Greve para barrar bolsonarismo
Companheiros do IFRN se radicalizam contra a intervenção e passam a organizar uma greve. Em entrevista a Causa Operária, denunciam fascismo e os novos empecilhos para mobilização
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Estudantes do IFRN em ato contra as intervenções em todo País. | Foto: Reprodução

O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) está a quase seis meses sob as garras de um reitor interventor. Josué de Oliveira Moreira, nomeado pelo MEC 30 dias após se filiar no PSL, já encaminha a destruição completa da instituição. Trata-se de “um pacote completo do governo Bolsonaro”, como classificou um dos coordenadores da rede de grêmios do instituto federal do Rio Grande do Norte (REGIF). De fato, os estudantes estão sendo usados de cobaia para testar o plano bolsonarista para todas as instituições de ensino e, por isso, os estudantes já organizaram atos, piquetes, assembleias e agora se mobilizam por uma greve contra o ensino à distância, o interventor e pelo Fora Bolsonaro.

O primeiro campus a paralisar foi o de Natal-Cidade Alta, no qual estudantes dos primeiros, segundos e terceiros anos estão boicotando o Ead. Eles denunciam, em um primeiro momento, o descaso da reitoria bolsonarista para a distribuição dos prometidos auxílios de internet e de aparelhos eletrônicos. Mesmo com as aulas iniciadas no dia 5 de outubro, diversos alunos ainda não receberam o auxílio prometido.

É importante compreender que tal “assistência social” não passa de uma demagogia para subornar o movimento estudantil. Os auxílios são propositalmente insuficientes frente a tamanha crise financeira e a necessidade de um grande investimento de dinheiro, tempo e saúde mental para que o aluno aprenda qualquer coisa com o Ead. Como informado pelo próprio REGIF, 90% do campus é composto por estudantes de baixa renda, sendo que dentre eles, 20% não tem a mínima condição para participar. Apesar disso, o vice-interventor disse que mesmo com 8 mil estudantes completamente excluídos, seria importante continuar as aulas.

Vale ressaltar que além de excluir a periferia das escolas e universidades, o ensino à distância tem como objetivo final  destruir o ensino público e desmontar a política estudantil. Como as instituições físicas são abandonadas, dificulta-se a criação de laços políticos bem como fortalece-se a perseguição e a repressão. Neste momento em que todo o movimento estudantil precisa de um impulso para superar as as dificuldades das mobilizações a distância, os estudantes do IFRN reclamam o abandono completo das grandes entidades estudantis como a UNE e a UBES. Um exemplo foi que em um pedido de meros 500 reais para confeccionarem suas faixas contra a intervenção, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas deferiu, assim como fechou sua sede para um suposto “fica em casa” enquanto a população é forçada a sair as ruas e a educação é destruída.

 A intervenção no IFRN não esconde seu caráter fascista”, como ficou claro no episódio do começo de agosto, quando l o interventor alegou à PM que estava sendo mantido como refém por 30 estudantes que estavam apenas se manifestando, provocando a prisão dos estudantes com a chegada de 4 viaturas policiais. O bolsonarista, desprovido de qualidades técnicas, pediu desculpas pelo alarme aos policiais.

Uma discussão crucial colocada pelos companheiros para todo o movimento da juventude na luta política é uma confusão relacionada aos últimos anos. No caso do IFRN, seriam os quartos anos, nos quais alguns estudantes optam por furar a greve para conseguir um diploma e posteriormente procurar um emprego. O movimento estudantil precisa considerar tal argumentação como uma mera confusão política, um desvio da própria luta política para bens econômicos e individuais de cada estudante. Afinal, arranjar um emprego na maior crise financeira da história não é um feitio muito fácil, especialmente sendo jovem, assim como passar em um vestibular no meio da precarização e destruição do ensino público. A política correta, proposta pela Aliança da Juventude Revolucionária em defesa da greve, é cancelar o calendário letivo justamente para fortalecer a luta dos estudantes e dos trabalhadores, que podem além de organizar grupos de estudos, derrubar os golpistas e alcançar verdadeiras condições de trabalho, lutar pelo livre ingresso nas universidades.

Assim, para ter qualquer perspectiva de vitória, tanto contra o EaD e a campanha criminosa pela volta às aulas, quanto contra a intervenção bolsonarista, os estudantes precisam fortalecer a campanha da greve, bem como os atos e os piquetes virtuais. A confiança nas instituições já se mostrou inócua, bem como as atuais direções das entidades estudantis. Não só o interventor foi nomeado sem ter sido votado, como a própria justiça que emitiu um mandato para retirá-lo foi barrada pelo MEC. Agora, ao invés de aguardar um milagre judicial como esperam os servidores, os estudantes precisam superar todas as dificuldades para a mobilização, muitas delas impostas pelo próprio ensino remoto, e assim, organizar um grande e combativo movimento para derrubar o interventor e todos os outros bolsonaristas.

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