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SEOUL, SOUTH KOREA - APRIL 18:  U.S. Vice President Mike Pence gives a speech to members of the American Chamber of Commerce at the Grand Hyatt Hotel on April 18, 2017 in Seoul, South Korea. During the three day visit to South Korea, Vice President Pence spends Easter Sunday with the U.S. and S. Korean troops and their families, meet with Korea's acting president Hwang Kyo-ahn and the national assembly speaker Chung Sye-kyun, then meet with the local business leaders.  (Photo by Ahn Young-Joon - Pool/Getty Images)
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O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, está em visita ao Brasil esta semana. Os principais temas são o criminoso encarceramento de imigrantes latino-americanos (entre os quais, brasileiros) na fronteira dos EUA e o aumento do cerco contra a Venezuela.

Na chegada à colônia, Pence (que manda mais no Brasil que o próprio Michel Temer) se reuniu com o “presidente” instalado pela metrópole. Discursando como se estivesse em casa (o quintal é parte da casa), Pence tratou todo o povo brasileiro como um súdito da mais baixa categoria. Disse para não se arriscarem entrando ilegalmente nos EUA e para, ao invés disso, construírem suas vidas no Brasil (como se fosse possível viver em uma terra em que todos os recursos e riquezas são assaltados pelo império).

Ao mesmo tempo em que dizia na cara de Temer que os EUA não aceitarão os imigrantes brasileiros, o representante de Washington anunciou o repasse de US$ 10 milhões para que os imigrantes venezuelanos que cheguem ao Brasil tenham acesso a moradia, e mais de US$ 1 milhão diretamente para o governo brasileiro, por seu trabalho em relação aos venezuelanos.

Ou seja, na prática os EUA estão pagando o governo brasileiro para atrair venezuelanos e pagando venezuelanos para que se transfiram ao Brasil. Para os ingênuos, a primeira vista, pode parecer um “ato humanitário” por parte dos dois governos, mas obviamente não se trata disso. É uma das principais estratégias do imperialismo para intervir militarmente na Venezuela, com a desculpa de “crise humanitária” pela “onda de refugiados”, “fugindo” da “fome” e da “ditadura” de Nicolás Maduro.

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A fala de Pence, afirmando que Caracas é uma ameaça para a segurança regional e que o Brasil deve “adotar mais atitudes” para isolar a Venezuela, está diretamente relacionada com os imigrantes que aqui chegam.

O plano é bem simples de se compreender, está sendo aplicado etapa por etapa há pelo menos quatro anos, e já foi revelado publicamente com o vazamento do relatório do Comando Sul. Primeiro, os EUA utilizam seus capachos venezuelanos, a oligarquia reacionária, para boicotar a distribuição e a importação de produtos básicos, causando uma escassez induzida pelo estocamento em redes privadas de supermercados e estabelecimentos comerciais. Com a diminuição artificial da oferta, a burguesia aumenta escandalosamente os preços dos produtos, especulando e contrabandeando por meio de redes mafiosas, gerando uma inflação sem precedentes. A população fica sem acesso a remédios e alimentos, causando enorme crise econômica e social. Depois, a oposição – ricamente financiada pelo governo estadunidense e os milionários corruptos que vivem em Miami – provoca manifestações violentas com dezenas de mortos, vandalismo e sabotagem a instalações vitais para o funcionamento da vida cotidiana do país. Esse cenário de caos induzido leva à procura de alternativas por uma parte da população, como sempre ocorre na maioria dos países quando a situação econômica não é favorável: a emigração.

Mas ela, particularmente, também é fruto de uma ampla campanha de manipulação. Como explica o antropólogo venezuelano José Negrón Valera, pesquisador sobre guerras não-convencionais, contraterrorismo e operações de informação:

Os fatores que servem de ponta de lança para a agressão contra a Venezuela, em primeiro lugar, têm uma dimensão psicológica, que se apoia no conceito de “diáspora venezuelana”. Esta representa uma das maiores campanhas de intervenção psicológica que têm tido lugar e seu enfoque é dirigido à juventude. O chamado é a emigrar como única saída da crise política e econômica que se vive no país. O tom das mensagens que inundam as redes sociais, programas de televisão e de rádio, simplificam a complexa realidade através de um único culpado: Nicolás Maduro.

Nesta campanha propagandística impulsionada através da Internet, foram investidas enormes somas de dinheiro para posicionar nos principais resultados de pesquisas, assim como na publicidade que aparece nos aplicativos e jogos baixados nos celulares, tutoriais, notícias, histórias de êxito que reforçam a ideia de emigrar. Essa tática não é inocente. Tenta-se utilizar esse fenômeno como base para legitimar, como veremos mais adiante, o argumento de intervenção por causas “humanitárias”.

É aí que se encaixa o montante injetado pelo governo dos EUA no Brasil, para, supostamente, melhorar as condições de acolhimento de imigrantes venezuelanos. Trata-se de estimular a vinda de venezuelanos, oferecendo benefícios diretos, pagos pelos EUA. Induzem, assim a “onda de refugiados”, para uma mais profunda desestabilização da Venezuela, inclusive retirando capital humano de alta qualificação técnica e profissional na tentativa de impedir a recuperação do país.

Essa estratégia não é nova. Desde os tempos da Guerra Fria ela vem sendo adotada, com leis especiais e campanhas sistemáticas em meios de comunicação hegemônicos e clandestinos incitando cidadãos da Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Hungria, Cuba e Coreia do Norte (essas duas últimas, ainda em vigor) a emigrarem para o “mundo livre”. Não é a toa que Mike Pence utiliza os mesmos termos de 50 anos atrás para se referir à situação na Venezuela.

PS: O repasse de dinheiro para o governo brasileiro também é uma forma de recompensá-lo por seguir ao pé da letra todas as ordens da Casa Branca em relação à Venezuela, como as votações favoráveis para suspender a Venezuela do Mercosul e da OEA e o desmantelamento da Unasul. “Obrigado pelo apoio aos venezuelanos e pela liderança ao enfrentar regimes autoritários”, disse Pence a Temer.

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