Antônio Carlos Silva

João Caproni Pimenta

Sobre o João

João Jorge Caproni Pimenta é estudante de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Militante do Partido da Causa Operária (PCO) e coordenador da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

Iniciou sua militância política e estudantil em Junho de 2013, quando a juventude e os trabalhadores realizaram uma grande mobilização contra o governo do Estado de São Paulo, então liderado por Geraldo Alckmin (PSDB).

Responsável pela Agitação e Propaganda do PCO, João Caproni Pimenta é editor do Diário Causa Operária e da Causa Operária TV. Também é colunista do Jornal Causa Operária e co-autor do livro “A Era da Censura das Massas”, junto com Rui Costa Pimenta, presidente do Partido.

Imprensa golpista defende PSOL

Estadão e PSOL vs PT e PCO: escolha seu lado

O que faria uma reconhecida jornalista da direita defender Boulos e atacar o PT?

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Política é um jogo de interesses e nela apenas os amadores dão ponto sem nó. Na imprensa burguesa, nos grandes jornalões inimigos do povo, no entanto, não há amadores, apenas cobras criadas.

Em resposta a uma coluna do Brasil 247, a jornalista Vera Magalhães acusa o colunista, filiado ao PCO, de ser petista e de transformar o “companheiro” Boulos em “burguês”. Até comemora o fraco resultado de Jilmar Tatto, “Vai ter frente Ampla sem petista na cabeça, sim!”.

Vera Magalhães não é uma jornalista menor, colunista do jornal O Estado de S. Paulo, Editora do BR Político (filiado ao Estadão), apresentadora do Roda Viva na TV Cultura, com passagens pela Folha, Veja, Jovem Pan (Na época do golpe!) e até da ilibada Rede Globo, casada com o também jornalista (com tão ilibado currículo) e ex-assessor do PSDB, Otávio Cabral.

Vera, para os incautos ou que querem acreditar nessa fantasia, estaria criticando o chamado hegemonismo, para usar a palavra da moda, do PT. Esta é a tese de que o PT tem que abrir mão de ser o cabeça de chapa em eleições, de querer ser o principal partido de esquerda e apoiar outros candidatos. Grande Vera! Palmas à jornalista tucana que se preocupa com a democracia interna do campo progressista!

Brincadeiras à parte, está na hora de reconhecermos algumas coisas que deveriam ser óbvias. É direito de qualquer partido lançar candidato, PT, PSOL e PCO, por exemplo, estão separados por uma razão, têm divergências entre si. O PT, maior partido do País, tem direito sim de ter candidato onde quiser. Existe uma campanha vinda de jornalistas como Vera, porta vozes dos grandes capitalistas, que querem que o PT doe seu eleitorado a outros candidatos, que não lance candidaturas próprias e apoie candidaturas de outros partidos, isso tem muito a ver com a frente ampla.

Analisemos dois cenários, um em que Jilmar Tatto termine o 1º turno com 10% e Boulos com 2%, nenhum dos dois indo ao 2º turno, que se torna uma disputa entre Russomanno e Covas. Neste cenário, jornalistas como Vera Magalhães exigirão o tal “compromisso democrático” que o PT apoie qualquer coisa (o PSDB, claro) contra Russomanno. O presidente Lula já disse contrário a apoiar frente ampla de qualquer tipo, principalmente, nas palavras dele, com pessoas sem compromisso com os direitos dos trabalhadores. É possível fazê-los apoiar os tucanos, vai ser um momento de intensa crise dentro do PT, tendo Lula que reverter sua posição já estabelecida.

Vejamos o caso inverso, Boulos é o candidato majoritário da esquerda, mesma exigência da burguesia. O PSOL tem um histórico muito pior na história recente, Boulos e Freixo já integram a frente “Direitos Já”, nela estão PSDB, MDB e outros partidos inimigos do povo, na base do tal vale tudo contra Bolsonaro. Freixo já declarou que faria isso: “Num segundo turno contra o Crivella, sim. Já fiz isso contra o Witzel. Tenho grandeza democrática.” – Disse o psolista ao Globo.

