Aos 87 anos
O cantor faleceu de cancer aos 87 anos. Foi um dos principais nomes da primeira geração do rock’n’roll, de imensa influencia em todas as gerações posteriores.
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little richard cbs via getty images
Little Richard em 1971. Foto: CBS via Getty Images |

Um dos últimos grandes músicos da primeira geração do rock‘n’roll, Little Richard, morreu ontem, dia 9 de maio, aos 87 anos.

Little Richard, que nasceu com o nome de Richard Wayne Penniman, foi um dos arquitetos do rock, uma figura extremamente influente na cultura popular durante sete décadas. Sua música era uma mistura do gospel com o r&b vindo de New Orleans tocado num vigor inédito até então.

A sua morte foi confirmada pelo seu filho Danny Penniman à revista Rolling Stone. A causa da morte foi câncer nos ossos. Ele estava morando com seu irmão em Tullahoma, Tennessee.

Seu trabalho mais importante e influente foi nos anos 50, com uma série de singles inovadores e seus primeiros três LPs. Little Richard causou um enorme impacto com seu visual extravagante, bigode fino, topetão altíssimo, roupas brilhantes, maquiagem e trejeitos afetados, que complementavam suas performances frenéticas ao piano com uma voz ríspida e gritos que ninguém havia ouvido até então.

Algumas de suas músicas mais marcantes foram “Tutti Frutti”, “Long Tall Sally”, “Rip It Up”, “The Girl Can’t Help It”, “Good Golly Miss Molly” e “Keep A-Knockin’”, todas elas clássicos imortais do rock’n’roll. Sua influência é evidente em todas as gerações posteriores. Otis Redding e James Brown eram seus fãs. Outros que reconheceram sua influência foram Bob Seger, John Fogerty, Michael Jackson e os Beatles. Jimi Hendrix imitou muito da aparência visual de Little Richard, assim como Prince. Hendrix tocou na banda de Little Richard, o Upsetters, bem no início de sua carreira, entre 1964 e 1965. Alegadamente Little Richard despediu Hendrix porque não podia suportar alguém que chamasse tanta atenção quanto ele mesmo.

Com a morte de Little Richard já se foram quase todos os principais nomes do gênero como Chuck Berry, Fats Domino, Bo Diddley, Carl Perkins, Elvis Presley, Gene Vincent, Eddie Cochran, Johnny Cash, Roy Orbison e Buddy Holly. O grande nome remanescente é Jerry Lee Lewis, ainda firme aos 84 anos.

Primeiros anos

Richard Penniman nasceu em Macon, Georgia em 5 de dezembro de 1932. Foi o terceiro de doze filhos do casal Leva Mae e Charles “Bud” Penniman. O pai era um fabricante de bebida ilegal e dono de um clube noturno. Richard começou a cantar na igreja desde criança. Por complicações no parto ele nasceu com uma leve deformidade, que o deixou com uma perna mais curta que a outra. Isso fez com que ele andasse de uma maneira diferente e era gozado pelas outras crianças pelo seu jeito supostamente afeminado.

Quando cantava na igreja Richard tinha uma voz tão poderosa que uma vez as pessoas pediram que ele parasse de cantar. Nesta época seu gosto musical foi enriquecido por audições de cantores como Mahalia Jackson, Sister Rosetta Tharpe e Marion Williams. Seu gosto pelo gospel voltaria no fim dos anos 50.

Sua vocação para se tornar um músico profissional foi iniciada após abrir um show de Sister Rosetta Tharpe em 1947 e ganhar o seu primeiro cachê aos 14 anos de idade. Richard começou a tocar piano depois de ouvir a introdução da música “Rocket 88” de Ike Turner, de 1951, uma canção que muitos consideram a primeira canção rock’n’roll.

Foi nessa época também que Little Richard deixou sua casa. Seu pai, um homem religioso e intolerante, nunca escondeu seu desdém com os primeiros sinais da homossexualidade do filho. Logo ele foi acolhido por uma família branca que era dona de um clube em Macon onde começou a tocar e refinar suas performances.

Em 1951 conseguiu o seu primeiro contrato, com a gravadora RCA. Entre 1951 e 1956 ele lançou seis singles, pelas gravadora RCA e depois Peacock, mas nenhuma das músicas emplacou nas paradas de sucesso. Por esta época Richard ainda não tinha desenvolvido o estilo que o faria famoso. Amargou a pobreza, tendo que se virar lavando pratos em uma parada de ônibus em Macon.

A-wop-bop-a-loo-bop-a-wop-bam-boom!

A mudança na sorte de Little Richard veio em 1955 quando foi contratado pela gravadora Specialty. A música que trouxe o sucesso para Richard foi “Tutti Frutti”, uma canção que ele já havia composto há muitos anos e que havia sido polida em inúmeras apresentações. Finalmente nessa música toda a fúria e anarquia de suas apresentações ao vivo pode ser capturada em um disco. O produtor Robert Blackwell sabia que tinha um hit em mãos, mas se preocupou com as letras, que demonstravam um caráter homossexual:

“Tutti Frutti, good booty
If it’s tight, it’s all right
And if it’s greasy, it makes it easy”

Essas letras tiveram que ser substituídas por

“Tutti Frutti, aw rooty
Tutti Frutti, aw rooty”

A música chegou ao 21º lugar da parada americana e introduziu muitos dos elementos que iriam caracterizar o rock e a música pop dos anos 50. Inicialmente uma mistura de boogie, gospel e blues, “Tutti Frutti” inaugurou a batida que caracterizaria o rock’n’roll. Foi depois regravada por Elvis e pelos Beatles, entre muitos outros.

