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Luta da mulher
Farsa do empoderamento: produção de pesquisa entre mulheres cai
O empoderamento é a fragilidade das políticas de soluções individuais para a questão da mulher e os “avanços” alcançados são superficiais
8 m
Luta da mulher
Farsa do empoderamento: produção de pesquisa entre mulheres cai
O empoderamento é a fragilidade das políticas de soluções individuais para a questão da mulher e os “avanços” alcançados são superficiais
Operárias abrem a revolução de 1917 no dia internacional da mulher trabalhadora. Foto: Reprodução
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Operárias abrem a revolução de 1917 no dia internacional da mulher trabalhadora. Foto: Reprodução
Em meio à pandemia do novo coronavírus pesquisadores no mundo todo têm observado que a produção científica feminina despencou, enquanto a produção dos homens para o setor aumentou. O portal de publicações acadêmicas de universidades e faculdades A Inside Higher Ed, constatou a mesma tendência : a produção de artigos científicos para o portal cresceu mas a participação das mulheres caiu. No seu departamento de estudos políticos comparados, bastante ativo diante dos desdobramentos da crise do vírus, teve aumento de 25% com elaboração exclusivamente de homens.
O que isto reafirma é que as mulheres são de fato uns dos setores da sociedade mais duramente atingidos pelo cenário da pandemia, mesmo as mulheres que em tese teriam uma melhor posição social, as chamadas empoderadas pelo feminismo Girl power, como é o caso das pesquisadoras acadêmicas se comparadas às operárias ou donas de casa, por exemplo. Isto serve ainda para demonstrar a fragilidade destas políticas de soluções individuais para a questão da mulher e como os “avanços” alcançados nesta esfera são superficiais para as reivindicações das mulheres como um todo.
A queda da produção científica pelas mulheres ao mesmo tempo em que acontece uma crescente na produção cientifica como um todo é um reflexo das mazelas que o capitalismo impõe às mulheres e que com a crise capitalista agravada pelo coronavírus se intensifica. Quanto mais o capitalismo afunda mais esmada o povo para se salvar, têm como alvo a classe trabalhadora, cuja exploração garante suas riquezas , e outras camadas da população que dentro do capitalismo são ainda mais vulneráveis, como as mulheres e os negros, isto muito antes do coronavírus.
O coronavírus instaurou uma situação especialmente grave no mundo todo, possui um alto potencial de contágio e de morte, só no Brasil são mais de 260 mil contaminados e quase 18 mil mortos. Assim sendo, para que a população não seja dizimada o enfrentamento ao vírus exige esforços aos quais a burguesia e o estado comandado por ela não querem dispor, seu o único objetivo é se salvar, e não importa se para isso milhares de pessoas morrerem. É por esta razão que o governo injetou mais de um trilhão de reais para resguardar os bancos enquanto a população mal recebe um auxilio menor que o salário mínimo.
A pretexto de conter a disseminação do vírus utiliza o isolamento social sem nenhuma outra medida, não testa a população, não fornece mascaras e álcool em gel, não distribui remédios, não constrói hospitais, não desinfecta os bairros,etc. Seus esforços ao contrario, se dirigem a perseguir e restringir os direitos das pessoas com o aparato policial, para  massacrar a classe trabalhadora que não pode sair de casa a não ser que seja para o trabalho.
Os problemas decorrentes dessas políticas genocidas adotadas pela burguesia, por consequência vão recair muito duramente sob as mulheres, a quarentena como medida isolada fez com que o número de homicídio de mulheres subisse, só em São Paulo o aumento foi de mais de 40%; os direitos trabalhistas quanto à gestação estão sendo destruídos e é jogado sobre as mulheres a intensificação do trabalho doméstico. Especialmente no cuidado com os filhos, que têm sido a principal razão para as pesquisadoras terem uma queda no seu trabalho acadêmico mesmo que este possa ser feito em casa, apenas 5% das que são mãe têm conseguido manter sua produtividade durante a quarentena.
Estas mulheres que antes eram empoderadas por possuírem um trabalho melhor remunerado, que se valiam de babás ou creches para cuidar dos filhos, viu em poucos meses as supostas conquistas do seu empoderamento ruírem. Isto na verdade se deve porque estas conquistas não são reais. O significado de empoderar é dar ou conceder poder para uma pessoa ou um grupo, ou seja, não se tratam de fato de conquistas das mulheres, mas da concessão que a burguesia fez para mulheres de determinados grupos sociais, visto que por exemplo, a grande maioria das operárias ainda estão presas ao trabalho doméstico; e portanto a burguesia pode tomar de acordo com sua conveniência.
As verdadeiras conquistas femininas não podem vigorar se vierem individualmente, por algumas mulheres enquanto a maioria esmagadora das mulheres é explorada e trucidada pelos capitalistas. Da mesma forma dentro da sociedade capitalista as reivindicações das mulheres serão sequer ouvidas, é só com a derrubada da burguesia que isto pode acontecer, por isso é inevitável que as mulheres se unam à classe trabalhadora para destruir o capitalismo que os explora e implantação de um governo operário, único momento em que os direitos das mulheres foram assegurados.
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