“Estabilizamos no inferno”, diz economista sobre taxa de desemprego em 12,2%

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta semana índices e dados indicadores da economia, que são os primeiros de 2018, correspondente ao trimestre de novembro/2017 a janeiro/2018.

Contrastando com o carnaval que vinha sendo alardeado pelos economistas oficiais do golpe e reforçado pelo ufanismo patético da imprensa golpista – que vem fazendo malabarismos inimagináveis para pintar um quadro de otimismo em relação a uma suposta recuperação econômica – os números reais apresentados, no entanto, distanciam completamente o país desse mundo imaginário e fantasioso.

O golpe de Estado conduziu o país e a economia para o maior retrocesso de sua história, jogando o Brasil no mais profundo abismo social, político e, obviamente, também econômico. Os números estão aí para quem quiser ver e não se deixar enganar.

Economistas são unânimes em afirmar que o país se encontra na mais profunda recessão de sua história e que não há nada a comemorar, não obstante a celebração do governo golpista com alguns indicadores. Os números divulgados mostram que não há qualquer indicador de que a situação irá melhorar a curto e médio prazo.

“Há uma situação em que estabilizamos no inferno. O mercado de trabalho está muito ruim, parou de piorar, mas permanece em nível muito insatisfatório”, diz o economista André Calixtre (site 247, 01/03). Falando sobre o desemprego, o economista diz que “as novas vagas, além de escassas, continuam sendo criadas na informalidade. Frente ao trimestre anterior, o número de trabalhadores com carteira assinada, 33,3 milhões pessoas, ficou estável. Mas caiu 1,7%, quando comparado com o mesmo trimestre de 2017. Significa que 562 mil postos de trabalho formal foram fechados” (idem, 01/03).

A reforma trabalhista que atacou direitos e conquistas dos trabalhadores – propagandeada pelos golpistas como “novas oportunidades de trabalho” – não abriu – como era de se esperar – nenhuma perspectiva de melhora em relação a novos postos de trabalho. Em relação ao mesmo período de 2017, os números atuais mostram um aumento da informalidade, onde 581 mil pessoas foram lançadas no mercado informal.

Na avaliação de Paulo Calixtre, “as novas modalidades contratuais que foram criadas pela reforma, como o trabalho intermitente, na prática, não estão sendo aplicadas. “O que acontece é que estão, na verdade, aumentando brutalmente as demissões e ampliando as terceirizações – que são a pior forma de contratação para o trabalhador. A informalidade deu um salto no ano passado, e a reforma trabalhista não resolveu esse gargalo estrutural, ao mesmo tempo em que não trouxe mais empregos” (idem, 01/03).

A política de austeridade fiscal do governo golpista provocou a explosão do desemprego e a falência de empresas de todos os setores, com exceção, logicamente, dos bancos e instituições financeiras. Afinal, foi para isso que o golpe de estado foi dado. Destruir a economia nacional e lançar milhões de trabalhadores e suas famílias no desespero e no flagelo do desemprego e  do subemprego.

Está claro que o regime golpista encontra-se na mais completa e total bancarrota. Incapaz de conter a crise e as tendências a desagregação, os arquitetos do golpe recorrem cada vez mais aos expedientes extra-constitucionais, entregando aos militares o comando de postos estratégicos  do Estado, abrindo uma via que se desloca cada vez mais em direção à militarização da vida nacional.