Oportunismo eleitoral
A esquerda pequeno-burguesa acusa o PCO de não possuir votos, no entanto, esse critério oportunista não serve para medir a importância de um partido revolucionário
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30ª Conferência Nacional do Partido da Causa Operária | Foto: Diário Causa Operária

Neste período de eleições, a esquerda pequeno-burguesa mostra um entusiasmo atípico pela política. O entusiasmo se manifesta principalmente em uma campanha inconsequente e extremamente despolitizada em meio à população para conseguir votos. Entre as “bizarrices” colocadas em prática por essa esquerda, se vê, primeiramente, um abandono total da luta por um programa de defesa da classe operária ou de qualquer programa que seja.

Um dos casos em que  essa questão se mostra de forma bastante candente é o de Guilherme Boulos em São Paulo. Suas manifestações eram sempre extremamente despolitizadas, com palavras sem significado jogadas ao ar, como “amor”, “esperança”, “sonhos” etc. O que menos se via eram denúncias da direita golpista ou a defesa de reivindicações que realmente fossem de interesse da população, como a luta contra o golpe, contra o coronavírus, contra o desemprego ou a luta por um governo operário. O mesmo se repetiu nas campanhas de figuras como Manuela d’Ávila, que ficou o tempo todo numa postura extremamente defensiva, somente respondendo às mentiras infundadas lançadas contra ela pela direita e nunca apresentando propostas de mobilização do povo nem nada do tipo.

Por outro lado, o Partido da Causa Operária levou adiante uma campanha verdadeiramente combativa. Suas principais palavras de ordem – “Fora Bolsonaro” e “Lula candidato em 2022” – foram repetidas por todos os candidatos em todos os debates, de forma insistente. Mas não apenas ela, houve uma denúncia da direita golpista, do genocídio perpetrado através da pandemia do coronavírus, da situação de desemprego e de miséria de toda população. Além disso, também foram colocadas propostas que impulsionassem verdadeiramente a mobilização do povo, como a luta pela redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais. O material de campanha do PCO não eram simplesmente os famosos “santinhos”, com os nomes e legenda dos candidatos, mas sem nenhum conteúdo político. Os panfletos possuíam um texto com um verdadeiro chamado do povo à luta.

No entanto, o que se vê por parte da esquerda pequeno-burguesa extremamente oportunista é um ataque e uma caracterização do PCO como partido irrelevante por não “possuir votos”. É preciso dizer, primeiramente, que em eleições fraudadas e manipuladas como essas que ocorrem no Brasil, possuir votos é simplesmente a expressão de um acordo feito com a burguesia. Guilherme Boulos teve uma boa votação por estar, desde o princípio, associado com os principais órgãos da imprensa golpista. Seu nome estampava a capa os principais jornais da burguesia, como Folha de São Paulo, O Globo, Estadão etc.

Isso sem falar nos casos de candidatos de direita que utilizaram as legendas dos partidos de esquerda, como ocorreu no PSOL, no caso do candidato João Alfredo, da cidade de Ribas do Rio Pardo (MS), um latifundiário contra a descriminalização do aborto e das drogas e contra a “invasão de terras”, ou seja, um tipo fascista. Caso semelhante ocorreu com o candidato do PT em São Gonçalo (RJ), que assinou, junto com igrejas evangélicas, um tratado em que se colocava contra o aborto e outras pautas importantes para toda a população.

O PCO é um partido revolucionário e não possui nenhum interesse em realizar tais acordos. A luta do PCO é pela revolução socialista, por um governo operário e pelo comunismo. O partido defende um programa e não abre mão dele por migalhas dadas pela burguesia. Para uma luta consequente, não dá para fazer como Boulos fez e receber apoio de 50 empresários ou da imprensa capitalista golpista que foi um dos principais defensores e executores do golpe de estado.

Os revolucionários não se medem por votos. Karl Marx e Friedrich Engels, fundadores do socialismo científico, não são pessoas com votos, são pessoas que desenvolveram a teoria marxista, que fundaram o maior partido operário da história, que atuaram verdadeiramente na luta política, sem se vender em nenhum momento à burguesia em troca de votação em eleições que de nada servem para a classe operária. O Partido Bolchevique, que realizou a Revolução Russa, a mais importante revolução do século XX em 1917, também não o fez porque fez esquemas com a imprensa da época para serem elogiados nas páginas de seus jornais venais e receberem os tais votos. A revolução foi feita através da luta consequente baseada em um programa.

É preciso dizer, finalmente, que quem se mede por votos nas eleições são os oportunistas. Em 2020 pudemos observar, em primeira mão, que existe uma parcela da esquerda disposta a fazer o que for necessário para conseguir uma votação. Vimos o PSOL se associando com o PSDB em Belém, apoiando o candidato do DEM no Rio de Janeiro, também vimos governadores do PT boicotando as candidaturas dos seus próprios partidos, como no caso de Salvador e Fortaleza, isso sem falar no PC do B que apoiou um candidato do partido de direita PSB, contra a candidata do PT. Essa esquerda oportunista que se vende para a direita o tempo todo de forma vergonhosa é que vem acusar o PCO de ser “irrelevante”, no entanto o partido fez uma campanha politizada e combativa nesse período eleitoral e apresentou um crescimento que assusta esses setores pequeno-burgueses e também a burguesia.

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