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Lava Jato é corrupta
Extorsão: auditores da Lava Jato cobravam propina de delatores
A Lava Jato nunca objetivou combater a corrupção, mas destruir a economia e a política brasileira. Depois, seus membros a usaram para ganhar dinheiro, muito dinheiro.
Lava Jato - Tania
Lava Jato é corrupta
Extorsão: auditores da Lava Jato cobravam propina de delatores
A Lava Jato nunca objetivou combater a corrupção, mas destruir a economia e a política brasileira. Depois, seus membros a usaram para ganhar dinheiro, muito dinheiro.
A Polícia Federal e Receita Federal, 30ª fase da Operação Lava Jato. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Lava Jato - Tania
A Polícia Federal e Receita Federal, 30ª fase da Operação Lava Jato. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Tudo que não seja estabelecer um “Grossraumwirtschaft” – o grande espaço vital – que incorpore todo o continente com base a uma economia planificada, com produção controlada e direção centralizada do comércio internacional, não poderá sobreviver (…)

Nenhum dos estados latino-americanos aceitará voluntariamente as modificações necessárias para a criação dessa economia regional (…). Somente a conquista do hemisfério por parte dos Estados Unidos e a implacável destruição das economias nacionais agora existentes poderão concretizar a integração necessária”

(SPYKMAN, Nicholas John) [1]

 

A operação Lava Jato pode ser vista como um aprimoramento de ações anteriores, financiadas e/ou apoiadas pela burguesia nacional e internacional, para impedir, uma vez mais que um governo popular, ou de base popular, tivesse sucesso no país.

Ao imperialismo interessa, desde sempre, manter o controle sobre os governos latino-americanos, o que promoveu e promove por meio do endividamento, da cooptação da burguesia local, pela militarização da região e apoio aos golpes de estado, pelo financiamento de grupos de interesse, formadores de opinião e candidatos a cargos burocráticos importantes, políticos e ‘intelectuais’, artistas etc.

Depois do golpe militar de 1964, e seu fracasso em termos econômicos e sua incapacidade de conter a mobilização popular, a ditadura militar deu lugar a uma longa abertura política que visava garantir que o poder político continuasse nas mãos da burguesia e sob o controle externo.

Quando o Partido dos Trabalhadores vence as eleições de 2002, com Lula alçado à condição de Presidente da República, na impossibilidade prática de mais um golpe de estado, imediato, tentaram controlar o PT e seu presidente. Mal passados 2 anos de governo, explode um escândalo que ficou conhecido, como parte do marketing negativo contra o partido, de “Mensalão”, objeto da Ação Penal nº 470 [2] que foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal e que posteriormente vai derrubar José Dirceu da Casa Civil, e condenar dirigentes históricos do PT, como José Genoíno e Delubio Santos, além do próprio José Dirceu.

A ação do Ministério Público e do Poder Judiciário, junto com a imprensa burguesa, em particular da Rede Globo, foi violenta e pensada para exterminar o PT da vida política nacional. O Sistema de Justiça foi usado para produzir ódio ao Partido dos Trabalhadores e desconfiança em relação ao seu líder maior, Luiz Inácio Lula da Silva.

Como o partido não foi derrotado e Lula fez sua sucessora, após fazer o país alcançar um crescimento do PIB de 7,5% em 2010, uma nova investida contra o PT precisará ser feita, com muito mais violência.

Não por acaso, uma investigação de lavagem de dinheiro pelo ex-deputado federal  José Janene (PP), de Londrina/PR, ligado ao Mensalão vai dar origem à Lava Jato[3].

Tudo que acontece no país a partir daí, com efeitos na economia e na política, vai se vincular à Operação Lava Jato. Com a crise internacional de 2008 finalmente batendo à porta do Brasil, já com a presidenta Dilma Roussef, a Lava Jato vai praticamente destruir duas cadeias produtivas fortes, em crescimento e fundamentais para os saltos que o Brasil vinha dando ou estava em vias de dar, ambas totalmente: a cadeia de petróleo e gás e a de construção civil.

Embora não se tenha uma conta precisa do impacto na economia, há cálculos que apontam para 2 a 2,5% de contribuição da Lava Jato nas retrações do PIB de 2015 e 2016. Teriam sido afetados os setores metalomecânico, naval, da construção civil e de engenharia pesada, com perdas em torno R$ 142 bilhões.

A construção civil demitiu, entre 2014 e 2017, 991.734 empregados, considerando apenas vagas formais, tendo sido mais afetada a região Sudeste. A perda total de postos chega a quase 1,2 milhões.

O faturamento das empresas da área caiu absurdamente entre 2015 e 2017, quando a operação Lava Jato realizou suas maiores investidas contra o setor. Só a Odebrecht, que registrou um faturamento bruto de R$ 107 bilhões em 2014, e um contingente de 168 mil funcionários – com operações em 27 países, em 2017 reduziu seu faturamento para R$ 82 bilhões, e já contava apenas com 58 mil funcionários, enquanto suas atividades no exterior reduziu seu escopo para apenas 14 países.