Este sucesso foi seguido por outros clássicos: “Long Tall Sally”, “Slippin’ And Slidin”, “Rip It Up” e “The Girl Can’t Help It” (todas em 1956), “Lucille”, “Jenny, Jenny” e “Keep A-Knockin” (em 1957) e “Good Golly, Miss Molly” e “Baby Face” (em 1958). Seus primeiros tres LPs foram “Here’s Little Richard” (1957), “Little Richard” (1958) e “The Fabulous Little Richard” (1958). Ele apareceu em vários filmes como “Don’t Knock The Rock” (1956), “The Girl Can’t Help It” (1957) e “Mister Rock ‘n’ Roll” (1957), filmes que ajudam a solidificar a popularidade do rock em todo o mundo.

Logo após o lançamento de “Tutti Frutti” surgiu uma regravação da música pelo cantor branco Pat Boone. A versão de Boone eliminou todos os sinais de fúria da gravação de Richard. Era uma versão “limpa” para as plateias brancas. Fez um sucesso muito maior que a gravação original. O próprio Little Richard sabia que a indústria fazia estas coisas porque eles não queriam uma estrela negra. Quando lançou seu single “Long Tall Sally” Richard cantou a música de maneira acelerada, garantindo que Pat Boone não conseguiria imitá-lo. Pat regravou também “Long Tall Sally”, mas desta vez ficou evidente que mesmo as plateias brancas preferiam o produto original.

Os shows de Little Richard, como a maioria dos shows de rock’n’roll desta época tinham plateias mistas e integradas, algo que contrastava com shows de outros estilos, que tinha uma divisão muito clara entre domínios para brancos e para negros. Grupos supremacistas brancos faziam campanha contra o rock’n’roll dizendo que esta música unia as raças.

A cada dia Richard se superava em termos de roupas, começando a usar capas brilhantes e ternos com pedras preciosas. Segundo ele sua aparência ficava cada vez mais extravagante para que ninguém dissesse que ele estava de olho nas garotas brancas.

Mudança para a música gospel

Em 1958 Richard experimentou uma turbulenta viagem de avião, de Melbourne para Sydney. Ele disse ter visto as turbinas pegando fogo e anjos descendo do céu para segurar o avião. O cantor fez uma promessa a Deus: se conseguisse se safar dessa abandonaria a música do diabo e seu estilo de vida profano. Foi exatamente o que fez: foi estudar a Bíblia e chegou a se tornar ministro, alem de começar a gravar discos de gospel. Um de seus discos desse período se chama “The King Of The Gospel Singers”.

Foi um choque para os fãs e também para a indústria fonográfica. Com isso a parte mais importante da carreira artística de Richard se encerrou.

Voltou ao rock em 1962. Por esta época seu prestígio continuava em alta, sendo regularmente citado e regravado pela nova geração de rockers como os Rolling Stones, Beatles e Kinks. Nesse ano ele tocou no Star-Club em Hamburgo, Alemanha e a banda que abria seus shows eram os Beatles. Richard ensinou a banda como tocar suas músicas e mostrou a Paul McCartney como fazer as suas peculiares vocalizações. Em 1964 os Beatles lançaram uma espetacular versão de “Long Tall Sally” com Paul McCartney fazendo a voz principal.

Isso fez com que Little Richard voltasse a todo vapor ao rock ‘n’ roll e à gravadora Specialty, lançando outro pequeno sucesso, “Bama Lama Bama Loo”. Ele continuou lançando vários bons discos no antigo estilo, mas por esta época o gosto popular já havia mudado e Richard nunca mais voltou às paradas de sucesso. Nos anos 70 se juntou a outros astros dos anos 70 fazendo shows do circuito de revival de rock ‘n’ roll como Chuck Berry, Bo Diddley e Jerry Lee Lewis.

Últimos Dias

Nos anos seguintes continuou se apresentando em shows e gravando discos esporádicos, alternando álbuns de gospel e de rock e muitas vezes regravando seus grandes sucessos dos anos 50.

Nos últimos anos Richard estava com sua saude debilitada. Em 2009 precisou de uma cirurgia nos quadris que o deixou na cadeira de rodas. Em 2013 teve um ataque cardíaco e no ano seguinte fez sua última apresentação ao vivo.

O falecimento de Richard foi lamentado por músicos em todo o mundo. Nomes como Brian Wilson dos Beach Boys, Jimmy Page (Led Zeppelin), Spike Lee, Mick Jagger e Ringo Starr postaram mensagens lamentando esta perda.

O rock depois de Little Richard nunca mais foi o mesmo. Ele era único e um dos verdadeiros reis negros do rock ‘n’ roll.

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