Para o Estadão, e nisso temos de dar-lhes razão, transferir o eleitor do PT ao PSOL é apenas um intermediário para transferi-lo depois para o PSDB e o centrão.

Ela ainda sugere o que vai ter frente ampla (contra Bolsonaro) sem o PT na cabeça, isso é óbvio, a tal frente ampla não existe com um candidato do PT no segundo turno, a própria Vera Magalhães prova isso, dois anos atrás teve a possibilidade de defender a frente ampla contra Bolsonaro, naquela época disse, por exemplo:

“Por fim, se chega à relação com a imprensa. É louvável que ele [Bolsonaro] tenha firmado por escrito no programa de governo o compromisso com a liberdade de imprensa – ao contrário de seu adversário, Fernando Haddad, cuja proposta fala textualmente em controle social da mídia”.

A imprensa burguesa não prefere Bolsonaro, mas o defenderá contra o PT, este segundo não querem de forma alguma. Não querem, pois, através do PT, os sindicatos da CUT tem um ponto de pressão importante, o PT apoia-se num eleitorado operário que não pode ser ignorado de completo. Lula é um conciliador, é verdade, mas como tem gigante base social, não pode virar um tapete para os empresários pisarem, correria o risco de desaparecer como liderança. A burguesia quer uma esquerda completamente domesticada, que não sirva de ponto de apoio político para a classe operária, uma esquerda sem capacidade de pressão.

O PSOL é exatamente o que Vera Magalhães, a burguesia e o PSDB querem. Sua base social: pequena, difusa e inteiramente de classe média, Freixo é o candidato do Leblon no Rio, Boulos não tem voto na periferia. Há algum movimento sindical importante no PSOL? Não. Estudantil? Não. Popular? Não. O MTST, da qual Boulos é liderança, não é psolista. Faça uma eleição de mentira entre Lula e Boulos nas ocupações e veja quem ganha, quantos votaram em deputados do PSOL? Quem conhece sabe inclusive que a filiação de Boulos ao PSOL não foi bem vista por membros do movimento. 

Muitos, principalmente nós do PCO, criticam as alianças absurdas do PT e funcionamentos antidemocráticos internos, mas o PSOL não está muito à frente.

Freixo já diz votar até no demônio contra Crivella, Luciana Genro apoiou a Lava Jato, a bancada do PSOL apoiou as 10 medidas de Deltan Dallagnol, tem cidades em que está aliado com MDB e PSDB, em 2018 um golpe convenção escolheu Boulos candidato a presidente sendo que o homem estava filiado há menos de 24 horas, como se escolhe um candidato que nem é do seu partido?

Um partido que não é lastreado em nada, que não é controlado pelos seus membros (como vimos no caso da escolha de Boulos em 2018), é capaz de tudo, inclusive de virar o tapete para a burguesia pisar.

Vera Magalhães e o Estado de S. Paulo manipulam o PSOL para tentar isolar o PT e criar uma alternativa inofensiva a ele, os psolistas ao invés de ver o golpe, dizem, incrédulos, “pela primeira vez, sou obrigado a concordar com Vera Magalhães”. Não é a primeira vez e ao que tudo indica, infelizmente, não será a última.

Finalmente, a frente ampla apenas depõe a favor de Bolsonaro. Ele se apresenta falsamente como anti sistema, contra o que está estabelecido. Em resposta, setores da esquerda pulam no colo do sistema, personificado em jornalistas tucanas e candidatos golpistas. Bolsonaro não está certo, mas seria interessante parar de dar munição ao inimigo. 

Para nós do PCO, qualquer “frente ampla” fortalece apenas o PSDB num primeiro momento, e no longo prazo, o bolsonarismo. Frente ampla é uma traição.

O PSOL usou e abusou da acusação de que o PT sacrifica o bem comum em nome  de manter sua primazia na esquerda. Na verdade é o próprio PSOL que tentando ganhar meia dúzia de cidades se torna uma marionete dos interesses do grande capital, que até mandam jornalistas muito bem remunerados para defendê-los.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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