À frente de seu tempo…
Uma das precursoras da Música Popular Brasileira

Por: Redação do Diário Causa Operária

Nascida Francisca Edwiges Neves Gonzaga, em 17 de outubro de 1847, Chiquinha Gonzaga era filha de um militar e de Rosa, filha liberta de mãe escrava. Foi pianista, compositora e maestrina, tendo sido a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Era abolicionista ativa, colava cartazes e arrecadava fundos para a causa.

Chiquinha Gonzaga foi importante para a formação de uma identidade dos ritmos brasileiros, enquanto nos salões se dançava a valsa e a polca, ritmos europeus. Adaptava as polcas, transformando-as em choros e maxixes.

Casada à força por seu pai, com um marido que a maltratava, separou-se dois anos depois, o que era um escândalo na época, sendo que depois teve mais dois companheiros.

Chiquinha Gonzaga criou a primeira canção carnavalesca do Brasil, “Ó, abre alas”, composta em 1899 para piano, canto, violino, contrabaixo, violoncelo, clarineta, trombone e trombeta. Era uma alusão ao cordão da Rosa de Ouro, de Andaraí, onde morava.
Eis a letra:

“Ó Abre Alas

Ó abre alas
Que eu quero passar
Ó abre alas
Que eu quero passar
Eu sou da lira
Não posso negar
Eu sou da lira
Não posso negar
Ó abre alas
Que eu quero passar
Ó abre alas
Que eu quero passar
Rosa de Ouro
É que vai ganhar
Rosa de Ouro
É que vai ganhar”

Abolicionista e mulher livre, era uma lutadora contra a mentalidade de sua época. A obra de Chiquinha Gonzaga incluiu peças para piano, piano solo e canto, além de tangos brasileiros, canções, polcas, valsas, habaneras, fados, baladas, modinhas, choros, mazurcas, dobrados, duetos, serenatas e peças sacras. Podemos considerá-la como uma das fundadoras da Música Popular Brasileira.

No começo do século 20, numa viagem a Berlim, na Alemanha, ela descobre partituras de suas músicas sendo vendidas sem autorização. A partir daí, lidera uma campanha pelo direito autoral de compositores e autores do teatro e é uma das fundadoras, em 1917, da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, primeira recolhedora de direitos no país.

Entre outros legados, comprou a alforria de um escravo músico de sua orquestra, o alforriando. Era uma mulher muito à frente do seu tempo, sendo que as suas netas, ainda vivas nos anos 80, procuravam ignorar sua memória. Para os que se interessarem pelas músicas da compositora, há uma grande variedade de obras de sua autoria no Youtube. Falece em 28 de fevereiro de 1935.

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