A esquerda não se posicionou claramente contra os militares no RJ

Acompanhe o trecho da Análise Política da Semana onde o companheiro Rui Costa Pimenta denuncia a falta de posicionamento claro da esquerda contra os militares no Rio de Janeiro.

“Ninguém na esquerda se posicionou claramente pelo fim da intervenção militar no Rio de Janeiro. Fora os militares do Rio de Janeiro. Ninguém disse claramente que é contra a ocupação militar do Rio de Janeiro. Ninguém disse. Então, toda a esquerda por causa da sua confusão ideológica agora é refém da ocupação militar no Rio de Janeiro.

As declarações que ouvi são assim: “não é a melhor maneira de combater o crime”. Isso é comum no PSOL. O ângulo do PSOL é mais ou menos é esse: “essa não é a melhor maneira de combater o crime, ou seja, primeiro, eles querem que nós acreditemos que isso aí para combater o crime; segundo que é uma maneira de combater o crime. Não é a melhor mas é uma maneira, uma das maneiras.

Isso mostra como a esquerda está totalmente perdida e como o problema da segurança pública somado às eleições levou a esquerda a um buraco total. A esquerda olha e fala assim (esse argumento que aparecem em algumas pessoas, o PSOL é “mestre”, PCdoB também): que o Temer quer ganhar popularidade colocando o exército no Rio de Janeiro, ou seja, quer ganhar popularidade dando a entender que ele vai combater o crime e como a esquerda fica na defensiva porque eles acham que como tem muita gente preocupada, digamos assim, na opinião deles, com o problema da criminalidade, eles têm que fazer demagogia com a repressão policial quando eles deveriam dizer, claramente, que não há repressão policial no mundo que controle a situação da criminalidade, o problema não vai ser resolvido com isso, mas eles têm medo de falar isso. A esquerda tem medo. Eles têm medo de falar isso e aparecer um direitista falando que eles são amigos de bandidos.

A esquerda já muito tempo deveria ter dito que não há como combater a criminalidade sem mudar as condições sociais, que a repressão não é um combate à criminalidade mas é um combate contra a população pobre, uma política de terrorismo mas eles não conseguem dizer isso.

O PT tirou uma nota oficial falando mais ou menos essas bobagens; PCdoB tirou uma nota ainda mais besta do que a do PT; do PSOL, eu não vi a nota oficial do PSOL, acho que não tem, mas o pessoal do PSOL no Rio de Janeiro também só bobagem; e o PSTU, para variar, se fosse feito um concurso de melhor fantasia de idiota, eles ganhariam de longe porque eles falam que a intervenção no Rio de janeiro é para ajudar o Pezão. Nós aconselharíamos o pessoal a ler o jornal porque até a imprensa capitalista fala que o Pezão foi “convencido” a aceitar a intervenção, ou seja, ele foi chamado a Brasí­lia e eles falaram: nós vamos intervir no seu estado e pegar a Secretaria de Segurança Pública” e ele falou: “Como? Não!” Então o ameaçaram com quatro, cinco chantagens e ele se “convenceu” que seria melhor aceitar isso para o “bem da nação”, ou seja, já a mera leitura dos jornais já mostraria que não foi feito para ajudar o Pezão, mas foi feito pra tomar o governo de sua mão e colocar na mão dos militares. Mas como o PSTU já muito tempo, não entende absolutamente nada do que acontece na situação política, vamos dar um desconto para eles por não entender também esse acontecimento.

O único posicionamento dos partidos da esquerda que minimamente fala em ditadura, e estado de exceção etc. é o PT. O partido fala que há o perigo de estado de exceção que é meio besta porque já um monte de gente fala que no Brasil existe um estado de exceção. O que é fato, isto é, estado de exceção é o quê? É onde a lei não vigora. Esse é o Brasil de hoje não é que os militares vão levar. Os militares pode levar a situação para uma ditadura militar que é um estado de repressão com muitas balas, torturas, muita pancada, muita prisão, muita violência adicional, mas levar ao estado de exceção, não.

Neste caso aqui, é um caso gravíssimo da situação polí­tica que acentua a inclinação do regime no sentido de uma intervenção militar, de um golpe militar e eventualmente, inclusive, de uma ditadura militar. A maior parte da esquerda ficou na defensiva com a ação do governo golpista e não denuncia que, no meio de um golpe, a intervenção dos militares nos dos três estados mais importantes do paí­s é um aprofundamento do golpe. Eles não pede o fim da ditadura militar, a retirada dos militares da vida pública brasileira onde eles nunca deveriam ter estado. Um princípio geral da esquerda é: militar, na pior das hipóteses, tem que ficar dentro do quartel, tem que manter as tropas no quartel, nada de tropas pela rua do país. Isso não é uma coisa normal e aceitável, não é democrático.

No Brasil, as penitenciárias estão ocupadas pelos militares, a cidade natal está ocupada pelos militares, o estado do Rio de Janeiro está ocupado pelos militares. Daqui a pouco, o golpe militar vai ser simplesmente alguém chegar lá e falar: “nós não vamos mais aceitar a decisão do STF nem do congresso, só do executivo e quem vai tomar as decisões será o general Etchegoyen da Secretaria de Segurança Institucional. É uma coisa totalmente absurda.”

Este trecho faz parte do programa da COTV chamado Análise Política da Semana que acontece todos os sábados em São Paulo no Centro Cultural Benjamin Péret, próximo a estação Saúde de metrô. Para aqueles que não moram na cidade, podem assistir pela internet no canal Causa Operária TV no Youtube.

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