Família negra metralhada “por engano” no Rio de Janeiro: extrema-direita incentiva o terror contra a população pobre

morte familia

Nove militares do exército alvejaram família “por engano” com 80 tiros nesse sábado (6), matando Evaldo Rosa dos Santos na frente da mulher e do filho. Isso deixa claro que matar negros e pobres é ação cotidiana para os militares que intensificam seu teor fascistoide ao passo em que o regime golpista se recrudesce. A tendência a fascistização do governo, pois, com Jair Bolsonaro na presidência, Sérgio Moro no superministério da Justiça e Segurança e Witzel no governo do Rio de Janeiro ganha forma na ação dos órgãos de repressão do Estado. Muito além da demagogia de “combate ao crime”, o cerne da ação militar é a repressão contra a população executada a partir do assassinato e do terrorismo.  

“Eles riram. Chamei eles de assassinos e eles riram. Debocharam. Essas pessoas têm que pagar, principalmente pelo deboche. Eles debocharam o tempo todo. Vocês não sabem o que estou sentindo, não desejo isso para ninguém”, disse Luciana Oliveira, viúva de Evaldo.

As filmagens divulgadas pelas testemunhas mostram a truculência dos militares que chegaram atirando na família sem aviso prévio, enquanto os supostos “perseguidos” se escondiam logo ao lado.

“Já era, mataram família, cara. Ai, olha o cara parado aqui. Pegaram os caras errados, os dois já foram, cara”, diz a testemunha que filmou o tiroteio.

Se estavam matando o suposto “criminoso” ou se estão matando uma família negra, para os militares, foi o mesmo. A pena de morte arbitrada pelos representantes do Estado burguês, o qual representam, não se distingue pelos artigos da lei criminal. Quem determina o critério da morte são os interesses escusos de uma classe dominante em crise e desesperada por escravizar ainda mais a população pobre. Nesse sentido, portanto, “justifica-se” a ação terrorista, o assassinato exemplar, a aterrorizar todo o restante dos trabalhadores em situação semelhante a de Evaldo. Dessa forma, delimitam-se claramente os campos de luta, determinando uma necessidade fundamental a parcela dos explorados: se organizarem para lutar e combater a altura a classe que os assassina e explora, combater o golpe e derrubar Bolsonaro.