Não ceder à pressão fascista
A pressão de setores da esquerda para que partidos e movimentos não ergam suas bandeiras nos atos é uma política reacionária e deve ser energicamente combatida
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Os partidos e suas bandeiras fazem parte da tradição e da lutas operárias em todo o mundo | Foto: (Arquivo/DCO)

O acirramento da crise capitalista, associada à crise sanitária da epidemia do coronavírus no Brasil, fez entrar em movimento todo um setor de luta, liberando a energia que estava represada, muito em função de uma política consciente das direções dos diversos movimentos sociais e de outros segmentos explorados. Ao longo de várias semanas, centenas de milhares de manifestantes ganharam as ruas de todo o país para demonstrar sua revolta e indignação contra o governo neoliberal golpista, de extrema direita, responsável, dentre outras mazelas, pelas milhares de mortes que ocorrem em todas as regiões por conta do Covid-19 e pelos efeitos da crise econômica que afeta diretamente as camadas socialmente mais vulneráveis e exploradas da sociedade.

Neste cenário de retorno dos movimentos sociais e dos partidos às ruas e praças do país, recrudesceu também condutas e posturas de determinados setores da esquerda nacional, que, a exemplo do que ocorreu com as gigantescas mobilizações estudantis em torno à luta pela conquista do “Passe Livre”, em 2013, estão pressionando e exigindo dos partidos e movimentos que não compareçam aos atos com suas bandeiras e seus símbolos. À ocasião, o desfecho desta política reacionária, fascista e policialesca dos próprios dirigente do movimento resultou no sequestro da luta dos estudantes pela direita, que submeteu a luta pelo “Passe Livre” estudantil às pautas abstratas e distracionistas, fazendo com que se iniciasse ali um enfrentamento e oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff, do PT, abrindo o caminho para que setores da direita não só controlassem o movimento, como o conduzisse para o terreno dos ataques ao governo eleito, dando início ao processo que culminou com o impeachment fraudulento e o golpe de Estado em 2016.

A historinha reacionária e obscura de sete anos atrás vem se repetindo exatamente da mesma forma neste momento, com elementos que nada têm a ver com as mobilizações, pois são contrários a elas, tentando impor uma perseguição policial contra os que vão aos atos e aos protestos com suas bandeiras. Queremos deixar claramente consignado que esta é uma conduta não só inaceitável, como tem um caráter fascista, semelhante em seu conteúdo às práticas e à política da extrema direita nazista, bolsonarista. Ninguém, quem quer que seja, pode se arvorar como proprietário dos movimentos de luta, das mobilizações, como se deles se apropriassem e dissessem como devem acontecer, de que forma devem ocorrer e o que é ou não é permitido levar aos atos.

As ruas e praças de todos os estados, regiões e cidades do país não pertencem a ninguém, a nenhum pretenso proprietário, sejam elementos da direita ou da esquerda. As ruas são espaços públicos, do povo, dos trabalhadores, das lutas sociais e populares e assim deve permanecer. Os movimentos e todos os partidos, aqueles que se colocam no terreno da luta dos trabalhadores e das massas populares devem não só repudiar energicamente esta tentativa reacionária e direitista de impedir as bandeiras e faixas nos atos, como todos devem comparecer às ruas erguendo suas bandeiras, símbolos e distintivos, expondo claramente suas preferências e sua identificação política, sem qualquer concessão aos que querem cassar e impor limites à livre manifestação e expressão.

 

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