“Fake news”: a operação Lava Jato contra a imprensa de esquerda

O-Globo1

Recentemente vê-se muito na imprensa burguesa mundial uma vasta oferta de teses, artigos, colunas e reportagens acerca do fenômeno das “fake news”. Segundo uma variedade de autores, esta seria uma tendência de veículos de comunicação usarem a rapidez com que a informação se espalha na internet para plantar boatos e notícias falsas. O curioso é que toda essa campanha contra as “fake news” mira justamente na imprensa alternativa e de esquerda.

As redes sociais, como Facebook, Instagram e WhatsApp, são os principais alvos da campanha direitista. Vários projetos de lei estão em tramitação e existe a possibilidade concreta do conteúdo compartilhado nas redes sociais de qualquer cidadão brasileiro ser analisado por algum órgão do governo e, dependendo do que for concluído, resultar em penalidades para quem postar o conteúdo considerado falso.

O curioso é que a grande imprensa capitalista, que nunca cansou de espalhar mentiras e usa até hoje a sua máquina de informação para influenciar na vida política do país, sempre favorecendo o lado da burguesia imperialista, seria a “salvação”, ou um “oásis” no meio de um mar de boatos. Nada poderia ser mais falso.

Podemos lembrar da cobertura vergonhosa do golpe militar de 1964 promovida pela Globo, na qual o veículo procurou dizer que se tratava de uma “contra-revolução” de “forças democráticas”. No golpe de 2016 também houve um papel instrumental dessa imprensa venal para legitimar, aos olhos estarrecidos do povo trabalhador, o processo golpista que levou a classe-média fascista às ruas.

Apesar da abundância de exemplos, diários, de como a imprensa capitalista manipula o povo, não vemos nem a Globo, nem a Record, nem a Band, nem o SBT, nem o Estado de S. Paulo, nem a Folha de S. Paulo serem denunciados por “fake news”. Ou seja, trata-se claramente de uma campanha encabeçada pela direita mundial para sufocar a voz dos veículos de imprensa alternativos.

A esquerda não deve, mas muitas vezes cai nessa ladainha. Não se deve dar crédito nenhum a este tipo de campanha. Devemos fortalecer a imprensa alternativa e a imprensa operária para tentar, minimamente, fazer frente ao monopólio das “fake news” promovido pela imprensa capitalista, seja nos jornais, nas rádios, na televisão ou na internet.