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Os capitalistas da indústria da carne e Donald Trump são responsáveis diretos por aumentar a taxa de contaminação do coronavírus
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Logotipo da JBS em uma fábrica no estado americano do Colorado. Imagem: reprodução. |

A classe trabalhadora de todos os países capitalistas tem sofrido há séculos com ataques às suas condições de vida. O arsenal usado pela burguesia está repleto de armas de destruição em massa: desemprego, redução de salários, suspensão de contratos de trabalho. O problema é que agora, em plena pandemia do coronavírus, os operários também tem sido forçados a trabalhar sem condições mínimas de segurança e inclusive com sintomas de Covid-19.

No caso da indústria de carne dos EUA, Donald Trump recorreu a uma lei da época da Guerra da Coréia para que os frigoríficos sejam obrigados a funcionar, alegando que o processamento de carne é “infraestrutura crítica”. O problema é que esse decreto protege essas empresas de processos trabalhistas. Segundo Kim Cordova, presidente do sindicato dos trabalhadores dessa indústria no Colorado, “muitos desses trabalhadores não têm licença médica remunerada. Agora que as fábricas são forçadas a ficar abertas, se eles ficarem assustados em voltar ao trabalho não poderão receber seguro-desemprego. Eles têm que tomar decisões difíceis, entre devastação financeira ou ir ao trabalho e potencialmente morrer ou passar o vírus para suas famílias.”

No Colorado, segundo o sindicato local, sete funcionários da brasileira JBS já morreram e 285 testes tiveram resultado positivo. Kim Cordova afirma que a empresa só testa pessoas com sintomas, mesmo tendo já recebido recursos do governo federal para testar todos os funcionários. “Eles começaram a testar os gerentes e ficou claro que os testes estavam voltando com uma taxa de resultados positivos alarmante. Pararam abruptamente. Acredito que, como os números eram muito altos, eles não queriam que o mundo soubesse quão doentes esses trabalhadores estavam.”, diz Kim.

No estado de Nebraska, 12 frigoríficos com quase 20 mil funcionários foram já afetados pelo coronavírus, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC). Os imigrantes são os mais expostos ao coronavírus, sendo que em Nebraska eles representam 66% da força de trabalho dessa indústria.

Segundo o CDC, são 115 frigoríficos em 19 estados com contaminação. Os estados mais afetados são os já mencionados Colorado e Nebraska, e também Delaware, Geórgia, Iowa, Pensilvânia, Dakota do Sul e Wisconsin. São quase cinco mil casos entre 130 mil trabalhadores, com 20 mortes confirmadas.

Nessa indústria de processamento de carnes metade dos funcionários é imigrante, sendo que a maior parte é latina, o que os coloca como o grupo populacional mais exposto ao coronavírus nos EUA.

O que vemos aqui é que quando se força as empresas a funcionarem de qualquer jeito, na verdade quem é forçado é o operário, porque é ele quem sempre trabalha e não os parasitas da diretoria. Além disso, como a imensa maioria dos trabalhadores, esses operários não tem como trabalhar de casa, fazendo o tal do home office tão caro para as classes média e alta da sociedade burguesa.

No caso específico da indústria de processamento de carnes dos EUA, esse absurdo chega ao ponto de obrigar os trabalhadores a irem para o trabalho com sintomas de Covid-19. O único jeito de ficar em casa, então, seria testar positivo para a doença, mas como foi relatado em relação à JBS, eles pararam de testar.

Nesse contexto de pandemia global, e com o desemprego subindo como nunca antes, os trabalhadores dos EUA se sujeitam à contaminação. Perder o emprego nos EUA significa perder o seguro-saúde, o que aumenta mais ainda o terror de ficar desempregado em um país que não tem sistema público e universal de saúde.

O que está ocorrendo com esses trabalhadores é um crime que não se restringe apenas a eles, pois sabe-se que existe contaminação e pessoas já doentes trabalhando e manuseando produtos que serão manuseados por quem os transporta, vende e consome, além do contágio direto entre esses trabalhadores e as pessoas com quem convivem.

Há séculos que o capitalismo tem forçado os trabalhadores a se sujeitarem à exploração nas fábricas, seja pela baioneta ou pela fome. Isso não mudou e só vai mudar com a mobilização dos trabalhadores, o que é e sempre foi a forma de botar um freio nesses abusos. Os trabalhadores do mundo todo tem que parar de trabalhar imediatamente enquanto não existirem condições sanitárias adequadas.

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