Exército contra Bolsonaro: mandaram Mourão ficar quieto

Mourão

O alto escalão militar pede para o candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) se controlar. Na segunda-feira (17), o telefone do general da reserva Antônio Hamilton Mourão (PRTB) tocou de forma iterada. Após sucessivas entrevistas expondo seu caráter fascista, o general foi obrigado a pisar no freio. Seus colegas de farda deram o alerta que o mesmo estava falando além da conta.

Não demorou muito, depois de dizer a um público de empresários que famílias lideradas por mães e avós são “fábricas de desajustados” e, chamar os parceiros comerciais do Brasil no Hemisfério Sul de “mulambada”, os amigos de farda do fanfarrão o chamaram a atenção. Além da sequência verborrágica – típica dos filisteus fardados, outro fator foi levado em conta; as declarações acerca da lisura do resultado das eleições. Mourão e Bolsonaro, já semeiam um possível golpe, caso não triunfem nas eleições. Os dois já se posicionam a favor da criação de uma nova Constituição – a qual não teria a participação do povo, e postulam sobre um Supremo Tribunal Federal (STF) com 21 ministros.

Vale lembrar que na véspera do julgamento de um pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula no STF, o general Villas Bôas colocou em sua conta do Twitter que as Forças Armadas estavam “atentas” ao cumprimento de “missões institucionais”. Atualmente dois oficiais de alta patente já fortificam o aparelho do Estado: o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência já tem um Ministro-Chefe, assim como o presidente do STF tem seu assessor. Inclusive, Azevedo e Silva, assessor especial de Toffoli, é integrante de um grupo que dá suporte à chapa Bolsonaro e Mourão. Ademais, o grupo frequentado pelo assessor especial de Toffoli é capitaneado pelo general reformado Augusto Heleno, um dos militares mais próximos a Bolsonaro, além de corroborar com as asneiras proferidas por Mourão. Fica claro, desde então, que os militares funcionam como uma escolta armada às ações do golpismo encabeçado por Michel Temer (MDB) e, seguirão dando cobertura aos próximos direitistas que porventura se apossem da presidência.

Após o aparente puxão de orelhas, paira no ar o quão sério foi o feito. Diante de diversas declarações de tantos milicos a favor de um golpe militar, ameaçando copiosamente o regime “democrático”, por que haveríamos de acreditar numa suposta intervenção a favor da democracia? Não seria uma cartada de Mourão, queimar o filme de sua própria chapa propositalmente? Já colocaram Lula – o candidato preferido pelo povo e líder disparado nas pesquisas – para fora da disputa, por que respeitariam a decisão do povo?