Extrema-direita e árbitro político: o que é a família real inglesa

150718141715_rei_jornal_439

Em julho de 2015, o tabloide The Sun publicou imagens da rainha Elizabeth 2ª, na época com seis ou sete anos, fazendo a saudação nazista com a família. O filme caseiro é de 1933, ano em que o ditador nazista, Adolf Hitler, chegou ao poder na Alemanha. Na sequência de 17 segundos, a futura rainha está nos jardins do castelo de Balmoral, residência real onde se refugiaria durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ela brinca com a irmã, Margaret, na época com três anos, ao lado da mãe Elizabeth (a rainha Mãe) e do tio paterno, Edward, que se tornaria rei em 1936 e é conhecido por sua simpatia pelo nazismo.

O Palácio de Buckingham criticou à época a divulgação do filme. “É decepcionante que esse filme, feito há oito décadas e aparentemente tirado do arquivo pessoal da família de sua majestade, tenha sido obtido e explorado dessa maneira”, disse o palácio em nota.

Após a polêmica foto da rainha Elizabeth II no “The Sun”, os holofotes se voltaram para outro integrante da monarquia: seu marido, o príncipe Philip. Quatro irmãs do duque de Edimburgo tiveram ligações com altos dirigentes do regime nazista. Segundo o documentário “Prince Philip: The Plot To Make A King” (“Complô para fazer um rei”), três das quatro irmãs de Philip — Margarita, Cecile e Sophie — se casaram com aristocratas alemães que se tornaram figuras de destaque do Partido Nazista. Sophie era a principal defensora do regime. Foi fotografada, em 1935, jantando com Hitler no casamento de Hermann Goering, comandante da Luftwaffe. Sophie, que chegou a dizer que Hitler era “um homem charmoso e modesto”, passou a elogiar seus planos para a Alemanha. Ela era casada com o príncipe Christoph von Hessen, um coronel da SS, com cargo no Ministério da Força Aérea.

Em outra cena polêmica do documentário, Philip, então com 16 anos, é recebido no funeral de Cecile, em 1937, com o grito de saudação nazista “Heil”. Descendente da família real grega, mas com sangue aristocrata alemão por parte de mãe, Philip se distanciou das irmãs e lutou pela Marinha britânica durante a Segunda Guerra Mundial. Na época de seu casamento com Elizabeth, então princesa, seu passado gerou suspeitas no Palácio de Buckingham. Nenhuma delas foi convidada para o casamento, em 1947.

Mais recentemente, o príncipe Harry apareceu num vídeo em missão no oriente médio zombando de um homem com insultos racistas aos árabes. Num outro momento foi flagrado vestido de nazista numa festa. Parece que ele aprendeu em casa, ou melhor, no palácio a como se comportar assim.

Hoje, o mundo está em polvorosa com a cerimônia que ocorre neste sábado 19 de maio no castelo de Windsor. O casamento entre o príncipe Harry e Meghan Markle, a atriz americana do seriado da Netflix “Suits”, mal dissimula porém as relações escusas de uma das famílias reais mais poderosas do planeta com a extrema-direita. Meghan será a primeira integrante negra da família, e já sofreu com ataques da própria realeza, como no caso da prima de rainha que foi a um jantar com um broche racista, indicando que não aceitaria tal relação.

Mas em se tratando de manifestações racistas e xenófobas, o marido da rainha ganha em disparado. Além de ser um machista tarado, desses sem noção do ridículo, Phillip costuma dar declarações preconceituosas contra estrangeiros e até mesmo contra britânicos escoceses e etc. Um adendo, Phillip não é britânico, ele é grego com origens dinamarquesas e alemães.

Hoje, há forte pressão de historiadores e políticos pela disponibilização dos documentos da família real. Segundo eles, a liberação desses materiais ajudaria a compor o contexto histórico da ligação entre integrantes da monarquia e o regime nazista antes da Segunda Guerra Mundial. E essa relação não é senão plausível, afinal, traços como a xenofobia e o racismo são comuns tanto à família real como ao nazismo. Como se pode perceber, para uma família impedida de opiniões políticas, suas atitudes são na verdade bem casadas com as políticas da extrema-direita.