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Abandonadas à própria sorte, mais de 50 famílias de sem-teto permanecem morando em barracas no Largo do Paissandu, região central de São Paulo, cidade mais rica do país.

São pessoas que perderam seus lares devido ao incêndio e ao desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no dia 1º de maio, cujas causas ainda são desconhecidas.

Os 12 banheiros químicos colocados no local estão disponíveis apenas para o uso de bombeiros e oficiais que trabalham nos escombros, obrigando as vítimas da tragédia a recorrerem a bares, restaurantes e outros prédios ocupados da redondeza para satisfazer suas necessidades básicas.

Muitas mães deixaram de trabalhar e encontram dificuldades até para dormir, com medo de que algo ruim aconteça com seus filhos. Em alguns casos, famílias inteiras têm apenas um colchão para dormir.

A própria prefeitura reconhece que o lugar apresenta condições insalubres para viver, devido à fumaça tóxica que exala e a sujeira que se acumula na praça, mas a solução oferecida pelo Poder Público é direcionar as famílias a abrigos ou pagar, em casos específicos, um auxílio-aluguel de R$ 400,00 mensais pelo período de um ano.

Muitos moradores recusaram as propostas, pois entendem que não conseguirão alugar nada com o valor oferecido. Além disso, sentem que, se saírem dali, seguirão esquecidos, sem moradia digna.

Diante da resistência, a prefeitura resolveu acionar o Ministério Público para tomar as providências cabíveis, visando à retirada das pessoas do local por meio de ordem judicial.

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