Extrema-direita cresce na Espanha: VOX elege deputados pela primeira vez, na Andaluzia

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Domingo passado (02) foi dia de eleições regionais na Espanha. Na importante comunidade autônoma da Andaluzia o vitorioso foi o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) que chegou à frente com 27,96% dos votos, seguido do Partido Popular (PP) com 20,76% e do Ciudadanos com 18,26%. Seguiu-se a aliança Adelante Andalucía (AA) (que integra o Podemos e a Esquerda Unida – IU), com 16,17% e, por fim, o Vox, com 10,96%.

O PP sofreu uma derrota porque perdeu sete cadeiras no parlamento regional (possuía 33 e agora tem 26). A derrota contudo é aparente eis que o Vox, partido nacional de extrema direita, elegeu 12 deputados o que consistiu em uma surpresa.

Esta é a primeira vez que o Vox elege deputados em uma das 17 comunidades autônomas da Espanha. Embora em termos percentuais o PSOE tenha sido o vencedor, a perda de 14 cadeiras fez com que ele deixe de ter maioria parlamentar absoluta. Está assim aberta a grande possibilidade de que seja costurada uma aliança entre o PP, o Ciudadanos e o Vox para que o primeiro assuma o governo da comunidade. As negociações já estão em andamento.

Por outro lado, Susana Díaz, a protagonista da vitória amarga do PSOE, que pode perder o governo da Andaluzia ao fim de 36 anos, lamentou o aumento de 7% da abstenção e afirmou que é responsabilidade ser “o dique de contenção da extrema-direita”. Como tal, anunciou que vai iniciar uma ronda de contatos para impedir que o Vox chegue ao poder. Também Pablo Iglesias, do Podemos, afirmou a disponibilidade para juntar esforços “contra a extrema-direita”.

Marine Le Pen, chefe do partido francês de extrema direita, Agrupamento Nacional (ex Frente Nacional) parabenizou o Vox.

O Vox é contrário ao aborto e o matrimônio homossexual. Algumas propostas do partido são a criminalização dos imigrantes ilegais, a supressão das câmaras regionais (como a própria Câmara da Andaluzia), a revogação da lei contra a violência machista e de memória histórica (eles apoiam a ditadura franquista), são ultranacionalistas espanhóis e ferrenhamente anti-independentistas, querem a prisão dos líderes separatistas catalães, homenageiam a polícia e o exército.

Os partidários do VOX dizem que os imigrantes vão tomar o lugar dos espanhóis e que é preciso erguer um muro inexpugnável nas fronteiras dos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla (Marrocos) além de quererem fechar as estações de televisão das regiões autônomas, diminuir os impostos dos mais ricos e liberalizar o solo.

Após o fim do regime franquista a extrema-direita não deixou de ser uma força política central na política espanhola. Citado por políticos brasileiros em momentos de crise nas últimas décadas, o Pacto de Moncloa assinado em 1977 e que é considerado por alguns um marco da redemocratização da Espanha foi uma farsa porque, como no Brasil, o regime anterior não foi obrigado a ajustar contas e suas estruturas permaneceram intactas.

O principal partido da burguesia, e herdeiro do regime fascista de Francisco Franco, no entanto, é o PP. Contudo, diante da gigantesca crise do regime político imperialista da última década, em todos os países imperialistas os partidos tradicionais estão derrocando e dando lugar à ascensão da extrema-direita. O próprio Vox é originário do PP e representa o deslocamento para a direita do regime espanhol.

O mesmo fenômeno ocorre na Alemanha, onde o Alternativa para a Alemanha (AfD) começou ganhando cadeiras de maneiras inédita nos parlamentos regionais, e agora já ocupa todos os parlamentos do país.

Com o crescimento do Vox, ocorre também o deslocamento para a direita da própria direita tradicional. O PP já declarou que poderá fazer aliança com a extrema-direita para governar a Andaluzia, e que o objetivo é estar totalmente à direita do PSOE.

O fenômeno também é semelhante ao Brasil, onde o espectro político, promovido pela burguesia em crise, se desloca para a extrema-direita e ascende ao poder o PSL de Jair Bolsonaro. Com isso, o partido tradicional da burguesia, o PSDB, desloca-se também à direita, com o comando cada vez maior de João Doria e a ala bolsonarista do partido.