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Na última segunda (26), o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Sérgio Etchegoyen, disse que “nenhum de nós se incomoda de ser fotografado para passar na imigração dos Estados unidos para ir comprar enxoval do neto ou dos filhos, ou para levar os filhos ou netos para a Disney”. Com esse argumento, o militar pretendia justificar um procedimento das Forças Armadas nas regiões pobres do Rio de Janeiro. Desde a semana passada, soldados sistematicamente identificam e fotografam nas ruas os moradores das comunidades da Vila Kennedy, Vila Aliança e Coréia, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O paralelo feito por Etchegoyen é inapropriado do início ao fim.

Se os norte-americanos se reservam o direito de humilhar aqueles que entram em seu país – dependendo de sua nacionalidade e proveniência –, tal conduta não pode em absoluto ser tomada como padrão de procedimento de forças de segurança pública dentro do Brasil, onde os cidadãos têm o direito constitucional de ir e vir sem serem molestados.

Acresce que o general dirigiu-se evidentemente à pequena-burguesia – que tem o hábito de fazer compras em Miami –, como que fornecendo um argumento (evidentemente falacioso) para os direitistas de classe média que apoiam a intervenção militar. Talvez estivesse pensando numa célebre foto de uma criança nos ombros de um coxinha com o cartaz “Eu quero voltar a ir à Disney”, num ato a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

Os moradores das comunidades atingidas não fazem compras no exterior, não vão à Disney, não se identificam com esse argumento e são constrangidos e humilhados a se identificarem aos soldados em seus próprios bairros. Evidentemente os moradores de Ipanema e do Leblon – onde vivem os grandes chefes do tráfico carioca – não estão sendo importunados pelos militares.

Por fim, Etchegoyen revela a quem serve: para o imperialismo norte-americano, tudo, para os brasileiros, nada. O general não se incomoda em ser capacho do capital estrangeiro, não se incomoda em ver os brasileiros passarem por tal humilhação, a ponto de aplicá-la indiscriminadamente nas ruas.

A atitude e o tipo de raciocínio mostram que a direita fascista se sente à vontade para aplicar ações arbitrárias de força contra a população. São indícios do aprofundamento do estado de exceção e da aproximação de uma ditadura militar, por “aproximações sucessivas”, até um ponto em que será novamente considerado normal a prática da perseguição, da tortura e do assassinato sistemático de opositores ao regime.

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