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Após eleição de Arthur Lira, oposição liderada pelo PT se vende para a direita na câmara pelo poder de emitir passaportes e coordenar premiações

Por: Redação do Diário Causa Operária

Após a eleição de Arthur Lira para a presidência da Câmara dos Deputados, os partidos da dita oposição encabeçada por Baleia Rossi na chapa para presidência da câmara aguardavam para saber se teriam ou não um acordo para conseguir cargos na mesa diretora da casa. No encontro de líderes nesta última terça-feira foi decidido que a esquerda teria um cargo na mesa. De imediato, as apostas para ocupar a segunda secretaria da mesa diretiva foram para Marília Arraes deputada federal petista que disputou a prefeitura de Recife em 2020.

O acordão com o representante de Bolsonaro por um cargo demonstrou aquilo que foi observado na disputa da presidência do senado, que também foi vencida por um bolsonarista mas desta vez, com apoio do PT. Obviamente, todas as desculpas para apoiar Baleia Rossi em prol da democracia foram derrubadas pela fuga de explicações que se procedeu no Senado, uma vez que o PT apoiou o candidato dito fascista. No final das contas, o que importa mesmo para a esquerda parlamentar são os cargos, por mais miúdos que sejam.

Ontem, as apostas se confirmaram e Marília Arraes é a nova segunda secretária. O cargo é secundário e, ao contrário dos cargos de presidência, não possui privilégios nas decisões da casa. Como apresentado no site da Câmara, a secretaria é responsável pela parte de relações internacionais, das premiações e estágios universitários. Na prática, quer dizer que se expede os passaportes dos deputados, o que é um poder tão pequeno que mal se pode barganhar com a direita.

Ainda, apesar da humilhação de se comprometer com a direita por um cargo inútil, Marília Arraes e Enio Verrio, o líder da bancada do PT na Câmara, pronunciaram-se de maneira otimista com o “reconhecimento” e “participação” dados pela direita. Segundo Marília Arraes, “Essa é a casa do diálogo. Por isso, nossos partidos de oposição e presidente Arthur Lira entraram em acordo e garantiram os devidos espaços na mesa. Em nome da democracia e do Brasil.” O que demonstra a farsa de apoiar o golpista Baleia Rossi, já que se pode apoiar a direita sempre que quiser com a desculpa de que se trabalha em prol da democracia.

Já Enio Verri disse que ” o gesto do presidente, Arthur Lira, de reconhecer a legitimidade de participação do bloco adversário na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados demonstra que o valor da democracia foi considerado pela maturidade política de quem quer construir pontes.” Para o leitor médio pouco acostumado as tecnicalidades dos cargos legislativos pode parecer grandioso conquistar uma secretaria, principalmente porque este é o tom do discurso do líder do PT na câmara. Porém, ao contrário do que dá a entender, o PT e toda a esquerda que hoje está a reboque da direita não terão o mínimo direito a uma posição política independente.

A esquerda, além de perder a disputa na Câmara, ficou a reboque da direita, ainda amarga uma profunda desmoralização por sustentar praticamente sozinha a candidatura de Baleia Rossi. Após a debandada dos golpistas para o apoio a Lira, o PT e o resto da esquerda mantiveram o apoio a Baleia Rossi, um golpista que não se compromete, segundo suas próprias palavras, minimamente com os interesses políticos da esquerda.

Com o óbvio fracasso da direita tradicional na câmara, os golpistas ditos antifascistas, científicos e civilizados pela esquerda fizeram o de sempre: apoiaram Bolsonaro contra a esquerda. A esquerda porém, ao invés de tirar a conclusão do erro de se aliar politicamente à direita em acordos fajutos, partiu ainda mais radicalmente para uma política de acordos, não importando quem seja. Neste sentido, ficou demonstrado não só o interesse fundamental mas também, o modo de fazer política da esquerda pequeno-burguesa.

Agora, com toda a podridão estimulada pela burocracia parlamentar, a base petista está ainda mais descontente, o que pode ser visto pelos comentários nas redes sociais. Nem todo o discurso de salvar a democracia é capaz de cegar as bases quando o assunto é comprometer a luta contra o golpe. Ainda mais quando as eleições para a presidência das câmaras foram, em grande medida, uma antecipação das eleições de 2022 e a postura da esquerda nesta situação demonstrou que, em uma eventual eleição, a candidatura da esquerda seria deixada de lado por um candidato golpista.

Isto é especialmente problemático pois, o candidato da esquerda por excelência, Lula, é também o candidato mais popular do país e o único que pode, segundo até mesmo a imprensa golpista, derrotar Bolsonaro com folga. Portanto, é preciso continuar denunciando o oportunismo da esquerda e o aprofundamento da política de frente ampla. E mais importante, é preciso colocar na ordem do dia a luta pelos direitos democráticos de Lula, por Lula candidato e Lula presidente pois só assim é possível derrotar o golpe e evitar que a direita tenha uma saída vantajosa contra os trabalhadores.

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