Estado policial: detenção no Carnaval de Salvador mostra que as câmeras de vigilância são instrumentos de repressão

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Após o golpe de estado contra a presidenta Dilma, em 2016, tem se aprofundado cada vez mais o verdadeiro estado policial contra a população brasileira. Um exemplo disso foi o que aconteceu em Salvador, capital da Bahia durante o carnaval. A cidade que é governada por ACM Neto, do DEM, desde 2016 vem implementando uma política de instalação de câmeras de vigilância, sob o pretexto de se combater a criminalidade.

As câmeras são avançadas. Elas conseguem fazer o reconhecimento facial dos “suspeitos” tendo como base um banco de dados da Secretaria de Segurança Pública. Ao todo, foram gastos quase R$ 2 milhões no projeto. Além das câmeras, durante o carnaval de Salvador a prefeitura acionou drones para vigiar a população nos dias de festas.

Um dos resultados desse verdadeiro estado policial foi a prisão de Marcus Vinicius Jesus de Neri. Seu rosto foi identificado por uma das câmeras quando tentava acessar um dos blocos carnavalescos da cidade. Como não poderia deixar de ser, o “criminoso” é negro, além de ser suspeito de ter cometido um crime de homicídio, ou seja não há provas contra ele.

Marcus Vinicius foi preso pela polícia. A instalação de câmeras e outros de dispositivos com o pretexto de se combater a segurança, como ocorre em Salvador e em outras cidades do país, tem como verdadeiro objetivo aumentar a repressão contra o povo pobre e negro, principalmente.

Com o aprofundamento do golpe de estado, a imposição de uma ditadura cada vez maior contra o povo, suas lideranças e organizações, projetos como esse, que visam a primeira vista reforçar a segurança, não passam de uma forma da direita, dos setores mais reacionário que estão no poder, irem aos poucos aumentando o caráter policialesco do regime político contra o povo.

É preciso ter claro que o problema da segurança, a contrário do que prega a direita, não se combate com mais repressão e mais policiamento. O Brasil é hoje o terceiro país que mais prende pessoas no mundo. A esmagadora maioria dos presos são negros, pobres e estão na cadeia sem qualquer prova concreta. Mesmo com essa massa carcerária gigantesca, os índices de violência no país continuam muito altos, o que apenas reforça a tese de que a raiz do problema está em outros aspectos.

A única maneira de se combater minimamente a violência é garantindo melhores condições de vida para o povo, educação, saúde, emprego, cultura, etc. Isto, no entanto, não é a política dos golpistas, os quais não passam de legítimos representantes dos capitalistas e banqueiros. Estão no governo para esfolar a população, aumentando ainda mais a miséria e, por consequência, a violência.

É preciso, portanto, se opor completamente a qualquer medida que vise aumentar a repressão sobre a população sobre o pretexto de se combater a criminalidade. A direita não está nem um pouco preocupada com o povo, apenas com os interesses de seus patrões, os grandes empresários e banqueiros. É preciso mobilizar o povo contra todo o aparato de repressão do estado capitalista, bem como o regime golpista de conjunto. Nesse sentido é necessário levantar as palavras de ordem de Fora Bolsonaro e Liberdade para Lula.