Imprensa venal
A burguesia quer, através de seus meios de comunicação, dizer para a esquerda quem devem ser seus candidatos
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boulos entrevista sabatina
Guilherme Boulos, em debate da UOL/Folha de S. Paulo | Foto: Mariana Pekin/UOL

As eleições municipais de 2020 tiveram como um dos principais objetivos o isolamento total do PT, particularmente da sua ala lulista. Na cidade de São Paulo, um dos veículos de imprensa mais importantes como porta voz desta campanha foi o jornal Folha de São Paulo, que deu grande destaque à candidatura de Guilherme Boulos, do PSOL e procurou sempre “bater” no candidato do PT, Jilmar Tatto. Sempre comparando-o pejorativamente com o candidato psolista.

Além disso, a Folha desde o início publicou pesquisas de seu instituto (Datafolha) colocando as intenções de votos em Boulos em um patamar bastante alto (11% de saída), diferente de Tatto, o candidato do maior partido de esquerda do país, que chegou a ficar abaixo de 1% nas mesmas pesquisas.

Agora, além da Folha, o Estado de São Paulo também entra de cabeça nessa campanha. Em uma matéria intitulada “Eleição dá nova força a nova geração de políticos na esquerda ‘pós-Lula’”, o jornal procura mostrar figuras da esquerda pequeno-burguesa, como Boulos e Manuela d’Ávila (PC do B), como as novas lideranças de toda a esquerda, que teriam vindo para substituir Lula.

Também são classificados como novas lideranças da esquerda nacional, João Campos e João Henrique Caldas (o JHC – um bolsonarista, candidato à prefeitura de Maceió), ambos do PSB – um partido de direita, mas que se “finge” de esquerda – e Goura Naraj, do PDT, outro partido da pseudo-esquerda. Alguns candidatos do PT, como Marília Arraes (candidata à prefeitura de Recife, oponente de João Campos), Major Denice (candidata à prefeitura de Salvador) e Pedro Tourinho (candidato em Campinas) também são citados, mas é apenas para procurar sabotar o PT por dentro e colocar todas as suas alas contra Lula.

Segundo a matéria do jornal golpista, a votação que esses setores tiveram seria explicada não só pelo fato de serem jovens, mas também por sua suposta “facilidade de interagir com as novas formas de organização social, mais horizontais, o foco em pautas como racismo, machismo, meio ambiente e a questão de gênero, (…) [e] a capacidade de se comunicar pelo meio digital (…)”. Nada é dito sobre o fato de alguns desses candidatos terem sido impulsionados por toda a imprensa burguesia com a intenção pura e simples de isolar o PT e Lula nessas últimas eleições, como é o caso de Boulos ou João Campos. Também não é explicado o caso de figuras como Manuela d’Ávila, candidata à prefeita em Porto Alegre, cuja votação foi quase inteiramente de eleitores do PT, já que o partido tem grande força eleitoral na capital gaúcha. No fim das contas, Manuela só foi derrotada porque não “brigou” para valer por sua candidatura e porque ela mesma é uma candidata extremamente impopular.

A matéria cita uma suposta “troca geracional” na esquerda após a ascensão e queda do PT e a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência. Um especialista, daqueles encomendados pela imprensa burguesa para expressarem a opinião do jornal de uma forma mais técnica, diz o seguinte “desconfio que já vivemos um ‘pós-Lula’. O mensalão e a Lava-Jato carbonizaram duas gerações de políticos…”, uma teoria bastante conveniente para quem procura fazer toda uma propaganda falsa de que a liderança de Lula já teria perdido força e que o próximo candidato da esquerda deve ser uma dessas figuras pequeno-burguesas que não representam ameaça nenhuma ao regime golpista e à burguesia.

A matéria procura dar como justificativa para o surgimento dessa tal “nova geração” (que ninguém conhece) as últimas derrotas políticas e eleitorais da esquerda em eleições anteriores. Desta forma, encobre a realidade de que essa derrota foi ocasionada graças a uma campanha intensa da burguesia contra o PT em torno do golpe de Estado de 2016, vide derrubada de Dilma e a fraude eleitoral de 2018 com a prisão e cassação de Lula para mantê-lo fora do pleito, uma arbitrariedade absurda que todas as pessoas já compreenderam se tratar de uma ação totalmente ditatorial.

Posteriormente, a matéria cita o presidente do PSB, Carlos Siqueira, que classifica como “lideranças intermediárias” os políticos Camilo Santana (infiltrado de Ciro Gomes no PT do Ceará), Paulo Câmara (governador de Pernambuco pelo PSB, que apoiou o impeachment de Dilma) e Flávio Dino (do PC do B, maior defensor da frente ampla dentro da esquerda).

Há também um destaque por parte da matéria da fala de Jaques Wagner (da ala direita do PT), em entrevista a uma rádio baiana. Wagner disse, na ocasião, não querer “ficar refém” de Lula por sua vida inteira, uma fala que foi muito mal recebida por toda a esquerda nacional, o que, inclusive, forçou-o a se retratar posteriormente.

Matéria do Estadão impulsionando Guilherme Boulos e outros esquerdistas amigos da burguesia

Outros veículos da imprensa burguesa também querem isolar o PT

A campanha é evidente nessa matéria do Estadão, no entanto, esse não é o único órgão de imprensa burguesa que procura propagandear a necessidade da aposentadoria do maior líder popular das últimas décadas. Trata-se de uma campanha conjunta de todos os grandes jornais e revistas capitalistas, que procuram sempre impulsionar o setor mais ‘domesticável’ da esquerda, neste momento em detrimento da ala lulista do PT, que representa uma ameaça para a burguesia. Abaixo, alguns exemplos de manchetes surgidas no último mês nos endereços eletrônicos desses órgãos:

Coluna no blog de Lauro Jardim e assinada por Amanda Almeida – “Para blindar Gleisi e conter levante no PT, Lula chama para ele responsabilidade por 2020”

Coluna no site da Uol, de Thaís Oyama – “O PT oferece a cabeça de Gleisi, de olho na de Lula, mas pode ser tarde”

Matéria da revista Veja – “PDT e PSB mostram a força da esquerda que cresce como alternativa ao PT”

Todas essas manchetes foram mencionadas na edição número 22 do programa “Não compre jornais, minta você mesmo”, da Causa Operária TV. Caso o leitor queira se aprofundar mais, pode conferir o programa, em que as matérias são discutidas mais amplamente.

O que deve ser perguntado sobre essa campanha são as contradições gritantes não são explicadas em nenhum momento. Se Lula é uma liderança já falida e cuja aposentadoria já deveria estar no horizonte próximo, por que, então, ele sempre se encontra na liderança de todas as pesquisas de intenções de votos feitas nas últimas eleições presidenciais e também nas seguintes? Além disso, se ele já é “coisa do passado” e já foi “queimado” para a população, por que a preocupação tão grande da imprensa burguesa de criticá-lo o tempo todo e de convencer todo mundo da importância de sua substituição?

A resposta é óbvia, Lula é o único que pode agrupar em torno de si um movimento de massas capaz de impor uma derrota ao regime golpista – montado pela burguesia a partir da derrubada de Dilma em 2016 e que ainda não se consolidou totalmente. Neste sentido, todos os setores democráticos e de esquerda devem se unificar na luta por Lula presidente em 2022, campanha lançada pelo Partido da Causa Operária desde antes das eleições municipais. Está na hora de sair às ruas para defender os direitos políticos de Lula e os direitos democráticos de 200 milhões de brasileiros que querem ter o direito de votar no candidato de sua preferência e não no que for escolhido pela burguesia e pelo Judiciário golpistas.

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