EUA deram o golpe e colocaram Bolsonaro no poder: chegou a hora de entregar o “Brazil”

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O imperialismo investiu pesado para promover o fascista Jair Bolsonaro à presidência da República. Primeiro, impulsionando o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff desde 2012, que desencadeou em seu impeachment em 2016. Depois, levando adiante o caótico governo de Michel Temer. Em seguida, implementando a maior perseguição política desde os tempos da ditadura militar, ao prender e deixar inelegível o ex-presidente Lula. E, finalmente, diante de um cenário de crise, elegendo Bolsonaro.

Agora, os Estados Unidos querem colher os resultados de todo esse processo, de maneira completa. O principal objetivo é sugar todas as riquezas e recursos nacionais, saquear e economia brasileira. Abrir a economia do País, como dizem os técnicos neoliberais. Ou seja, arrombar as portas da nação para roubar tudo o que conseguir.

“Há espaço para essa abertura e acho que ela reduziria o apetite de Washington e da Casa Branca de usar instrumentos como tarifas e cotas.” Essa frase de Thomas Shannon é extremamente reveladora da política de controle do imperialismo sobre as nações oprimidas, como o Brasil. Os EUA têm imposto barreiras comerciais a diversos produtos brasileiros, como de outros países, em uma política amplamente difundida como protecionista do governo de Donald Trump, que tem a guerra comercial com a China um capítulo de perigo crescente.

No entanto, isso representa mais do que o mero protecionismo. Representa a política de chantagem sobre os países que o imperialismo trata de submeter, impondo medidas para dobrar o País a ser completamente dominado. No caso do Brasil, serve como uma determinação, uma ordem, ao seu novo capacho, Bolsonaro. Algo como: “Colocamos você aí para que trabalhe para nós. Agora, ao trabalho!”

Shannon não é qualquer um. Foi um importante agente do golpe de Estado patrocinado pelos EUA no Brasil. Entre 2010 e 2013, atuou como embaixador norte-americano no País, ajudando a planejar cada passo da ação golpista (um dos principais serviços executados pelos funcionários do governo dos EUA nos países em que atuam com certa liberdade).

“As áreas que têm potencial de avanço continuam as mesmas. Uma delas é, obviamente o comércio. Brasil e EUA precisam focar em investimento e mercado”, declarou o diplomata, em entrevista ao jornal golpista Folha de S. Paulo.

É exatamente o que o governo Bolsonaro já está tratando de fazer: organizar a entrega do País ao imperialismo. Cheio de “Chicago Boys” (economistas formados pela Escola de Chicago, ponta de lança do pensamento neoliberal) e de “técnicos” com o único objetivo de privatizar o que restou das empresas estatais, o governo de extrema-direita que irá assumir ano que vem entende perfeitamente o recado de seus patrões.

Para garantir a entrega da economia nacional, Bolsonaro também está preenchendo seu governo com militares do alto escalão, um mais pró-imperialista e linha-dura do que o outro. Está claro que haverá uma perfeita submissão geoestratégica aos EUA. A disposição de transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, de encerrar a embaixada da Palestina em Brasília, de coordenação com os demais governos entreguistas da América Latina e, especialmente, de ser bucha de canhão para uma possível invasão da Venezuela, são evidências disso.

A sintonia é visível. Shannon avisou, na mesma entrevista, que o Brasil vai se submeter militarmente aos EUA. Isso significa um controle ainda mais forte das Forças Armadas brasileiras pelos norte-americanos. Assim, as pressões e possível participação do governo entreguista em uma invasão da Venezuela estão cada vez mais próximas. O ex-embaixador inclusive “sugeriu” o fim da venda de alimentos do Brasil para a Venezuela (que, historicamente, é dependente da importação de alimentos), o que elevaria a escassez (causada justamente por isso, e pelo boicote da burguesia interna na distribuição desses produtos) e justificaria uma intervenção “humanitária” (proposta pelo próprio Shannon) para derrubar Nicolás Maduro.

Tudo isso explicita a política de submissão do governo de Bolsonaro ao imperialismo, que já está, publicamente e sem qualquer cerimônia, impondo a linha a ser seguida pelo seu fantoche. Para impedir isso, o movimento popular e as organizações de classe, como CUT, MST e PT, dentre outras, devem se organizar para combater tal entreguismo, porque só a mobilização efetiva das classes exploradas pode barrar o avanço do imperialismo e derrotar suas marionetes de extrema-direita.