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Marielle Franco foi assassinada pelas forças golpistas controladas pelos militares no Rio de Janeiro. Sua morte é parte de uma escalada repressiva contra a esquerda e contra as organizações populares, e deve ensejar atos contra o golpe e contra a intervenção militar no Estado.

A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) foi executada pelas forças de segurança golpistas na noite da última quarta (14). Moradora da Favela da Maré, Marielle não apenas era relatora da comissão de acompanhamento da intervenção militar no Rio de Janeiro, como vinha denunciando os assassinatos do 41º Batalhão da Polícia Militar em Acari – conhecido como Batalhão da Morte. A velocidade da ação, a precisão dos quatro tiros que atingiram a vereadora na cabeça em seu carro em movimento, o uso de pistolas de 9mm – exclusivas das forças de segurança –, bem como de munição da Polícia Federal não deixam margem a dúvidas: o assassinato partiu de policiais ou militares, hoje no Rio de Janeiro comandados pelo interventor federal, o General Walter Braga.

Em meio à consternação diante da violência do ato, a esquerda pequeno-burguesa manifestou-se de acordo com a sua política habitual: confusa, personalista, evasiva, punitiva. O PSOL exigiu a investigação pela própria polícia que cometeu o crime – política seguida pelo  PT. O PSTU apressou-se em pedir “punição exemplar”  dos assassinos (executada pelo estado burguês). A depender de tais iniciativas, a esquerda acompanhará na Rede Globo os desdobramentos das investigações policiais como quem segue um folhetim – de fato, nos atos de pesar pela morte da vereadora, viam-se cartazes que indagavam Quem matou Marielle?.

Em geral, nas manifestações políticas dos setores mais institucionalizados da esquerda – como uma Sessão na Câmara dos Deputados – muito se falou sobre feminicídio e sobre genocídio da população negra, como se o acontecimento excepcional, ocorrido dentro de um golpe de estado e sob intervenção militar, fosse apenas mais um sintoma da política habitual de extermínio da população pobre brasileira. Marielle, porém, é uma líder popular, e não havia sido ameaçada de morte, o que reforça a hipótese de que sua execução visou a pressionar setores políticos próximos a ela – inclusive demais parlamentares do PSOL e da esquerda.

A morte de Marielle – mulher, negra, favelada e lésbica – de fato pressionou os setores mais sectários e confusos da esquerda, que tendem a organizar atos de rua, mas com características identitárias, difusas, e mesmo punitivas. Em sua esteira podem-se juntar os coxinhas, e é o que a imprensa golpista tenta alavancar, como em junho de 2013. E a Rede Globo, por exemplo, vem dando ampla cobertura jornalística não apenas para os aspectos policiais mas também para os atos de repúdio e revolta que tomaram o país. Tenta-se, evidentemente, repetir a estratégia de 2013, em que o moralismo de esquerda acabou por levar às ruas a extrema direita, dando origem a movimentos fascistas como o MBL. Talvez não seja por acaso que o assassinato tenha sido denunciado no plenário do Parlamento Europeu por deputados espanhóis do Podemos – partido surgido nas manifestações de 2011 de Madri.

Já a direita e os golpistas apressaram-se em atribuir o crime a “bandidos”, de modo a justificar o aumento da repressão policial e militar sobre os moradores das comunidades cariocas. Alguns chegaram ao grotesco de atribuir o assassinato ao próprio ativismo de Marielle em defesa dos direitos humanos e contra a ação das próprias Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) – defendidas por seu correligionário Marcelo Freixo.

Marielle foi executada pelas forças que levam a cabo o golpe de estado no Brasil, hoje concretizado e radicalizado no Rio de Janeiro na intervenção militar federal que controla a segurança pública do estado. Marielle se opôs à intervenção militar e foi assassinada. Mais que o extermínio de uma mulher negra de uma comunidade carioca, sua execução é parte da política golpista de perseguição, prisão, tortura e assassinato das lideranças de esquerda e ataque às organizações populares, assim como o é a iminente prisão de Lula na próxima semana. Trata-se de um sinal inequívoco do aprofundamento do regime de exceção decorrente do golpe de estado em curso. Por isso, o único foco possível de ação popular a partir da execução de Marielle é a luta contra o golpe, contra a perseguição da esquerda – incluindo a prisão de Lula – e a exigência da retirada imediata das forças militares do Rio de Janeiro.

 

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