Ex-procuradora, candidata às eleições presidenciais, tem ordem de prisão decretada: racha entre a direita golpista da Guatemala

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Seguindo o rito fixado pelo imperialismo norte-americano, mais uma vez, os ianques tentam interferir diretamente na política sul-americana. Dessa vez o palco da ação é a Guatemala, hoje governada pelo ultra direitista, igualmente capacho de Trump, Jimmy Morales, eleito em 2015, em meio ao turbilhão causado no pais pela ação de uma operação siamesa a lava-jato em seu pais.

Em um trabalho conjunto entre Ministério Público, Supremo Tribunal e comissariado das nações unidas, a operação apelidada de “La Linea”, processou e prendeu diversos elementos das oligarquias locais e do clero político guatemalteco, culminando com a renúncia e prisão em setembro de 2015, tanto da vice presidenta a época, Roxana Baldetti, como do presidente Otto Pérez Molina.

As investigações no entanto continuaram, e em 2018 chegaram até o atual presidente, com denúncias de irregularidades em sua campanha presidencial, com direito a uma tentativa de impeachment. Antigo defensor do processo de investigação e perseguição, o presidente Jimmy, não parece disposto a ceder mais espaço. Entre outras medidas, cancelou o acordo de cooperação com as Nações Unidas e vem diminuindo o poder de atuação do Ministério Público.

A operação foi coordenada pela procuradora geral, e chefe do ministério publico Guatemalteco Thelma Aldana. A ex-juíza ganhou notoriedade no país por ter sido muito rígida em sua ação jurídica e por ter uma atuação forte no combate ao feminicídio, alegadamente um flagelo a população trabalhadora na Guatemala.

Como resultado desse prestígio conseguido com sua atuação na pauta identitária e junto a perseguição da classe política local, a ex-juíza trocou os campo do direito pela política para concorrer ao cargo de presidenta no pleito a ser realizado em 2019.

Contudo, Thelma não terá uma campanha fácil. No mesmo dia de registro de sua candidatura, foi expedida uma ordem de poisar contra a ex-juíza por peculato, que teria ocorrido no período em que chefiou o Ministério Público. Filiada a uma legenda centro-esquerdista, o Movimiento Político Semilla, a ex-juíza nega as acusações, e somente não se encontra detida por estar fora do pais a época do mandado de prisão.

É interessante destacar ainda que, atos soberanos de governo são tratadas de maneira diametralmente oposta pela mídia imperialista dependendo dos atores. É notório o tratamento dado ao governo venezuelano, taxado como ditatorial, em detrimento ao apoio estendido aos governos alinhados do imperialismo.

O mesmo roteiro pode ser visto no Brasil. Em meio ao turbilhão da Lava-Jato e à confusão da burguesia nacional em escolher seu capataz, foram criadas as condições para a ascensão de elementos enfadonhos e perigosos como Temer e Bolsonaro. Até mesmo juízes aventureiros estão na política brasileira.

A prisão de Temer, a tentativa frustrada dos procuradores da Lava-jato de roubar o estado, são apenas mais alguns capítulos dessa novela, que, com diferentes cenários, têm sempre o mesmo enredo: a construção de uma casta de governo a serviço do imperialismo norte americano.