Estaremos vivos ao final da maratona rumo a 2022?

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Em recente programa no canal do youtube TV 247 (05/08), o analista político petista, Breno Altman, expõe – em linhas gerais – as ideias que vem apresentando sobre a atual agravamento da crise política do regime golpistas e, mais particularmente, sobre o governo ilegítimo de Jair Bolsonaro. Uma situação que levando a que setores da esquerda, e até mesmo, da burguesia, formulem a questão do fim do governo. Na maioria dos casos, por meio do impeachment (pela via do parlamento dominado pela direita golpista) ou como propõe o PCO (Partido da Causa Operária) e este Diário, por meio de uma mobilização revolucionária, que leve à derrubada de Bolsonaro e de todos os golpistas e à convocação de eleições gerais, livres e democráticas, com a liberdade de Lula e sua candidatura à presidência como é vontade de ampla parcela da população e da maioria das organizações de luta dos explorados, do campo e da cidade.

No programa, Breno repete sua tese, já há muito anunciada em dezenas de oportunidades, como em reuniões do ativismo que luta contra o golpe, de que a esquerda (ou o “campo progressista”, como ele prefere) estaria diante de uma situação na qual “não se trata de um corrida de 100 metros rasos, mas de uma maratona de 42 km”, para defender sua tese  – e da maioria esmagadora da esquerda burguesa e pequeno burguesa – de que não está colocada a luta pelo “fora Bolsonaro”, mas apenas “batalhas defensivas”, em um “processo longo”, já que por hora – segundo ele – não haveria condições para “batalhas maiores”.

Para embasar sua posição, o articulista, nega em mais uma oportunidade a realidade, como ao afirmar que “Bolsonaro chegou ao governo da República por uma construção muito profunda” e repete a tese conservadora da esquerda de “se formou uma maioria conservadora na sociedade brasileira”, negando o caráter improvisado do governo, o fato de que mesmo nas eleições fraudulentas em que foi “vitorioso”, Bolsonaro foi rejeitado por cerca de 2/3 do eleitorado brasileiro e que o mesmo só foi vitorioso porque a burguesia golpista e o golpe de Estado fraudaram as eleições colocando a maior liderança popular do País e candidato presidencial com amplo apoio nas massas na cadeia por meio de um processo criminoso e da aberta violação da Constituição.

Como fazem os dirigentes da esquerda que defendem uma aproximação com os golpistas do “centrão” e até com o governo Bolsonaro, Breno busca responsabilizar a “sociedade” que teria caído na conversa da direita, afirmando essa tal “construção” teria provocado um deslocamento à direita na sociedade”. Nessa lógica, afirma que “isso leva a uma situação de defensiva”, diante da qual “o campo progressista precisaria se reconstruir, suas forças e a identidade com o povo”, o que para ele se daria em um “processo longo”.

Breno desconsidera até mesmo o fato de que as próprias pesquisas encomendadas, realizadas e divulgadas pelas imprensa golpista, há muito, já não consegue ocultar que Bolsonaro é o presidente com menor apoio popular desde a volta das eleições direitas na década de 80, isso apenas em pouco mais de 7 meses de mandato e que essa crise não para de se agravar diante do avanço da crise econômica e dos duros ataques do governo golpista contra a população.

Breno diz entender que “haja uma  e irritação revolta contra Bolsonaro”, mas afirma que “não podemos extrair disso uma política”. De onde deveria então vir a política, se não da necessidade e da revolta popular e das disposição crescente de luta contra o governo? Segundo o petista, isso só seria possível por meio de uma luta com “milhões nas ruas… como foi na derrubada de Dilma”.

Ele desconsidera o fato de essa política, por “batalhas maiores”, pelo “fora Bolsonaro”, vem embalando milhões não apenas nos atos impulsionados pela esquerda (cuja direção não a apoia), como também em manifestações populares, no carnaval, nos estádios de futebol, em shows musicais etc.

Para Breno, a direita teria conquistado o apoio da maioria, de milhões, como afirmou e falsificou a imprensa golpista, em relação às manifestações de coxinhas, dominadas por setores decompostos da classe média reacionária e pelo lumpemproletariado arrastado pela campanha dos poderosos monopólios de comunicação e, de início, pela covardia da esquerda que, também naquela época afirmava que não havia condições de resistir e defender o governo Dilma contra o golpe ou que isso só era possível por meio de uma frente do “campo progressista”, que não deu em nada.

Breno Altman reconhece que “perdemos várias batalhas”, mas isso – nem de longe – o leva a refletir se não estaria errada a política da esquerda que conduziu essas batalhas, sempre em torno de lutas menores e com uma política defensiva e táticas reacionárias e derrotistas, como a de “pressionar” o Congresso dominado pela direita, dirigir as expectativas para o judiciário golpista, iludir o povo com eleições fraudulentas etc. Tudo isso estaria – supostamente – correto. Não deveria ser alterado.

O que precisaria ser evitado é que nos dediquemos a “batalhas maiores”, pois não haveria condições, segundo ele, para outra coisa que não seja, seguir pelo mesmo caminho de derrotas, pois “as dificuldades para uma batalha pela derrubada do governo seriam ainda maiores” e “a tática passa pelas batalhas defensivas”, as mesmas que foram levadas até agora e que só levaram a derrotas e retrocessos, mesmo diante da evolução política de amplas parcelas das massas.

Para Breno, “não seria possível passar da resistência à ofensiva”, pois isso “só seria possível quando o povo passasse à ofensiva”. Breno fala de uma “vanguarda” da esquerda, mas para ele essa deveria atuar como uma “retaguarda” que só agisse com posições de luta política contra o governo quando a maioria do povo, ou milhões passassem à essa posição.

Com isso repete a mesma cantilena de setores da esquerda que desejaram “boa sorte” para Bolsonaro (como Haddad), que afirmam que “o governo Bolsonaro ainda está verdade, mas vai amadurecer” (como Marcelo Freixo, do PSOL), que apoiam e querem ampliar a “reforma” da Previdência de Bolsonaro (como os governadores da esquerda) e que querem esperar pelas eleições de 2022, porque não vislumbram qualquer possibilidade de derrotar Bolsonaro que não seja nas eleições. A “maratona” do povo” teria que esperar pelo calendário eleitoral da burguesia e por novas eleições, possivelmente fraudulentas como as de 2018, para uma “batalha maior”.

Até lá o povo teria que suportar a “maratona” do desemprego em massa, do aumento da fome, da entrega da economia nacional, da matança promovida pela direita, pela cassação dos direitos democráticos da maioria da população…. “resistindo” à maratona.

Estaremos vivos ao final dessa “maratona”, rumo a 2022?