Estreia amanhã o filme “Marighella” no Festival de Berlim

MARIGHELLA

O filme “Mariguella” estreia amanhã(15) no Festival de Berlim, um dos mais importantes festivais de cinema do mundo. Dirigido pelo ator Wagner Moura, conhecido por interpretar o personagem Capitão Nascimento no filme “Tropa de Elite”, o longa-metragem foi baseado na biografia de Carlos Marighella, escrita por Mário Magalhães, e tem o cantor Seu Jorge como protagonista.

Ao ser questionado sobre a adaptação do seu livro para as telas de cinema, Magalhães a define como um ato de coragem “ainda mais em tempo de novos censores, que querem impedir que se conte a história como a história aconteceu. Ninguém é obrigado a gostar de Marighella. Mas julgá-lo sem conhecer sua trajetória é estupidez. Marighella nunca provocou tanto amor e tanto ódio. Ele está mais vivo do que nunca”.

Em entrevista exclusiva ao canal Brasil de Fato, Wagner Moura afirma que sempre viu em Mariguella uma referência de resistência e resolveu contar a sua história misturando drama e ação com destaque para o período mais radical como guerrilheiro. Para ele, reconstruir parte da trajetória de Mariguella como militante comunista desde a juventude e falar dele também como poeta, como deputado federal e como fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN) foi um desafio. De acordo com o diretor, “o recorte temporal é do golpe de 1964 até a morte de Marighella em 1969 – os últimos cinco anos de sua vida. Esse Marighella é o cara que resolve ir para a luta armada, resolve que a única possibilidade de lutar pela democracia, justiça social, liberdade, igualdade, é essa. Escolher esse recorte é retratar o Marighella radical”.

Apesar das dificuldades de financiamento, o filme é destaque no Festival de Berlim, mesmo fora da competição. Wagner Moura afirma que “existiu totalmente um boicote. Embora o filme vá estrear em 2019 no governo Bolsonaro – na época em que a gente estava filmando parecia uma piada isso – mas já vivíamos uma polarização grande e um crescimento do conservadorismo. Eu que sempre fui um artista identificado com a esquerda, então ficou ‘o petralha fazendo filme sobre o terrorista’ e ninguém queria se associar a isso. A gente recebeu respostas agressivas, mas estou seguro do filme que fiz e preparado para a porrada”.

O filme ainda não tem data para estrear no Brasil.