Barbárie capitalista
No país mais rico do mundo os trabalhadores são condenados à trabalhar sem segurança na pandemia ou ficar sem renda alguma
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Endereço do verdadeiro centro de poder dos EUA | Alex Proimos

Muitos trabalhadores norte-americanos que ficaram sem trabalhar durante o isolamento social, decorrente da pandemia do coronavírus, tiveram seus direitos ao seguro-desemprego suspenso por se recusarem a voltar ao trabalho sem as devidas garantias de segurança contra a contaminação.

Um desses casos é o de Jake Lyon, 23 anos. Ele e seus colegas de trabalho de uma casa de chá em Fort Collins, Colorado, pediram aos proprietários que adiassem a reabertura e se reunissem com eles para discutir medidas de segurança. Apenas essa preocupação com a saúde deles e de toda a comunidade foi suficiente para custar o emprego de seis deles, e ainda foram denunciados pelo ex-empregador ao departamento de desemprego do estado, o que os fez perderem o seguro-desemprego. “Vocês todos se recusaram a voltar ao trabalho”, escreveu o ex-chefe em um e-mail.

Mark Adani, vendedor de carros no subúrbio de Detroit, passou semanas trabalhando em casa para evitar o coronavírus. Ele tem 71 anos, pressão alta e uma esposa com problemas cardíacos. Mesmo assim, recentemente recebeu um ultimato de sua concessionária: volte ao escritório ou considere um novo emprego.

“Estou condenado se eu for trabalhar, e condenado se não for trabalhar”, disse ele.

Adani disse que um colega já havia morrido de Covid-19. Ele ainda tentou ajuda de alguém do sistema de seguro-desemprego extremamente sobrecarregado do estado de Michigan que pudesse responder se ele poderia se recusar a voltar ao trabalho e ainda manter seus benefícios. Sem resposta, ele decidiu voltar.

Nos EUA os direitos trabalhistas praticamente não existem. E mesmo com esse nível tão baixo de proteção, alguns estados conseguem ser piores que outros. Essa disparidade tem feito com que os estados com histórico de proteções trabalhistas ainda mais fracos venham incentivando os empregadores a denunciar os trabalhadores que não retornam aos seus empregos, citando leis estaduais que desqualificam as pessoas para receber o seguro-desemprego caso recusem uma oferta “razoável” de trabalho.

O estado de Oklahoma chegou a disponibilizar um endereço de e-mail ,o “Return To Work”, para que as empresas possam denunciar funcionários que se recusem a trabalhar. O mesmo fez o estado de Ohio.

Alabama, Oklahoma e Carolina do Sul estão entre os vários estados que disseram aos trabalhadores que não podem continuar recebendo o seguro-desemprego se recusarem trabalho. O estado do Missouri recebeu 982 denúncias contra trabalhadores.

No Tennessee, onde 735 trabalhadores foram denunciados por se recusarem a voltar ao trabalho, o comissário estadual do Trabalho anunciou que o medo de contrair o coronavírus não era uma desculpa boa o suficiente para não voltar. Para continuar a se qualificar para o seguro-desemprego, os trabalhadores precisam ser diretamente afetados pelo vírus: eles devem ter um caso diagnosticado de Covid-19, cuidar de um paciente ou estar confinados em quarentena.

Advogados trabalhistas e sindicatos denunciam que esse esforço do estado em retirar direitos de trabalhadores legitimamente preocupados com a própria saúde e a das pessoas com quem convivem leva a riscos maiores ainda numa época de pandemia. Não podemos esquecer que os frigoríficos, call centers, fábricas e outros espaços confinados tem se mostrado lugares extremamente propícios para a disseminação da Covid-19. Esse tipo de ameaça contra o trabalhador estimula o trabalho sem segurança, o que aumenta a taxa de contaminação da doença como um todo. Mas essa definitivamente não é a preocupação do Estado burguês norte-americano. Afinal, em um país onde saúde não é direito de todos e nem dever do Estado, os trabalhadores desempregados e sem seguro-saúde podem morrer à vontade de fome ou de Covid-19, e caso fiquem doentes trabalhando não terão que ser tratados pelo Estado mesmo.

“Suas escolhas são: ‘Volto a arriscar minha vida, ou digo não e corro o risco de ser expulso do seguro-desemprego, me tornando incapaz de pagar minhas contas?'”, Disse Rachel Bussett, advogada de trabalho em Oklahoma, onde 179 empresas delataram trabalhadores para a agência de desemprego.

Com essa política descaradamente genocida, em meio ao terror de uma pandemia e do desemprego – os dados mais recentes mostram que os pedidos de seguro-desemprego desde o início da pandemia estão perto do número absurdamente obsceno de 50 milhões! -, os patrões tem tido ajuda para relaxar nas medidas de segurança e higiene dos locais de trabalho e o Estado capitalista tem conseguido economizar cortando mais um benefício dos trabalhadores.

E não estamos nem falando das recusas aos pedidos de seguro-desemprego decorrentes de “falhas de sistema” e outras ridículas desculpas burocráticas, muito semelhantes com o que ocorre aqui no Brasil com a esmola de R$ 600,00 apelidada de “auxílio emergencial”.

A classe trabalhadora norte-americana está sendo dizimada pela miséria, Covid-19 e a violência estatal. As manifestações que já passam de dez dias depois que George Floyd – trabalhador negro que perdeu o emprego em plena pandemia – foi assassinado pelo Estado capitalista norte-americano, com certeza já tem como um de seus impulsionadores o ódio contra esse sistema neoliberal que condena o povo a adoecer trabalhando e morrer de Covid-19 ou ficar desempregado e morrer de fome. Esse ódio tende a crescer e só vai cessar quando os EUA tiverem um governo dos trabalhadores.

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