Fascismo cresce na Europa
O desastre que significa o período Macron na França abre o caminho para que a extrema direita ganhe as eleições presidenciais no ano que vem
Marine_Le_Pen_Parlement_européen_Strasbourg_1er_juillet_2014
Marine Le Pen | Foto: Claude TRUONG-NGOC
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Marine Le Pen | Foto: Claude TRUONG-NGOC

As próximas eleições francesas, que ocorrerão em 2022, podem servir como um grande ensinamento sobre como a direita tradicional ou figuras como as do dito “centro”, que nada mais são do que a direita disfarçada, nada mais fazem do que preparar o terreno para que a extrema direita chegue ao governo.

A prova é que pesquisas eleitorais indicam que a França terá um segundo turno entre Emmanuel Macron, do partido Em Marcha!, e Marine Le Pen (Frente Nacional), com uma grande possibilidade de que a vitória caia nas mãos da política de extrema direita.

Marine Le Pen é filha do também político de extrema direita Jean-Marie Le Pen, que presidiu seu partido até 2011, sendo 5 vezes candidato a presidente da França e chegando ao segundo turno em 2002. Seguindo os passos do pai,  se tornou presidente do partido e concorreu duas vezes à presidência da França chegando ao segundo turno em 2017, justamente quando perdeu para Macron. Além disso, foi eurodeputada de 2004 a 2017 e agora é deputada da Assembleia Nacional Francesa.

Dentre aquilo que defende, Le Pen se destaca por ser acusada frequentemente de discursos antissemitas, além de pedir o retorno da pena de morte na França e de se colocar frontalmente contra a imigração no país.

O fato de que Le Pen tenha grandes chances de se tornar a próxima presidente da França se dá por conta da crise que se abriu no país com o governo neoliberal de Macron, principalmente durante a pandemia. O descontentamento foi grande contra o atual presidente, que enfrenta semanalmente o movimento dos Coletes Amarelos desde 2018, com pequenas interrupções e que viu grandes manifestações contra uma reforma da previdência no início de 2020, além de outras contra o racismo no país.

A resposta dada pelo governo contra as manifestações foi uma grande repressão policial. Durante a pandemia, inclusive, houve relatos de que nem mesmo era permitido se estender faixas contrárias ao presidente, isso dentro do pacote de medidas destinadas a combater o coronavírus.

Por falar na pandemia, a administração de Macron é um desastre para a população. O país de 67 milhões de habitantes permitiu que até agora 74.800 pessoas perdessem suas vidas para o vírus, com praticamente nenhuma resistência, a não ser as medidas de lockdown, que não surtiram efeito, mas que retiraram direitos individuais da população.

Mais recentemente, o presidente francês resolveu entrar de vez na onda do “antiterrorismo”, investindo duras leis contra a população árabe do país e fechando pelo menos nove mesquitas, ao mesmo tempo que visitava o Líbano para organizar um golpe de estado no país e fazer demagogia após a explosão do porto de Beirute.

Uma grande parcela da população francesa possui ascendência árabe e deve votar em Le Pen, apesar da retórica anti-imigrantes da candidata da extrema direita, por conta do que vem sendo feito na prática por Emmanuel Macron.

A burguesia começa a temer que a continuidade da administração de Macron, que foi um candidato improvisado de última hora, leve a França a uma convulsão social, causada pela política neoliberal do presidente francês. Por isso, a própria burguesia começa a pensar em colocar Le Pen na presidência.

Apesar disso, Le Pen não é a candidata principal da burguesia de seu país. A crise no imperialismo é tão grande que não é mais possível que a burguesia sobreviva com altos lucros, enquanto mantém amplos direitos aos trabalhadores. Por conta disso, o ideal para a burguesia seria alguém da direita tradicional, capaz de levar adiante a devastação dos direitos da população, como faz Macron.

Ao mesmo tempo, o país lida com uma inércia dos partidos de esquerda. Ao invés de procurar dar vazão aos anseios populares e organizar a luta dos trabalhadores, que saíram às ruas inúmeras vezes, como já dito anteriormente, a esquerda na França não realizou uma verdadeira oposição a Macron, nem mesmo levantou a bandeira de uma campanha em torno da derrubada do presidente por parte dos trabalhadores.

Assim como ocorreu no Brasil, quando a Greve dos Caminhoneiros de 2018 paralisou grande parte do país e se colocou contrária ao governo Temer, mas que foi tratada como uma mobilização de direita por ter alguns integrantes como eleitores de Bolsonaro, na França, uma parcela da esquerda se bastou a taxar os coletes-amarelos como sendo de extrema direita

É preciso que os trabalhadores da França e a esquerda se agrupem em uma frente única de luta contra a direita, seja ela a direita tradicional ou a extrema direita. Essa é a única maneira de se combater o fascismo, já que, pelo que vimos com a eleição de Macron, a direita tradicional só fortalece a extrema direita.

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