Expropriar a Vale: capitalistas matam moradores, destroem Brumadinho e não querem pagar indenizações

Brazil Dam Collapse

O caso do rompimento da barragem da empresa Vale em Brumadinho, interior de Minas Gerais, é uma demonstração clara das consequências da política de privatização e do caráter destruidor do capitalismo. O rompimento da barragem, consequência direta da política de privatização da empresa feita durante o governo FHC no final dos anos 1990 e da falta de manutenção na barragem, levou a morte de centenas de pessoas, destruindo também a natureza de uma extensa região do estado de Minas Gerais. Muitos corpos não foram localizados, o que só aumenta a dor das famílias, as quais nem mesmo irão conseguir se despedir dos seus entes.

É sempre importante relembrar que a Vale foi privatizada durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Na época, as reservas de minério da empresa tinham um valor de mercado de mais de R$ 3 trilhões, ela foi vendida pela bagatela de R$ 3,3 bilhões. Após passar para a mão dos grandes capitalistas, a empresa virou um objeto de lucro para os empresários, a manutenção, a preocupação com a segurança dos trabalhadores e das pessoas que moram perto das barragens foi completamente dispensada. Para os capitalistas o importante era sugar ao máximo a riqueza produzida pela empresa, pouco importando as consequências desastrosas que poderiam ocorrer para milhares de pessoas.

Foi o que aconteceu, primeiramente em Mariana dois anos atrás. O rompimento da barragem destruiu a cidade, uma cidade histórica brasileira, matando também inúmeras pessoas. Depois de muita demagogia, os donos da empresa venderam a ideia de que iriam ajudar as famílias vítimas do desastre, o que não foi feito até hoje. A justiça, totalmente conivente e do lado dos capitalistas, não se move e nada fala.

O caso se repete novamente após o desastre de Brumadinho. Os donos da Vale, abandonaram a demagogia e deixaram ainda mais evidente a sua verdadeira face assassina e desumana. Após uma série de reuniões com os moradores e produtores rurais da região, os empresários se negaram a pagar benefícios, como um salário mínimo para as pessoas afetadas pelo rompimento da barragem, as quais tiveram suas casas destruídas, além do ressarcimento das dívidas dos produtores rurais, que tiveram sua produção completamente comprometida devido a lama.

O que seria o mínimo de se fazer por parte dos donos da empresa, foi recusado pelos empresários. Em alguma das reuniões, a indignação da população, dos moradores foi tamanha, que a polícia militar teve que ser chamada para salvar a pele dos capitalistas e de seus representantes.

A profunda situação de crise da empresa, uma das maiores do país e do mundo no ramo de mineração, e o completo descaso dos capitalista com a tragédia, com o povo, tragédia esta que eles mesmos criaram, demonstra que a única saída passa pela expropriação dos empresários, ou seja, a estatização da empresa, sendo seu controle colocado nas mãos dos trabalhadores.

É necessário fazer uma campanha junto a população demonstrando o caráter extremamente negativo da política de privatização, que é a política defendida pelo governo ilegítimo de Bolsonaro, por seu guru neoliberal, Paulo Guedes. A única forma de salvar a empresa é tirá-la das mãos dos parasitas capitalistas e colocá-la nas mãos daqueles que realmente se importam com o desenvolvimento da Vale e do país, ou seja os trabalhadores.