As outras empreiteiras além de verem derreter os ativos financeiros, acabaram por vender parte de suas ações para empresas estrangeiras.

A própria Petrobrás teve seus resultados financeiros diretamente afetados. O volume de investimentos foi de aproximadamente US$ 48,8 bilhões em 2013 e caiu  para US$ 15,1 bilhões em 2017. Entre 2013 e 2017,  a cadeia produtiva direta da empresa sofreu uma perda de quase 260 mil postos de trabalho formais e informais.

Apesar do esforço gigantesco feito pela imprensa burguesa para ocultar as ilegalidades e os abusos dos membros do Ministério Público e do Poder Judiciário na condução da infindável Operação Lava Jato, assim como para ocultar os efeitos perversos sobre a economia e sobre a política brasileira, não tem sido mais possível manter sob controle a narrativa da ‘cruzada contra a corrupção’ e a manutenção dos cruzados em um altar.

Além de tudo que já se teve comprovado a partir de diálogos publicados pelo site The Intercept e outros veículos de comunicação, testemunhamos agora denúncias de tentativas de Policiais Federais que atuam na Lava Jato em destruir provas, chegamos à prisão de auditores e servidores da Receita Federal suspeitos de compor uma organização que cobrava propinas para aliviar multas de investigados da Lava Jato.

No dia 02 de outubro, foram presas 14 pessoas e emitidos 41 mandados de busca e apreensão.

Após a Lava Jato ter usado as delações premiadas como instrumento de barganha, após tortura dos delatores com longas prisões preventivas e/ou temporárias, esta sofreu um revés exatamente com a delação de empresários, que entregaram o esquema de cobrança de propina para evitar multas.

Um dos auditores fiscais presos era figurinha carimbada na GloboNews, onde sempre aparecia como especialista na área fiscal, Lêonidas Quaresma. Alémd ele, Marco Aurélio Silva Canal, tido como chefe do esquema foi

Esse mesmo auditor, além de incensado pela Globo, foi responsável, talvez por isso mesmo, de promover uma defasa fiscal no Instituto Lula. Também é suspeito de ter sido o responsável por montar um dossiê sobre Gilmar Mendes e a esposa.

Agora a própria força tarefa da Lava Jato tenta se desvincular do grupo e do auditor Marco Aurélio Canal, negando que fizessem parte em algum momento da Lava Jato.

Muito dinheiro em espécie foi apreendido. O esquema mostra que usavam de informações privilegiadas e o poder de intervir em processos administrativos para lucrar.

A operação Lava Jato, além, portanto, de promover a perseguição política, interferindo na arena eleitoral e partidária, de ter sido responsável pela quebra da economia nacional, propicia aos participantes da operação, de forma direta ou a partir dela, de, abusando do seu poder, extorquir réus, delatores ou não.

Cada dia mais, portanto, fica claro que a operação Lava Jato já cumpriu seu principal papel, na desestruturação econômica e institucional do país, e os seus membros passaram a cuidar de seus interesses pessoais, enriquecendo com palestras, vendendo sua expertise para empresas, garantindo cargos, e se preparando para ocupar mandatos.

Destruíram  o país e, por meio de lawfare, condenaram sem provas o ex-presidente Lula, retirando-o da disputa eleitoral e, assim, elegendo Jair Bolsonaro. O ex-juiz Sérgio Moro recebeu sua recompensa por isso. No final, sempre foi por causa de dinheiro e poder.


NOTAS:

 

[1] em “Estados Unidos frente ao mundo”. apud SCHILLING, Paulo. O expansionismo brasileiro: a geopolítica do general Golbery e a diplomacia do Itamarati. São Paulo: Global, 1981, p. 21)

[2] Nesse momento, vemos uma investida pesada da imprensa burguesa para transformar as sessões do STF em verdadeiros shows, nos quais a figura do ministro Joaquim Barbosa aparecia como um paladino que enfrentava o mal da corrupção, como um cruzado, um cavaleiro medieval.

É aí que se fixa de forma mais marcante a politização do sistema de justiça com vistas a deter o inimigo da nação, o político corrupto, nesse caso reduzido aos integrantes do Partido dos Trabalhadores e alguns personagens marginais de outros partidos menos importantes. Há um aprofundamento da mobilização política do direito. Ficará marcada a aplicação esdrúxula que se fez da teoria de domínio de fato, de Claus Roxin, para penalizar atores políticos, considerando uma certa ‘graduação hierárquica’.

A mesma lógica que perpassa a tal “cruzada contra a corrupção” na AP 470, com a figura quase messiânica de Joaquim Barbosa, estará presente e será aprofundada na Lava Jato. O novo messias será o juiz Sérgio Moro.

[3] Embora tenha sido formalizada apenas em 2014, a Lava Jato tem origem, na narrativa oficial, em uma investigação de 2008. Resta o desafio de conhecer quando e como a operação pode ter tido origem real nos Estados Unidos da América, suspeita que constantemente é reforçada.