Família Safra obteve mais de 50 mil hectares de terras griladas de áreas indígenas com apoio dos genocidas da ditadura militar

alx_safra-20150326-14_original-e1471371125797

Como é sabido, o período em que o Brasil esteve sob ditadura militar (1964-1985) foi marcado por grilagens de terras indígenas, favorecendo famílias de grandes banqueiros, como é o caso de Joseph Safra, atualmente o homem mais rico do país. No processo de obtenção de sua fortuna, Safra contou com grande ajuda dos militares. Em 1967, obteve 50 mil hectares de terras na Bacia do Araguaia, no Mato Grosso, em região de ocupação tradicional do povo Xavante.

Atualmente as terras do banqueiro estão em nome de duas empresas do grupo Safra, a Pastoril Agropecuária Couto Magalhães S.A., com sede no Mato Grosso, e a Agropecuária Potrillo S.A., localizada em São Paulo. Em 2012, uma de suas terras, a Fazenda Suiá Missu, foi devolvida à tribo Xavante, após ordem judicial. Atualmente o Ministério Público Federal pede uma indenização de R$130 milhões a eles.

Outra de suas posses é a Fazenda Campo Alegre, em Água Boa, que foi concedida a Joseph em 26 de setembro de 1967, um ano antes do AI-5 (dezembro de 1968), que foi um dos marcos do endurecimento do regime. A Guerrilha do Araguaia, massacrada pelo regime militar em 1972, começou exatamente em 1967, mas ao norte das terras dos banqueiros Safra, no sudeste do Pará.

Em 2000 foi divulgado um relatório, oriundo do Instituto Sócio Ambiental, que trata sobre a região das nascentes do Xingu (o que inclui o município de Água Boa). No laudo, a Agropecuária Couto Magalhães é mencionada, juntamente a Agropecuária Suiá Missu, como empresas que obtiveram incentivos fiscais da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), criada em 1966, no governo de Castelo Branco. O mesmo documento aponta, ainda, que a concentração fundiária na região dos formadores do Xingu ocorreu por intermédio da grilagem de terras originalmente indígenas.

O grupo Safra, em 2017, entrou em acordo com a empresa brasileira Cutrale (gigante do setor de cítricos) e adquiriu por US$ 1,3 bi a empresa de bananas Chiquita Brands, originalmente registrada pela United Fruit Company, dos Estados Unidos, em 1947. Vale lembrar que a United Fruit Company participou ativamente da derrubada de democracias na América Latina. Um bom exemplo foi o massacre das Bananeiras, em 1928, quando mil grevistas foram metralhados por militares no município de Aracataca, em defesa da United Fruit.

Em 1969 a United Fruit foi comprada pela Zapata Corporation, mudando, assim, seu nome para Chiquita Brands. Em 2007 a empresa foi a julgamento nos Estados Unidos, pois sua subsidiária colombiana financiou (com US$25 milhões) grupos paramilitares responsáveis pelo massacre de camponeses, em áreas de plantação de bananas. O grupo teve de pagar US$ 1,7 milhão ao Departamento de Justiça.

Nas últimas semanas, a família Safra voltou à imprensa, após a doação de R$88 milhões, realizada por Lilly Safra, viúva de Edmond Safra, para a reconstrução da Catedral de Notre Dame, em Paris. A família possui uma falsa tradição em investimentos que define como filantrópicos. Sua fortuna, como é possível perceber, foi construída com base no roubo de terras e bens, em especial de comunidades indígenas. É preciso, nesse sentido, que ocorra a expropriação imediata de terras, não apenas da família Safra, como de todos os latifundiários.