Domínio dos monopólios
O que explica a liberação abrupta de duas vacinas contra o vírus no país que até o momento não fez quase nada para combater a crise? A política e a economia explicam.
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FILE PHOTO: A sign marks the headquarters of Moderna Therapeutics, which is developing a vaccine against the coronavirus disease (COVID-19), in Cambridge, Massachusetts, U.S., May 18, 2020.   REUTERS/Brian Snyder/File Photo
Fachada dos escritórios da Moderna Therapeutics, em Massachusetts | Foto: REUTERS/Brian Snyder

Nesta sexta-feira (18/12), a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), agência reguladora dos EUA equivalente à Anvisa no Brasil, concedeu autorização para o uso emergencial da vacina contra a Covid-19 fabricada pela empresa farmacêutica Moderna.

O imunizante é o segundo aprovado no país. Na semana passada, o mesmo procedimento já havia aprovado o uso da vacina produzida pela americana Pfizer em parceria com a alemã BioNTech, o que permitiu a aplicação das primeiras três milhões de doses esta semana no país.

A segunda vacina aprovada num intervalo de cerca de uma semana ocorre no país mais afetado do mundo pela pandemia até o momento. A nação capitalista mais poderosa do planeta já ultrapassou os 17 milhões de casos de contaminação e alcançou o recorde de mais de 300 mil mortes causadas pelo vírus. Os números da pandemia, inclusive, não param de crescer. Apenas para citar os dados mais atualizados no instante em que fechamos esta edição do Diário Causa Operária, os EUA registraram 249.709 novos casos e 2.814 mortes relacionadas ao novo coronavírus, o maior número acumulado em um único dia desde o início da pandemia, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

É curioso notar que o país com o maior número de mortes causadas pelo Covid-19 e que, até agora, não adotou praticamente nenhuma medida eficaz e em grande escala para conter a escalada da pandemia, tenha desenvolvido e aprovado num curtíssimo espaço de tempo duas vacinas para a doença. O que explicaria tão brusca mudança? E por que tudo isso ocorre agora, e não antes?

As razões que explicam esse fato são, antes de tudo, políticas e econômicas.

Em primeiro lugar, não é mera coincidência que o desenvolvimento e a aprovação das vacinas tenham se concretizado imediatamente após a vitória de Joe Biden nas recentes eleições presidenciais. Os setores dominantes do imperialismo norte-americano fizeram um monumental esforço para garantir a vitória do candidato do Partido Democrata, visto como peça central para alinhar novamente a política do governo aos interesses dos grandes monopólios que dirigem a economia mundial, tentando assim contornar a profunda crise em que o regime político estadunidense está imerso.

É importante ter claro que a pandemia do coronavírus aprofundou as rachaduras já existentes nesse regime político. A alastramento geral das contaminações e mortes pôs em cheque as instituições políticas norte-americanas, que não conseguiram responder minimamente aos problemas gerados por um vírus que está longe de ser um bicho de sete cabeças. A desorganização do regime, a ausência de medidas de prevenção, o sucateamento do sistema de saúde, a inexistência de planejamento, a paralisia diante da catástrofe sanitária – tudo isso ficou exposto com a pandemia do coronavírus e elevou a crise do regime político a um novo patamar. Nesse sentido, uma das grandes preocupações da classe dominante norte-americana era administrar politicamente a crise. A aprovação a toque de caixa das vacinas e a implementação repentina de um plano de vacinação no país respondem a essa necessidade, a necessidade de administrar a crise.

Em segundo lugar, há o problema econômico em torno do qual gira a questão da vacina. Algumas estimativas afirmam que, na hipótese de um plano de vacinação universal contra a Covid-19, seria necessário algo como 15 bilhões de doses. Trata-se, como é óbvio, de um negócio trilionário para as empresas capitalistas do ramo farmacêutico. A “corrida para a vacina” que presenciamos cotidianamente nas páginas dos jornais da burguesia não são senão o reflexo da guerra dos grandes monopólios capitalistas para dominar esse mercado que apresenta grandes perspectivas de lucratividade.

A disputa econômica em torno da vacina adquiriu um caráter ainda mais importante na medida em que países como China e Rússia largaram na frente na produção dos imunizantes. As grandes empresas monopolistas que dominam esse mercado, sobretudo aquelas do imperialismo norte-americano e europeu, se viram obrigadas a se movimentar, preocupadas em não perder sua posição econômicas e o que talvez seja o negócio potencialmente mais lucrativo da atualidade. A abrupta fabricação e aprovação das duas vacinas nos EUA também não podem ser compreendidas fora desse marco caracterizado pela “guerra surda” dos monopólios.

A conclusão de todo esse quadro geral é uma só: na questão da vacina, o determinante não são os interesses da população, mas sim os interesses políticos e econômicos das grandes forças capitalistas que dominam a economia mundial. Qual vacina será empregada para a imunizar a população? A melhor e mais eficiente? A mais barata? A que gera menos efeitos colaterais? A que oferece melhores e mais rápidas possibilidades de produção? Não. Na fase atual em que vivemos, de decadência e putrefação do capitalismo, a vacina a ser empregada será aquela que os grandes monopólios da indústria farmacêutica e seus funcionários políticos quiserem, no tempo em que quiserem, segundo os termos e condições que quiserem.

 

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