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Campo de concentração em POA
Falência do sistema prisional: quase 100 presos vivem a céu aberto
São noventa e cinco presos, algemados a dezoito viaturas em céu aberto, que estão passando por isso. Nesse campo de concentração, existem aqueles presos há dias ou até meses.
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Campo de concentração em POA
Falência do sistema prisional: quase 100 presos vivem a céu aberto
São noventa e cinco presos, algemados a dezoito viaturas em céu aberto, que estão passando por isso. Nesse campo de concentração, existem aqueles presos há dias ou até meses.
Presos algemados nas viaturas. Foto: Ronaldo Bernardi. Agência RBS
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Presos algemados nas viaturas. Foto: Ronaldo Bernardi. Agência RBS

Entre muros, dentro de um pátio mal cuidado, na capital do Rio Grande do Sul, encontram-se um amontoado de corpos vivos, presos na forma mais sub-humana possível, em uma situação, como relatam aqueles que são obrigados a viver ali, que está abaixo do tratamento dado aos animais.

São 95 presos, algemados a 18 viaturas em céu aberto, que estão passando por isso. O número é variável, hora surgem mais presos, hora alguns conseguem ir para o inferno dos presídios brasileiros.

O dia a dia daqueles que vivem algemados às viaturas vem do mesmo tratamento dado aos escravos do século XIX. Suas necessidades básicas como alimentação, período para dormir e higiene pessoal são completamente substituídos por uma pura improvisação, onde os presos, algemados 24 horas por dia, acabam tendo que fazer suas necessidades ali mesmo, em copos plástico, garrafas e embalagens. Algo que, como já era de se esperar, levou alguns a terem sérios problemas de saúde, enquanto outros por enquanto temem não conseguir sobreviver por mais tempo.

Nesse campo de concentração, existem aqueles que estão presentes há cerca de dois dias, e aqueles que já chegam a somar um mês nestas condições. Quem está preso na parte interior dos carros passam seus dias e suas noites apenas sentados, já outros precisam viver no lado de fora, no fundo do camburão, onde nesta situação, chega a ser considerado uma “progressão” para os presos.

Ao observar-se o local vemos um amontado de gente. Pessoas que são obrigadas a dormir com os joelhos dobrados enquanto deitam sobre os pés de outros presos, uma série de colchões e garrafas de urinas, todas entre uma corrente que atravesse um único camburão com 12 pessoas algemadas.

Os presos já dizem que as terríveis penitenciárias parecem shopping center perto do que estão vivendo. Toda esta situação é ocasionada unicamente pela ação criminosa do Estado brasileiro, ainda mais após o golpe.

Com isso, temos uma realidade onde os aparatos de repressão esmagam a população pobre à revelia da constituição e de quaisquer diretos humanos existentes. As prisões brasileiras são verdadeiros campos de concentração, o inferno na terra. Uma máquina de moer gente pobre, que esmaga e põe em um estado de tortura dezenas de presos em uma única cela.

O caso de Porto Alegre é ainda mais alarmante, pois mostra que nunca podemos achar que a política de repressão do Estado não pode ser pior, tendo formado um campo de concentração ainda pior que o inferno, alcançando um nível que vimos apenas com os nazistas.

Quem está nesses locais é o povo pobre, trabalhador, esmagado pela sociedade em que vive, e muitas vezes preso sem sequer cometer crimes. No entanto, o Estado brasileiro em vez de resolver estes problemas adota uma política geral de massacre da população, e o povo pobre é posto as centenas de milhões nas cadeias brasileiras.

Para qualquer um que se diga de esquerda, minimamente democrático, não pode tolerar de forma alguma a ação dos órgãos de repressão. Se o Estado brasileiro não tem condições de comportar aqueles que estão presos é necessário que sejam todos soltos, garantindo-se o direito democrático de cada um. Dizer que a solução é aumentar o número de presídios é compactuar com o encarceramento em massa do povo brasileiro.