EUA fizeram com a Síria o que fizeram com Lula no Brasil: punição sem provas

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Um fato pouco citado nas notícias sobre o mais recente ataque do imperialismo norte-americano à Síria é que uma equipe da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) já se encontrava em Damasco pronta para apurar os fatos relacionados ao alegado ataque químico atribuído ao governo sírio. O bombardeio levado a cabo sob a liderança dos Estados Unidos impediu que a missão fosse iniciada o que frustrou pelo menos temporariamente o esclarecimento sobre o que realmente aconteceu (ou não aconteceu) em Duma, cidade onde teria se dado o ataque. Assim até o momento não há nenhuma prova de que um ataque tenha ocorrido e muito menos de quem seriam os seus autores. A “punição” feita ao governo sírio foi realizada sem a apresentação de qualquer prova ou mesmo de indício de que o governo sírio tenha lançado algum ataque com armas químicas contra a população conforme alegado por Washington.

A fabricação de acontecimentos falsos para dar pretexto a atos de agressão a outros países não é nada novo na história da política externa de Tio Sam. Em 1898 o navio de guerra estadunidense, “Maine” explodiu na Baía de Havana, o que deu início à Guerra Hispano-Americana vencida pelos Estados Unidos. Como resultado Cuba, Porto Rico, Guam e as Filipinas passaram ao domínio estadunidense. A guerra contra a Espanha foi precedida de uma campanha de propaganda conduzida pelos jornais de propriedade do magnata Randolph Hearst incitando a opinião pública à guerra. Anos mais tarde foi provado que a explosão ocorreu de dentro para fora do navio em razão de explosão do carvão ou mais provavelmente de uma bomba, o que elimina a possibilidade de um ataque inimigo.

Nos tempos mais recentes a criação de falsos pretextos começou no ataque imperialista à Iugoslávia em 1992 e desde então tem sido empregada à exaustão. A utilização em excesso, a evolução da tecnologia das comunicações e o surgimento ainda que restrito de um público mais bem informado tem cada vez mais rapidamente desmascarado os verdadeiros interesses que se escondem atrás das mentiras e sofismas que cercam esses incidentes.

Este último incidente em Douma, talvez devido à urgência por causa da iminente inspeção da OPCW, foi uma encenação das mais grotescas. Um dos vídeos exibidos na imprensa como “gravados logo após o ataque químico” iniciava pela exibição da claquete. No momento ninguém com um grau razoável de informação acredita que um ataque com armas químicas tenha ocorrido ali.

Algo que chama a atenção nesses incidentes é que a fórmula empregada na arena internacional também é utilizada na política interna de diversos países. Os traços gerais desse último acontecimento na Síria guardam muita semelhança com os processos judiciais contra políticos de esquerda no Brasil cujo caso mais notório é o do ex-presidente Lula. Inventa-se um fato, move-se uma campanha de desinformação pela imprensa corporativa, viola-se as normas legais e se obtém a final a destruição de um país ou de uma pessoa.