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O caso Bebianno explicitou a crise que é fruto das contradições do governo ilegítimo e fraudulento de Jair Bolsonaro.

A burguesia colocou o político de extrema-direita na Presidência não porque você a sua melhor opção, mas porque foi a alternativa que restou para derrubar o PT do governo.

Os bolsonaristas são o baixo clero da política nacional, que estão sendo utilizados, especialmente desde as eleições presidenciais, para atacar e perseguir a esquerda. Mas a burguesia os vê como dispensáveis por serem um tanto incômodos devido ao seu baixo desempenho em estabilizar a política de saque nacional.

O governo Bolsonaro é um governo improvisado e colocar as peças em seu lugar é uma tarefa complexa. Trava-se uma luta pelo controle político do governo pela direita tradicional.

É o que indicam os ataques ao baixo clero (PSL), que não tem condições de competir com o alto clero representado por DEM, MDB e PSDB, o “centrão” (que não se mostrou ideologicamente diferente dos bolsonaristas) que vai se apoderando do governo, aparentemente em uma coligação com os militares.

Esse “centrão” e os militares são muito mais profissionais no ramo institucional e político do que os bolsonaristas, que são amadores perto daqueles.

Não se trata de uma questão de vaidade as lutas travadas dentro do governo. Estão em jogo altíssimos interesses políticos e econômicos que tornam a situação bastante grave, com problemas que não se consegue controlar.

A burguesia precisa colocar em prática um plano econômico viável, de completa exploração dos trabalhadores, porque Bolsonaro ainda não colocou a economia no eixo desejado.

No entanto, não há interesse em sacar Bolsonaro do governo. A burguesia vê uma importância em mantê-lo na Presidência, uma vez que é o único elemento da direita que tem alguma base social.

Mesmo assim, essa pequena base social que demonstra apoio a Bolsonaro vem se esfacelando na medida em que cresce a tendência à mobilização da população, que não está disposta a engolir os ataques desferidos pelo governo de extrema-direita.

Já se iniciam diversos movimentos de contestação e enfrentamento às políticas da burguesia cujo governo Bolsonaro é um representante. No Brasil inteiro apresenta-se uma situação de agitação popular, ainda desorganizada, mas que indica a iminência de uma grande mobilização.

A CUT, o MST, os partidos de esquerda que querem realmente lutar contra o golpe, devem articular esse imenso potencial do movimento popular em direção a grandes mobilizações, protestos massivos, greves cada vez mais amplas. Tudo isso, no sentido da derrubada do governo Bolsonaro, mas não só, de todo o golpe de Estado em seu conjunto.

Porque a crise do governo não é ideológico, mas de funcionamento. O programa das diferentes alas da burguesia e da direita é o mesmo de Bolsonaro. Para colocar abaixo toda essa política, é necessário derrubar Bolsonaro, derrotar o golpe e libertar o ex-presidente Lula. Colocar um governo dos trabalhadores no lugar do governo dos patrões.

É preciso agitar em todos os lugares a palavra de ordem “Fora Bolsonaro!”

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