Esquerda pequeno-burguesa acha que vai combater o fascismo nas escolas através de investigações da PGR

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Parlamentares do PSOL e do PT entraram com um pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão investigue o ministro fascista da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, por crime de improbidade administrativa por querer que os alunos de escolas sejam filmados cantando o hino nacional e que os diretores leiam sua carta na qual exalta “o Brasil dos novos tempos” e que termina com o lema de campanha de Bolsonaro, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. A esquerda pequeno-burguesia continua acreditando que irá combater o fascismo nas escolas através de recursos legais nas instituições controladas pela própria extrema-direita.

Tais políticos pensam que a PGR irá fazer frente ao governo, atendendo aos seus pedidos. Pode até ser um instrumento para controlar o governo, mas não de acordo com os interesses da esquerda, e sim da própria direita.

O que nós vimos nos últimos anos, com o desenvolvimento e aprofundamento do golpe? Que a direita utiliza os aparatos do Estado para perseguir a esquerda, os sindicatos e movimentos sociais, para transformar em ditatorial o regime político com a crise capitalista que se aprofunda e obriga a burguesia a aumentar a exploração dos trabalhadores, que só pode ser concretizada com uma ampla repressão.

E a PGR tem sido fundamental para essa política. Primeiro, com o serviço sujo executado por Rodrigo Janot, que foi peça chave no processo que levou à derrubada de Dilma Rousseff em 2016. Em seguida, Janot passou o bastão para Raquel Dodge, uma norte-americana disfarçada de brasileira, reconhecidamente uma funcionária do imperialismo. Um instrumento direto do imperialismo no Brasil, tanto quanto, se é que é possível,  seu antecessor Janot. Mas não é só isso.

Todos temos acompanhado os desenlaces da política no Brasil. Para todos os ataques da direita golpista, surge um setor da esquerda que procura semear a ilusão de que o terreno para a luta é o terreno institucional. Vimos Dilma ser derrubada, Lula ser condenado e posteriormente preso e, por diversas vezes, vimos as instituições brasileiras atuando de maneira totalmente ilegal, rasgando e pisoteando a Constituição de 1988 seguidas vezes. Em todas essas ocasiões apareceu alguma liderança da esquerda para nos dizer que nenhum desses golpes passaria, afinal, vivemos em uma ‘democracia consolidada’. Para qualquer um que tenha o mínimo de bom senso, esses acontecimentos seriam o bastante para demonstrar que não há salvação para a esquerda e o povo brasileiro no terreno movediço e labiríntico das instituições.

No entanto, o PSOL de Marcelo Freixo não vê as coisas dessa forma. Segundo o deputado, a atitude do ministro colombiano funcionário dos EUA no Brasil é apenas um “desvio”. Para ele, não é a política planejada pela burguesia há anos para reprimir o movimento estudantil e popular, impondo uma ditadura nas escolas para espalhá-la a toda a sociedade.

Além disso, devemos dizer que, embora a atitude do governo Bolsonaro seja um verdadeiro crime político, não podemos pedir aos próprios carrascos que apliquem penas aos seus colegas de profissão.

Por isso afirmamos em alto e bom som: não há como impor uma derrota aos golpistas por meio desse tipo de manobra. Além de ineficaz, esse tipo de atitude serve para jogar fumaça nos olhos da esquerda nacional, sendo um elemento de profunda confusão.

A política a ser adotada pela esquerda é mobilizar os estudantes e professores contra a ditadura fascista nas escolas. é organizar comitês que unam os setores escolares e os protejam dos ataques do governo de extrema-direita e também dos grupos fascistas nas escolas, denunciando, realizando ações que os combatem concretamente e ampliando o movimento para todo o movimento estudantil. Em diversos locais do Brasil, os professores estão em greve, em paralisação ou esboçam um movimento nesse sentido. Esse é o tipo de medida a ser tomada para combater tal imposição fascista que visa submeter todo o movimento estudantil e popular à ditadura da direita.

Professores e estudantes também devem organizar comitês de luta contra o golpe nas instituições de ensino e, onde há grupos fascistas que buscam intimidá-los e atacá-los, organizar também comitês de autodefesa para reagir à altura às ofensivas da extrema-direita.

Essa é a política de Bolsonaro e do regime golpista: controlar o movimento estudantil, popular e dos professores, impor uma ditadura nas escolas. Por isso, é preciso derrubar o governo fraudulento de Bolsonaro e derrotar o golpe em seu conjunto, para acabar com esses ataques, e entregar o controle das escolas e universidades a quem realmente pertencem: aos estudantes, professores e trabalhadores.