. Inclusive, ajudei o rapaz a levantar-se, sentar-se e a encontrar o seu celular. Ao menos, o celular foi encontrado em estado normal, contento o rosto dos agressores. Em cerca de uma hora e meia de confusão, logo após o grupo da Sara e o MCU invadirem o bloco O, ela e o seu grupo foram a salas de aula, onde estavam sendo realizadas aulas normais, tentaram entrar nessas salas, dizendo que estavam filmando todos ali presentes, o que era mentira, mas fizeram para provocar os professores e estudantes. Uma aluna ficou passando mal, pois ela sofre de pânico e ficou com um medo extremado de ser perseguida pelos grupos que a filmaram. Eu, que já passei por problemas psicológicos muito semelhantes, junto à professora e amigas dela, tentei acalmá-la, tentando lembrar a ela dos procedimentos que ajudam a diminuir os sintomas extremamente desagradáveis do ataque de pânico. Diversas outras situações de violência e de desrespeito foram promovidas pela Sara Winter, seu grupo e o MCU.


Por fim, acredito que a UFF deveria tomar atitudes que inibam esse tipo de ação que agride, física e moralmente, as universidades públicas (vitimando, dessa vez, a própria UFF), seu corpo docente, discente e de funcionários. A direção do ICHF, que, diga-se de passagem, considero muito e que julgo ter tomado as atitudes necessárias que estavam ao seu alcance, deveria, também, formalizar algum processo contra os baderneiros da Sara Winter, do MCU e afins. Deve-se, também, impedir que, especificamente, o MCU e grupos apoiadores continuem reunindo-se nas dependências da Universidade Federal Fluminense, pois o que promoveram ontem foi uma situação em que violências foram cometidas contra estudantes da universidade (quando digo “violência”, eu me refiro ao sentido mais amplo dessa palavra, pois difamações foram feitas, xingamentos foram feitos, agressões físicas foram realizadas por parte do grupo dela e do MCU). É extremamente repudiável que esses grupos continuem a fazer suas reuniões e atos dentro das universidades. Danem-se os que disserem que isso é impedir a democracia. Danem-se, pois, ou são “burros”, ou são de extrema má-fé. O que é antidemocrático é impedir que pessoas tenham acesso à educação, impedimento que se dá quando não se tem um sistema público de educação. O que é antidemocrático é ir portando armas brancas para dentro de uma universidade. O que é antidemocrático é ser neoliberal-conservador, atacar minorias e querer dar para pequenos grupos o que é público. Repito: a Universidade Federal Fluminense deve reagir, obviamente, da forma mais inteligente possível, mas também com rigor contra esses grupos violentos que estão assolando a universidade e colocando em risco o patrimônio público, os seus alunos, os seus professores e o seu corpo de funcionários. (Texto de Filipe Morgado, mestrando em Filosofia da Universidade Federal Fluminense)