Ataque contra a universidade
A atitude do reitor Júlio Sá é um ataque bolsonarista contra educação pública de ensino superior, e aos direitos democráticos da população de Oiapoque

Por: Redação do Diário Causa Operária

No dia 9 de fevereiro o reitor da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Júlio Sá, a serviço do governo Bolsonaro, encaminhou para a Ministério da Educação (MEC) dois ofícios que solicitavam a dissolução dos cursos de Enfermagem e Direito do campus Unifap-Oiapoque, localizado no norte do estado do Amapá, na divisa com a Guiana Francesa, e por isso é Binacional. A intenção do reitor é transferir o curso para o campus de Santana, no Macapá, para uma distância de mais de 600 km de Oiapoque.

A atitude do reitor se trata de um ataque bolsonarista contra a educação pública de ensino superior, e aos direitos democráticos da população de Oiapoque.

Além de um ataque contra a educação pública, a ação de Júlio Sá foi completamente golpista e canalha. A comunidade acadêmica, entre professores, estudantes e população, só ficou sabendo da decisão dias após, quando a informação teria saído no canal de comunicação oficial do campus. Isso quer dizer: o reitor golpista sabe que a decisão é completamente impopular e vai afetar drasticamente a população oiapoquense.

O agente do governo Bolsonaro, Júlio Sá, deu diversas desculpas para roubar da população o direito aos cursos. Segundo ele, a falta de vagas e oportunidades em Oiapoque para estágios necessários para conclusão do curso, a quantidade insuficiente de estudantes para a formação das turmas, a evacuação dos estudantes durante a pandemia, o custo que ele teria com professores tornaria a permanência dos cursos algo muito “oneroso”, ou seja, caro.

Todas essas são desculpas esfarrapadas e escancaram que o reitor está em colaboração com a política bolsonarista de destruição da universidade pública. Júlio Sá agiu de forma oportunista e aproveitou o caos que os próprios bolsonaristas causaram durante a pandemia para destruir mais dois cursos da Unifap-Oiapoque.

O campus contava, até um passado recente, com nove cursos. O curso de licenciatura em química foi dissolvido pela política de cortes da direita, e agora estão tentando destruir mais dois (enfermagem e direito), deixando o campus apenas com seis, o que seria a razão perfeita para construir a história mirabolante de fechamento de um campus com poucos cursos.

Embora o financiamento do curso seja oneroso, o caso se trata de um investimento público para o desenvolvimento do ensino superior no País e no direito democrático da população ao ensino. Quem decide se irá acabar com ele é a população e mais ninguém. Se o curso apresenta dificuldades de continuar, a atitude certa estaria em convocar toda a comunidade acadêmica e a população para encontrar soluções.

A universidade pública funciona para além do setor de educação, cumprindo também funções de investimento público nos setores de pesquisa científica e tecnologias, qualificação dos trabalhadores brasileiros, incentivo ao comércio, à indústria e à cultura. Isto é, o campus mobiliza toda a cidade de Oiapoque não apenas se tratando de educação, o que torna o ataque do reitor um ataque à população amapaense.

Cerca de 30% da população oiapoquense é indígena, vivem na região os povos Karipuna, Galibi Marwono, Galibi kali’na e Palikur. Eles são representados pelo Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque, que se manifestou denunciando o ataque. Além dos povos indígenas, a Associação Quilombola dos Remanescentes de Vila Velha, instituição de representação de trabalhadores negros quilombolas, e o Conselho Indígena Missionário, órgão ligado a CNBB se manifestaram contra a decisão do reitor.

No dia 25 de fevereiro, militantes do movimento estudantil, coordenados pela UNE (União Nacional dos Estudantes) denunciaram a atitude golpista de Júlio Sá em manifestação na cidade de Oiapoque. Os manifestantes destacam a transferência dos cursos como um retrocesso. “Todos foram pegos de surpresa, não houve nenhuma audiência pública com o município de Oiapoque, em nenhum momento os estudantes ou com nós representantes foram consultados. Foi uma movimentação muito arbitrária”, como declara Geiza Miranda, diretora da UNE e coordenadora do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Unifap.

O movimento estudantil em Oiapoque – AP deve seguir a política da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), movimento da juventude operária do Partido da Causa Operária (PCO), e mobilizar toda a comunidade acadêmica, entre estudantes, professores, trabalhadores técnicos e a população para denunciar a política bolsonarista da reitoria.

Este se trata de mais um ataque do governo Bolsonaro contra a educação pública de ensino superior. A política da extrema-direita busca expulsar estudantes da universidade, tirando toda e qualquer condição de acesso, busca destruir a universidade através dos cortes, e roubar o direito democrático dos estudantes de acesso ao ensino superior, que é garantido pela Constituição Federal. Fora Bolsonaro!

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