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Imperialismo agoniza

Esquerda se une à direita na defesa da falsa democracia

Imprensa burguesa, uníssona, chamou os manifestantes de terroristas

Tempo de Leitura: 4 Minutos

Manifestantes ocupam Capitólio – Foto: Reuters

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“Vândalos da democracia”. Neste termo – e com este título – o Estadão publicou o editorial do jornal na última sexta-feira (8). Naturalmente, condenou as manifestações ocorridas nos EUA, quando apoiadores do atual presidente, Donald Trump, ocuparam o Capitólio na capital, Washington, em protesto contra a declaração da vitória de Joe Biden nas eleições americanas. Sem nenhuma surpresa também, a esquerda pequeno-burguesa, logo pôs-se ao lado da burguesia imperialista contra o protesto.

No sítio Vermelho, do PCdoB, Orlando Silva assinou um artigo (“A tentativa de golpe de Trump e o papel do Legislativo”, 08/01/2021) onde é categórico: “Trump tentou dar um golpe de Estado nos EUA”, disse o parlamentar, acrescentando ainda que “para resguardar a institucionalidade [do regime americano], Trump deveria ser retirado do poder e processado pela tentativa de sedição.” 

Há que se destacar ainda, de forma a reforçar quão reacionária é a política verbalizada por Orlando Silva – e defendida por amplos setores da esquerda – que Fernando Henrique Cardoso também manifestou-se a respeito, publicando nas redes sociais:

“Lamentável o que ocorreu nos EEUU. Houve um grave atentado à democracia. O presidente Trump não reagiu à altura. Suas palavras dúbias, pondo em dúvida as eleições são inaceitáveis para todos os democratas do mundo. Minha repulsa total às tentativas de ganhar a qualquer preço.”

 

Frente ampla, de novo

Apoiador de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Câmara dos Deputados, Orlando Silva tratou ainda de usar o caso para puxar a sardinha para a frente ampla, e defender que “só uma ampla união das forças políticas e sociais pode conseguir afastar a ameaça golpista.”

A necessidade da “ampla união das forças políticas e sociais [grifo nosso]” se torna ainda mais urgente porque, como lembra o artigo, “no Brasil, temos um discípulo dele na presidência. Bolsonaro já demonstrou seu absoluto descompromisso com a democracia e as instituições. Não é de agora.”

Sem um jornal próprio para fazer a propaganda de sua política, Guilherme Boulos (PSOL) recorreu ao Twitter para fazer o mesmo:

“‘Se o Brasil não tiver voto impresso em 2022, vamos ter problema pior que o dos EUA.’  Enquanto o mundo inteiro condena a tentativa de golpe de Trump, Bolsonaro a utiliza em sua própria estratégia golpista. Até quando Rodrigo Maia vai manter os pedidos de impeachment na gaveta?”

Não custa lembrar, Maia já declarou publicamente que não irá dar prosseguimento às ações de impeachment em seu poder, no que foi recentemente endossado por FHC. Nesse sentido, pedir ao parlamentar burguês para mudar a sua política, contrariando os interesses da burguesia, é uma demagogia.

Mas o problema, contudo, é pior. 

Desde seu surgimento, a frente ampla no País já dava sinais de ser uma articulação voltada aos interesses da burguesia. Com o desenrolar dos acontecimentos em 2020, foi possível observar que, na prática, a frente ampla usa Bolsonaro como espantalho mas tem como alvo principal impedir o ex-presidente Lula nas eleições de 2022.

Este fenômeno ficou exposto em um debate realizado pela rede independente Brasil 247, que em seu canal no YouTube, levou os presidentes dos 3 partidos de esquerda com representação parlamentar – PCdoB, PSOL e PT – e o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta. Na ocasião, ficou nítido que existe uma ampla disposição da esquerda para realizar alianças com – realmente – todas as “forças políticas e sociais”, exceto com Lula e a ala esquerda do PT.

 

Dois pesos, duas medidas e nenhum juízo

O protesto, ocorrido na última quinta-feira (7) e visto em todo o mundo, terminou com 50 manifestantes presos e 4 executados pela polícia americana. Se tais fatos ocorressem em “ditaduras” como Venezuela, Cuba, Irã, Rússia ou China, certamente o tratamento da imprensa burguesa seria diferente da caracterização geral dada: vândalos, terroristas, etc.

Contudo, ocorrendo no país “modelo” da democracia capitalista, tais eventos não poderiam passar sem a devida reação do setor mais poderoso da burguesia.

A esquerda pequeno-burguesa, que não perde uma oportunidade de atacar os regimes nacionalistas das nações supracitadas, esqueceu sua tradicional defesa dos direitos humanos e tratou de apoiar a barbárie em favor da estabilidade do regime imperialista.

A coisa fica ainda pior quando se coloca em destaque o fato de ser justamente o imperialismo que está sendo defendido pela esquerda.

O setor mais poderoso da burguesia é exatamente este, responsável pelas maiores atrocidades que acontecem na humanidade, que condenam bilhões de pessoas à miséria e à morte pela fome, enquanto organizam guerras e a pirataria de países e continentes inteiros.

Quando a esquerda pequeno-burguesa posta-se em defesa da estabilidade do regime político sustentado pelos interesses do imperialismo, a dita “democracia”, o que está sendo defendido concretamente é a paz política para que estes verdadeiros monstros, insensíveis a toda dor que provocam à humanidade de conjunto, sigam condenando bilhões de seres humanos a uma existência miserável.

 

Quanto pior, melhor

Seja pela expansão da política de guerra econômica que é o neoliberalismo, seja pelo fomento a guerras e golpes de Estado, como o que derrubou o PT do governo federal em 2016 e abriu caminho para Bolsonaro na presidência. A preservação da “sagrada” democracia dos EUA, longe de ser boa, representa uma séria ameaça à humanidade.

Até porque, mesmo no interior do país, essa democracia nada mais é do que um véu utilizado para disfarçar um regime político profundamente ditatorial. Embora haja uma forte propaganda no sentido de promover os EUA como uma democracia, os malabarismos retóricos não são capazes de esconder o fato de que o país tem a maior população carcerária do planeta.

Instrumentos jurídicos como a “lei patriótica” – aprovada em meio à histeria coletiva que se produziu no país após o 11 de setembro de 2001 – permitem ao Estado americano vigiar e punir cidadãos em massa no país mais rico e poderoso do mundo.

Por fim, deve-se lembrar que a democracia americana conta com apenas dois partidos fortes disputando a maioria dos cargos públicos. Com um pouco mais rigor, pode-se ainda argumentar que republicanos e democratas são quase facções de um mesmo partido, da burguesia, o que para efeitos políticos, é uma caracterização muito precisa.

Um regime político desta natureza, não pode ter paz nem estabilidade. Quanto maior a crise no imperialismo, maior sua dificuldade em promover crimes como a Guerra do Iraque, os golpes de Estado na América Latina, o massacre de Ruanda, a Guerra Civil Síria, apenas para ficar em alguns exemplos concretos da barbárie representada por estes inimigos das massas pobres da humanidade.

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